Texto por Colaborador: Redação 26/02/2026 - 02:00

O Internacional avança nos bastidores na tentativa de ser reconhecido como campeão brasileiro de 2005 ao lado do Corinthians. O clube gaúcho tem em mãos um laudo técnico assinado por Leonardo Gaciba, ex-árbitro Fifa e ex-chefe da Comissão de Arbitragem da CBF, concluindo que as decisões tomadas por Edilson Pereira de Carvalho — árbitro central no escândalo da Máfia do Apito — não interferiram nos resultados dos dois jogos do Corinthians que foram anulados naquele Brasileirão. O documento integra o dossiê que o clube pretende apresentar à CBF quando o trabalho estiver concluído.

Contratado como perito pelo Colorado, Gaciba analisou as partidas Santos x Corinthians e São Paulo x Corinthians, duas das 11 apitadas por Edilson e canceladas em decorrência do esquema de manipulação de resultados. O Corinthians havia perdido os dois jogos originalmente. Nas partidas remarcadas, venceu uma e empatou outra — e terminou o campeonato três pontos à frente do Inter, que ficou com o segundo lugar.

"Afirmo que, na minha opinião, não houve interferência alguma no resultado da partida, no vencedor ou no placar vindo da parte da equipe de arbitragem nesses dois jogos que foram analisados", declarou Gaciba em entrevista ao ge.

O ex-árbitro esclareceu os critérios utilizados no trabalho: "Essa análise foi feita para ver se houve interferência ou não da ação do árbitro dentro do resultado da partida. Eles (Inter) preferiram deixar fora o jogo que foi anulado envolvendo o Internacional, porque o Internacional venceu as duas partidas — venceu a partida que foi anulada e depois, na remarcada, acabou vencendo novamente."

Para elaborar os laudos, Gaciba revisou integralmente as gravações originais das transmissões, construindo um relatório minuto a minuto com registro de faltas corretas e incorretas, impedimentos relevantes, decisões de área e todos os lances com potencial de alterar o placar. O parâmetro adotado foram as regras e interpretações vigentes em 2005.

"Observei todo o jogo, do zero ao minuto 90, com os acréscimos. Utilizei como parâmetro as regras que eram postas em prática em 2005, que são completamente diferentes de hoje. Lógico que estou completamente à vontade para fazer essa análise, porque eu fazia parte do quadro internacional na época", detalhou.

Ao concluir o trabalho, Gaciba não encontrou indícios de interferência nas decisões capitais dos dois confrontos, avaliando as atuações de Edilson como tecnicamente seguras: "Eu vejo duas atuações muito seguras do árbitro da partida, com boas atuações dos seus assistentes também. Eu não vejo nenhuma influência. Pelo contrário, acho que, tecnicamente falando, foram duas arbitragens de alto nível."

O ex-árbitro também frisou os limites de sua análise: "A minha análise não foi preocupada se houve ou não manipulação de qualquer outro tipo. O que para mim foi colocado é se as decisões influenciaram ou não no resultado ou no vencedor da partida. Em cima disso que foram feitos os dois laudos."

O tema voltou à tona após o lançamento do documentário "Máfia do Apito", no ano passado, no qual o próprio Edilson Pereira de Carvalho admite influência no título nacional de 2005. A série de três episódios resgata o esquema de manipulação de resultados ligado a apostas ilegais.

Os próximos passos do Inter

A movimentação do clube começou em setembro do ano passado, quando um conselheiro colorado protocolou pedido para que o Inter buscasse o reconhecimento do título de 2005 junto à CBF, citando precedentes internacionais de campeonatos revisados por manipulação. A diretoria acolheu o pleito e passou a trabalhar nos bastidores, reunindo documentos, depoimentos e análises técnicas para compor um dossiê robusto a ser apresentado à entidade quando estiver pronto.

O objetivo do Inter não é tirar o título do Corinthians, mas dividir a conquista de 2005. A tese sustentada pelo clube é de que, embora tenha havido manipulação por parte de Edilson, suas decisões não alteraram diretamente os resultados dos jogos anulados — argumento que o laudo de Gaciba reforça.

O próximo capítulo ocorre no dia 2, quando o Conselho Deliberativo do Inter se reúne para votar se o clube formalizará o pedido à CBF. A votação deve funcionar como um respaldo institucional à diretoria para que siga em frente com o pleito.

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