Ricardo Duarte / InternacionalTodo início de trabalho leva tempo e não existe nenhuma regra para determinar esse prazo. Jurgen Klopp, levou exatos três anos no Mainz, BVB e Liverpool. Guardiola, com muito mais dinheiro, costuma levar no mínimo dois. Jorge Jesus, antes de desembarcar no milionário Flamengo, demorava para explodir em Portugal, e assim caminha a roda na montagem de uma equipe de futebol: tempo, recursos, qualidade prática e estrutura. Assim sendo, na montagem das peças de qualquer plantel, um elemento básico precisa ser destacado: tenho as peças para jogar como o City do Guardiola? como o Flamengo do JJ? como o Inter de 70?
Imagine o seguinte cenário fantasioso, Pep Guardiola se apaixona pela Serra Gaúcha e de repente resolve morar em Bento Gonçalves, encantado pelos vinhos da região. Passado alguns meses, assume o Juventude, como passatempo após sentir saudades do cheiro do vestiário. Sem dinheiro, sem estrutura, seus times seguem o mesmo padrão: tique taque, linhas altas, ofensividade e todo esse projeto, mas, o resultado além de esporádicos bons momentos, resumem-se a isso, e, muito provavelmente, toda essa imposição não se transformam em títulos nem eficiência, porque se faz primordial um elemento indispensável: um determinado nível de plantel, recursos - que nem sempre estão disponíveis a maioria. Portanto, nessa brincadeira lógica, querer jogar como o City, Barcelona, é totalmente possível, mas na prática, seu sucesso final será determinado muito mais pela eficiência das peças e não meramente por uma filosofia de jogo.
Finalizando essa linha de pensamento, chegamos à conclusão que "Quanto mais as peças e os jogadores se encaixam numa filosofia ou estilo de jogo (qualidade técnica, tática e física) menor será o desequilíbrio desse esquema, ou seja, maior será seu sucesso". Sendo assim e entrando na montagem de elencos com menor poder de investimento, os desequilíbrios certamente serão maiores, pois diferentemente de Flamengo, Liverpool ou City, não temos como trazer 5 jogadores direto e prontos, com todos os elementos essenciais nessa adaptação. Como resolver isso, então? Do nosso ponto de vista apenas com tempo, paciência e ajustes (que não ocorrem na velocidade desejada, mas na possível).
Quando anunciou Eduardo Coudet o Inter trouxe uma ideia clara, de ser uma equipe dominante, agressiva, com estilo próprio e que tente propor o jogo seja onde e contra quem. De certa forma, com altos e baixos, é exatamente isso que Chacho vem entregando e os resultados nem sempre são reflexos exatos das atuações, entrando justamente nesse contexto citado anteriormente: tempo (3 anos para Klopp, 1 mês e meio para Coudet), elenco (ainda com deficiências evidentes nas alas, no banco e na armação, abaixo da técnica exigida pelo padrão que queremos e sem total conhecimento do comandante argentino, no que englobaríamos como "erros ou ajustes de adaptação").
Fizemos essa volta toda, portanto, para deixar explícito que o Inter jogará com a marca Coudet, que será ofensivo (como tanto queríamos e criticávamos o Odair) mas que o resultado prático disso dependerá também dessas peças à sua disposição e de todos os elementos que encorpam um projeto de sucesso. Após essa longa introdução, emitiremos algumas impressões do GreNal deste sábado, confira abaixo:
GRENAL 423 (Pontos positivos e negativos)
Moledo é um dos jogadores mais fortes na bola aérea defensiva e ofensiva enquanto Fuchs será um zagueiro de muito futuro. Entretanto, parece-nos claro que não era o momento de sua entrada, no que foi, sem dúvida, o maior erro de Coudet. Ao desmanchar uma das melhores duplas de zaga do futebol brasileiro - por uma possível melhor saída de bola, que nunca aconteceu durante o jogo - ficou evidente que Rodrigo Moledo era o atleta certo para combater o duelo físico do quase ex-jogador, Diego Souza. Será que Chacho realmente conhecia o atacante gremista?
Outro erro foi a demora nas trocas. Com Galhardo no banco voando em quase todos os jogos, porque não ter trocando antes? Qual sentido a entrada de Zé Gabriel? O Inter estava totalmente cansado depois dos 35 minutos, precisava de uma recomposição nas alas para evitar os cruzamentos, e isso custou caro no final.
Todavia, vamos também aos elogios. A postura do time no 2° tempo mesmo com um a menos foi impressionante. Coudet não ficou atrás esperando, ele foi para o embate assim mesmo e por muito pouco também poderíamos ter saído com a vitória. É interessante esse viés porque com 10 o Inter amassou uma equipe que joga junto há 4 anos. Com mais tempo, mais ajustes e melhor entrosamento, esses momentos positivos poderão se transformar em elementos sólidos, aumentando nossa eficiência.
Já analisando o jogo: o Grêmio de Renato também não foi uma mil maravilha, eram 4 jogadores na frente parados, totalmente sem meio de campo, sendo abafada contra 10. Depois do bom 1° tempo onde eles jogaram no nosso erro, a vitória fez esconder suas dificuldades... Assim como explorar as de Coudet, devido ao resultado.
Futuropróximo: parece claro que Musto e Lindoso tendem a deixar o time sem aproximação, velocidade e criatividade para sair do toque de bola até as alas, que, quase sempre, resultam em cruzamentos sem eficiência ou longe de uma finalização com perigo. Assim, Lindoso, de bom 2019, poderia assumir o papel de volante extritamente defensivo, recuando Edenilson com Dalessandro e inserindo um elemento de velocidade para infiltrar a zaga adversária, seja com Marcos Guilherme ou Galhardo, trazendo uma nova parceria para Paolo e o fator de velocidade. Embora a equipe teoricamente perca um pouco o poder de combate, a ideia de "defender com a bola" poderia ser ainda mais refinada, diminuindo o impacto da posse entre zagueiros e laterais, que por diversos momentos, urgem por maior parceria na armação.
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