Texto por Colaborador: A. Rother 25/09/2026 - 21:10

O governo federal acelera as discussões de um plano que pode chegar a R$ 20 bilhões para auxiliar clubes de futebol e SAFs diante do impacto provocado pelo fim das bets no Brasil. A proposta prevê uma linha de crédito com juros mais baixos para substituir dívidas caras por financiamentos mais baratos.

A ideia vinha sendo discutida há meses e ganhou força com a decisão de proibir as atividades das casas de apostas. Os recursos seriam provenientes do superávit financeiro de 2025 e poderiam ser utilizados pelos clubes para reorganizar suas dívidas.

Apesar das negociações, o BNDES nega que disponibilizará uma linha de crédito para “socorrer” os clubes após a proibição das bets. Segundo o banco, a instituição não participou das discussões e seu estatuto proíbe esse tipo de operação.

Clubes das Séries A e B vinham tentando negociar com o governo uma forma de compensação diante da possível perda de receitas com os patrocínios das casas de apostas. O governo deve anunciar medidas de amparo às equipes, mas a principal alternativa inicialmente discutida, envolvendo uma linha de crédito do BNDES, não será adotada por enquanto.

A dependência do futebol em relação às empresas do setor é significativa. Atualmente, 13 dos 20 clubes da Série A têm uma bet como patrocinadora máster, enquanto o segmento injeta aproximadamente R$ 1,1 bilhão nos times em 2026. No ano passado, as empresas investiram cerca de R$ 1,03 bilhão em patrocínios aos clubes da primeira divisão.

O impacto também aparece diretamente nos estádios e centros de treinamento. Há equipes que possuem empresas de apostas como naming rights de seus estádios e até de CTs, enquanto as marcas ocupam grande parte das placas de publicidade nos locais. Na televisão, as bets também têm forte presença nos espaços comerciais.

Além disso, o Brasileirão conta com a Betano em seu nome e é disputado por equipes patrocinadas por empresas do setor. Com a determinação do governo, a partir de 6 de outubro estará proibida qualquer publicidade para casas de apostas.

As empresas do setor, por sua vez, prometem recorrer à Justiça contra o fim da operação no país, segundo a Folha. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) afirma que a medida representa “desrespeito” aos investimentos realizados pelas empresas e às contrapartidas exigidas pela legislação, além de apontar ganhos eleitorais como uma das motivações da decisão.

A regulamentação estabeleceu o pagamento de R$ 30 milhões por empresa para obter autorização de funcionamento por cinco anos, até 2029. Ao todo, 85 empresas desembolsaram R$ 2,55 bilhões ao governo.

Como as autorizações não estabelecem regras para devolução, revogação ou cancelamento, as bets estudam cobrar os valores pagos pelas licenças e também os chamados lucros cessantes, referentes ao que projetavam faturar durante os cinco anos de autorização.

Segundo o presidente da ANJL, um eventual pedido de ressarcimento ainda poderia incluir indenizações por danos materiais e morais. A entidade afirma que já está tomando medidas para tentar reverter a MP na Justiça.

A ANJL estima ainda que as restrições possam provocar aproximadamente R$ 9 bilhões em cortes de investimentos.

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