Texto por Colaborador: A. Rother 27/05/2026 - 18:32

O jornalista Leonardo Moll, da Band, um dos nomes mais confiáveis quando o assunto é Internacional, revelou nesta quarta-feira (27) que o clube gaúcho saiu otimista da reunião com a CBF sobre o reconhecimento do título brasileiro de 2005. O presidente da entidade, Samir Xaud, não apresentou resistência ao tema, e, embora a diretoria evite estabelecer um prazo, existe a expectativa de uma definição ainda este ano.

O ponto central é que a reparação pedida pelo Colorado depende única e exclusivamente do aval da CBF, sem necessidade de recorrer ao STJD.

O caso

Em 2005, 11 jogos foram anulados pela CBF em meio ao escândalo da Máfia do Apito — 10 deles sem qualquer prova ou indício de manipulação, o que era vedado pelo regulamento. Entre as partidas remarcadas, duas envolviam o Corinthians contra São Paulo e Santos, jogos que o clube paulista havia perdido. Com as repetições, o Corinthians recuperou quatro pontos. O Inter, por sua vez, repetiu uma partida que já havia vencido contra o Coritiba, sem nenhum benefício. No fim, o Corinthians levantou o título com três pontos de vantagem. Sem as remarcações, o Colorado teria terminado um ponto à frente.

Com o passar dos anos, o próprio árbitro Edilson Pereira de Carvalho — figura central da Máfia do Apito — admitiu não ter atuado de forma irregular nos jogos que geraram as remarcações, reconhecendo que aquelas partidas não estavam sob influência das apostas. O ex-presidente do Corinthians à época também reconheceu os equívocos cometidos nas decisões. Edilson chegou a afirmar publicamente que "mudou o campeão brasileiro" e que o Internacional merecia ter sido campeão em 2005. Há ainda um erro de arbitragem no confronto direto entre os dois clubes, disputado em São Paulo, em favor do time da casa — episódio sem relação com a Máfia, mas que reforça o senso de injustiça em torno daquela edição.

Os precedentes que sustentam o pedido são sólidos: em 1973, o Paulistão teve o título dividido entre Santos e Portuguesa após erro de arbitragem; em 2010, a CBF reconheceu a Taça Brasil e o Robertão como títulos nacionais; e em 2023, o Atlético-MG teve o título de 1937 oficialmente homologado.

O caso ganhou novo fôlego no ano passado com o lançamento da produção "Máfia do Apito", pelo SporTV, que trouxe novas declarações e documentos sobre o escândalo que marcou o futebol brasileiro duas décadas atrás.

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