Reprodução / PFCA expulsão do goleiro Léo Jardim no final do empate entre Inter e Vasco por 1 a 1 no Beira-Rio recebeu apoio de comentaristas e especialistas. O arqueiro vascaíno recebeu o segundo cartão amarelo por "cera" nos minutos finais, deixando sua equipe com um jogador a menos no momento decisivo da partida.
Diori Vasconcelos, colunista do GZH, foi categórico ao criticar a postura da comissão técnica cruzmaltina. Segundo o jornalista, a sequência que levou à expulsão foi "escancarada" e demonstrou falta de profissionalismo.
"Léo Jardim já tinha levado amarelo no primeiro tempo por retardar a cobrança de um tiro de meta. Já estava pendurado. No fim da partida, a comissão técnica do Vasco preparava duas trocas, e um dos integrantes gritou para o goleiro cair no gramado, para ganhar tempo até que o substituto estivesse pronto. Foi ao lado do quarto árbitro. Todo mundo ouviu", relatou Vasconcelos.
O comentarista destacou que o árbitro Flávio Rodrigues de Souza não ignorou a situação e aplicou amarelo ao membro da comissão, iniciando o processo de substituições. Durante quase cinco minutos, Léo Jardim permaneceu caído próximo à trave, sem receber qualquer atendimento médico.
"Depois das trocas, o árbitro se aproximou do goleiro. Tudo indica que o alertou, já havia punido a comissão e agora dava uma última chance. Léo Jardim seguiu sentado. E aí veio o segundo amarelo", descreveu o jornalista.
Vasconcelos reconheceu que a "cera" é recurso comum no futebol, citando até mesmo uma situação similar envolvendo Rochet no primeiro tempo, mas enfatizou que desta vez a sequência foi "gritante". "Foi amadorismo da comissão técnica do Vasco. E irresponsabilidade, sabendo que o goleiro já tinha cartão. O árbitro acertou ao aplicar o segundo amarelo. E tomara que outros façam o mesmo."
O ex-atacante colorado Rafael Sobis, atualmente comentarista, adotou posição mais equilibrada ao analisar o episódio. Em vídeo nas redes sociais, o ex-jogador elogiou a postura do árbitro por aplicar a regra, mas demonstrou compreender a indignação do atacante Vegetti em sua entrevista pós-jogo.
"Eu vi o fim do jogo e a forte entrevista do Vegetti, que se justifica pela razão de reclamar, já que isso nunca acontece e aconteceu contra o time dele. Mas o meu pensamento é mais profundo. O juiz cumpriu a regra. Temos que questionar por que os árbitros não cumprem sempre que necessário", comentou Sobis.
O ex-jogador ampliou sua análise, criticando a inconsistência na aplicação das regras pelos árbitros brasileiros: "A gente cansa de ver goleiros ganhando tempo, aí o juiz não acrescenta e já era. Muita gente vai dizer 'ah Sobis, tu não é médico', mas quem joga sabe quando é algo sério e quando é cera. O problema é que os árbitros nunca cumprem a regra, mas cumpriram agora. Como não estamos acostumados, isso vai gerar polêmica."
O comentarista PC Oliveira, do SporTV, também analisou o episódio no programa Fechamento e defendeu que não houve erro técnico do árbitro Flávio Rodrigues de Souza, mas sim rigor na aplicação da regra.
"A gente pode falar que ele foi rigoroso, que ele foi corajoso, todos os adjetivos que o Diniz usou. Mas não pode falar que ele errou. A questão é critério. Porque no primeiro tempo, Rochet também simulou e não tomou o cartão. Não é uma situação que só é feita pelo Léo Jardim no Vasco", explicou PC.
O comentarista destacou como o comportamento do goleiro vascaíno influenciou na decisão arbitral: "O ideal era que todo mundo agisse como o Flávio. A gente pode falar de rigor, mas não dá para dizer que ele errou. A questão é se o critério vai ser adotado em outros jogos. O árbitro não é médico, mas também não é trouxa."
A declaração foi uma resposta indireta ao técnico Fernando Diniz, que disse em coletiva pós-jogo que "o árbitro não é médico" e não poderia avaliar se Léo Jardim estava realmente lesionado ou fazendo cera.
Alexandre Lozetti complementou a análise pontuando a falta de critério consistente na arbitragem brasileira. Para o comentarista, há um padrão de goleiros agirem da mesma forma no Campeonato Brasileiro sem serem punidos como foi o arqueiro vascaíno.
"Seria lindo se isso acontecesse com todos os goleiros que fazem isso. Agora só com o Vasco, não. Porque aí acabaria com essa palhaçada de goleiro ficar caindo", destacou Lozetti.
A posição consensual entre os comentaristas demonstra que, apesar da raridade da situação, a aplicação da regra foi considerada correta e necessária para combater a prática recorrente de "cera" no futebol brasileiro.
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