Reprodução / TNTEx-treinador do Internacional, Eduardo Coudet atravessa a fase mais complicada desde que assumiu o River Plate. Neste sábado, o Chacho viu sua equipe perder por 1 a 0 para o Tigre, resultado que aprofunda a crise do Millonario, ainda sem vencer e sem marcar gols no Torneio Clausura, além de complicar a situação do clube na tabela anual rumo à próxima Copa Libertadores. Borré entrou apenas na parte final e jogou poucos minutos.
Com cinco mudanças em relação ao jogo anterior, contra o Rosario Central, Coudet ainda apostou em uma nova variação tática, com Gonzalo Montiel improvisado como central na saída de bola e Joaquín Freitas e Francisco Ortega atuando como alas. Mesmo com a posse de bola, o time sofreu para criar chances reais. O empate persistiu até os 78 minutos, quando um erro grosseiro de Aníbal Moreno deixou Ignacio Russo livre para marcar. Foi a quinta derrota seguida do River no semestre.
Depois do silêncio após o revés diante do Rosario Central, o ex-comandante colorado voltou a falar em coletiva e foi bastante direto sobre o momento do clube.
"Sempre falei sobre isso, sei o lugar em que estou. É uma situação muito complicada perder tantos jogos seguidos. Isso é o River, e eu sei as consequências que uma sequência assim traz. O primeiro passo, obviamente, é reverter essa sequência. Desde o início eu sei o que é o River", disse o treinador.
Em seguida, colocou uma condição para seguir no comando do clube: "O primeiro passo é interromper isso no próximo jogo. Já falei sobre prazos, e se eu perceber que os resultados não começam a aparecer, não vou fazer mal ao River, à torcida, ao clube e à diretoria. Sou o mais autocrítico de todos".
"Aqui não existem desculpas, é preciso assumir a responsabilidade e vencer. Dificilmente vamos encontrar um bom funcionamento de um dia para o outro, mas vencendo fica mais fácil. Precisamos nos entregar, mas eu não vou prejudicar ninguém: vou tentar, e se não der certo, vou assumir a responsabilidade. Os jogadores querem, sinto que os jogadores estão comigo, mas quem manda são os resultados", completou.
"Não vou bancar o bobo, meio país está me xingando, mas isso já aconteceu comigo antes e eu revertí a situação. Mas eu sei que existem prazos e não vou fazer mal a ninguém. Dou a cara a tapa e assumo a responsabilidade, sei qual é o meu lugar e vou me dedicar a reverter isso — só se resolve com resultados, e se não vier, não vou prejudicar ninguém".
"Não é uma questão de prazos, mas de entender os momentos. Isso é o River, e já são cinco jogos perdidos. Não fico bravo com ninguém, e as críticas vêm de todos os lados. Conheço este clube, já consegui reverter essa situação como jogador, e agora quero fazer o mesmo como treinador. Se eu não conseguir, vou para casa, mas ainda tenho confiança", finalizou, ao ser questionado sobre sua permanência no cargo.
O ex-treinador do Inter, portanto, já admite publicamente que pode deixar o River caso os maus resultados persistam. E os números reforçam a gravidade do momento: são cinco derrotas seguidas somando todas as competições — seis, considerando apenas torneios da AFA — sem o time balançar as redes no Clausura. É a primeira vez na história do clube que ele perde os quatro primeiros jogos de um torneio de Primeira Divisão, e a sequência atual de derrotas não tinha precedente desde 1982, quando o River perdeu cinco seguidas (para Flamengo, Newell's, Peñarol, Argentinos Juniors e Flamengo outra vez) antes de encerrar a má fase batendo o Racing por 3 a 0.
Já a marca de seis derrotas seguidas em torneios da AFA — diante de Belgrano, Aldosivi, Barracas, Gimnasia, Rosario Central e Tigre — não acontecia desde uma sequência de 13 tropeços consecutivos, entre 1905 e 1906. A primeira delas, para o Aldosivi, eliminou o River da Copa Argentina e tirou do clube um dos caminhos de acesso à Libertadores de 2027; as demais, pelo Clausura, derrubaram a equipe para a 11ª posição da tabela anual, já fora da zona de classificação à Copa Sul-Americana do ano seguinte.
Parte da responsabilidade por essa sexta derrota seguida recai sobre as próprias escolhas táticas de Chacho. Chamou atenção escalar Gonzalo Montiel como terceiro zagueiro pela direita — função em que o lateral pareceu desconfortável, abrindo mão justamente de sua capacidade de subir pelo lado do campo, recurso que fez falta no segundo tempo, quando Tobías Andrada precisava de apoio. Também não convenceu isolar Joaquín Freitas na ponta direita, posição em que o jogador já havia sido testado sem sucesso antes, enquanto Ángel Correa dividia o ataque com Lucas Beltrán — que ficou preso entre os zagueiros rivais, sem conseguir render tudo o que poderia em uma função mais livre.
Os erros do ex-treinador alvirrubro vêm desde a derrota por 1 a 3 para o Aldosivi, pela Copa Argentina, no início do semestre. Até agora, ele não conseguiu elevar o nível de nenhum jogador — mesmo com reforços recentes como Tobías Andrada e Francisco Ortega já integrados ao elenco — e o rendimento geral segue baixo.
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