Ricardo Duarte / InterO Inter entrou em campo neste sábado novamente tendo alguns titulares mas perdendo Patrick e Johnny no decorrer do jogo: rodada a rodada vemos a liderança esfarelar por mais que a tentativa da comissão técnica seja a de escalar o XI "mais forte" possível. Assim, por mais que as últimas duas derrotas preocupem o que tem ocorrido parece claro e nítido aos torcedores que desejam ver os fatos como eles são: a sequência de jogos (desgaste), baixas por lesões e falta de qualidade nas reposições - além da juventude de vários atletas - começam a pesar de maneira mais enfática, sendo um obstáculo tão duro quanto os próprios adversários. Querer ganhar tudo - tudo diga-se Brasileiro e mais algum outro torneio concomitantemente - nesse momento é completamente impraticável.
Praticamente nenhuma das grandes equipes campeãs nacionais ou continentais puderam se manter na briga rodada a rodada em todas competições de maneira integral. No momento, para piorar, vivemos um calendário espremido e condensado como jamais visto, exigindo elencos ainda mais capacitado do que em temporadas anteriores enquanto lesões e baixas cruciais aumentam de maneira assustadora.
Desse modo, direção, comissão técnica e a própria torcida colorada precisará escolher o caminho a trilhar, entendendo que NENHUMA DAS ESCOLHAS GARANTE TÍTULO ALGUM: ou foca-se nas copas ou somente no Brasileiro, mais do que isso, no atual contexto e com o número de baixas já confirmadas, querer tudo é escolher seguir de mãos vazias. Optando por escalar titulares em todas rodadas as lesões serão ainda maiores, o desgaste impactará cada vez mais na falta de intensidade e a qualidade do time será cada vez mais baixa, aumentando ainda mais a possibilidade da equipe ser superada. Precisamos entender, em vista disso, que estamos tratando de probabilidades e não de fatos reais com pleno controle (sim, um jogador pode se machucar tropeçando na banheira, mas qual a probabilidade disso em relação ao desgaste ósseo? das articulações? muscular? nem todas essas áreas do corpo se regeneram como a muscular). Acredite se quiser: tanto treinadores como direções não poupam "porque adoram ser criticadas e culpadas pelas derrotas".
A fisiologia - ciência extremamente avançada no esporte profissional - tem demonstrado nas últimas décadas a incrível queda de intensidade e desgaste que a sequência de jogos impõe aos elencos. Alie tudo isso a viagens longas em um país continental (sabe aquele mal-estar de viagem que sentimos quando viajamos? é puro desgaste físico, que atrasa a recuperação física. A nós, amadores, seu impacto é zero, mas na realidade do esporte profissional em que o rendimento e as viagens são intermináveis todos estes destalhes se somam) e os erros técnicos vão aumentando na mesma proporção, enquanto os erros táticos e desgaste psicológico aparecem em "desatenções" quase corriqueiras jogo a jogo, antes consideradas raras. Em 2018, o Inter de Odair se beneficiou desse calendário espaçado e com um elenco de no máximo entre o 7° e 6° mais forte da Série A terminou em terceiro. Portanto, dizer que pontos corridos é uma competição muito mais previsível do que gostaríamos é chover no molhado na medida que o SCI disputa 3 competições com elenco para no máximo uma (longa) ou duas (eliminatórias). Chacho ressalta essa realidade como perspectiva para entender onde estamos e onde queremos chegar mas parte da torcida e até da direção parece preferir acreditar muitas vezes na fantasia ou exigência sobrenatural - ao basear-se somente no tamanho do clube como suficiente para torná-lo aspirante a determinado título - e não nos elementos essenciais que de fato alteram as determinações do jogo em si.
Finalizando, ou o Inter leva o Brasileiro da maneira possível mirando se manter no topo - vaga por Libertadores direta é o mínimo factível - preparando sua equipe para uma intensidade máxima, com o mínimo de lesões e alta concentração psicológica/física para a Libertadores e Copa do Brasil, ou veremos essa sequência caótica de baixas, jogos mais fracos tática e tecnicamente serem a regra até o fim da temporada, em fevereiro de 2021. Querer o Brasileiro nesse momento não é poder, mas querer a Libertadores ou Copa do Brasil é, sim, possível. Garantias de título? Não existe em praticamente nenhuma competição com exceção dos pontos corridos em que a maioria dos vencedores reflete de maneira direta as equipes com calendário mais espaçado ou de melhor elenco, dois elementos que não dispomos hoje. Vamos encarar os fatos e trabalhar para ser bem sucedido nisso?
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