Texto por Colaborador: A. Rother 27/09/2026 - 01:00

A proibição das bets anunciada pelo governo federal nesta sexta-feira (25) terá impacto direto nas receitas comerciais de diversos clubes brasileiros, principalmente daqueles que possuem casas de apostas como patrocinadoras. O Internacional, porém, não terá impacto direto com a medida, já que está sem uma empresa do setor como patrocinadora máster desde janeiro.

A Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva determina o fim da exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no Brasil, incluindo os patrocínios esportivos. O texto também estabelece prazo para a retirada de materiais publicitários e sinais de patrocínio relacionados às bets.

Na Série A, 14 clubes possuem ou possuíam casas de apostas como patrocinadoras principais, em contratos que movimentam valores milionários. O Flamengo, por exemplo, recebe R$ 268,5 milhões anuais da Betano, enquanto Corinthians e Palmeiras têm acordos de R$ 150 milhões e R$ 100 milhões, respectivamente.

O levantamento mostra o tamanho que o setor alcançou nas receitas dos clubes. No Flamengo, o contrato representa cerca de R$ 22,4 milhões por mês. Já o Corinthians recebe aproximadamente R$ 12,5 milhões mensais, enquanto Palmeiras e São Paulo têm acordos equivalentes a cerca de R$ 8,3 milhões e R$ 7,9 milhões por mês.

Entre outros clubes, o Fluminense tem contrato de R$ 52 milhões por ano com a Superbet, o São Paulo recebe R$ 95 milhões, o Atlético-MG tem acordo de R$ 60 milhões com a H2Bet, o Santos recebe R$ 35 milhões da Novibet, o Cruzeiro tem contrato de R$ 42 milhões com a Betnacional e o Botafogo possui parceria de R$ 55 milhões com a VBet.

A diferença é significativa para os clubes que dependiam diretamente desse tipo de patrocínio. Segundo dados da Sports Value citados no levantamento, os investimentos das casas de apostas em receitas comerciais dos clubes da Série A chegaram a R$ 1,03 bilhão.

No caso do Internacional, entretanto, a realidade é diferente. O clube rescindiu o contrato com a Alfa Bet em janeiro e, desde então, não possui um patrocinador máster fixo ligado ao setor de apostas. O acordo anterior previa R$ 50 milhões anuais, mas a parceria foi encerrada após problemas financeiros da empresa e atrasos nos pagamentos.

Desde a saída da Alfa, o Colorado passou a trabalhar com patrocínios pontuais para ocupar o espaço principal do uniforme. Shopee e Speedmax, por exemplo, foram utilizadas em partidas específicas ao longo da temporada, em uma estratégia de diversificação do portfólio comercial.

Dessa forma, enquanto diversos clubes da Série A precisarão buscar novas alternativas comerciais para substituir contratos com casas de apostas, o Internacional não terá perda de uma receita atualmente vinculada a uma bet. A situação coloca o Colorado em uma posição diferente dos clubes que ainda dependiam diretamente desse segmento para uma parcela relevante de suas receitas de patrocínio.

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