Texto por Colaborador: A. Rother 06/06/2026 - 04:00

O executivo de futebol do Inter, Fabinho Soldado, concedeu entrevista ao GE e falou sem rodeios sobre os desafios financeiros do clube, o modelo de contratações que pretende seguir na janela do meio do ano e os bastidores da reestruturação interna.

Sobre o que encontrou ao chegar, Fabinho foi honesto: "Por tudo que aconteceu no ano de 2025, claro que encontramos uma ferida ainda aberta. Já tínhamos ideia do que encontraríamos e os desafios que teríamos pela frente. Me senti muito encorajado a vir para o Inter porque sabia que teria como colaborar para que pudéssemos tratar e olhar para o Inter com outros olhares e crescer durante o ano."

O executivo reconhece que o poderio financeiro do Colorado não compete com o de outros clubes, mas aposta na capacidade de convencer jogadores pelo projeto. "Tentamos com muita criatividade buscar quem queira jogar no Inter e esteja realmente muito disposto a se entregar dentro do que é o projeto do clube. Poderíamos ter contratado em maior quantidade, sim. Confesso que tentamos muitas outras situações, mas estou muito satisfeito com aqueles que aqui estão."

Para a janela de transferências do segundo semestre, a proposta é a mesma da primeira: criatividade no lugar de dinheiro. "O poder de investimento hoje nosso não é algo assim tão expressivo. De novo, é uma conversa muito realista. Mas isso não nos impossibilita de buscar boas ações. Será com muita criatividade, oportunidade e relação para mostrar um projeto esportivo."

Fabinho usou as contratações de Alerrandro e Villagra como exemplos do modelo que pretende repetir. "O Alerrandro é uma posição muito específica. Tínhamos diversos concorrentes e precisamos entrar com um propósito de que o Inter seria o melhor caminho para ele. Quando você convence o atleta e o estafe, ele vem simplesmente para jogar. Com o tempo e fazendo os gols, esse atleta se torna um grande ativo ao clube. Sem ter que fazer grandes investimentos, conseguimos fazer uma contratação muito importante. É muito parecido com esse modelo que faremos algumas contratações." Sobre o argentino, completou: "Do jeito que está jogando, o torcedor não o deixará ir embora. Parece que já estava aqui há tantos anos."

Sobre as especulações em torno de jogadores como Bernabei, o executivo surpreende ao dizer que o assunto não o preocupa. "Fico feliz da vida. Meu clube precisa ter jogadores que são procurados pelo mercado. Acho isso algo muito natural e mostra que existe um trabalho que está sendo muito bem feito. Um clube como o Inter não ter jogadores sendo especulados ou com ofertas seria ruim para nós. Hoje não temos nenhuma proposta oficial por ninguém."

Mas Fabinho é claro ao dizer que vender faz parte do planejamento. "A saída está totalmente ligada à entrada. Você precisa ter a venda em algum momento do ano para conseguir equilibrar as contas. Não consigo fazer só um planejamento. Preciso trabalhar com todas as possibilidades. Tenho uma ideia de manutenção e outra estratégia se precisar perder dois ou três jogadores."

Sobre a mudança tática de Pezzolano a partir da sétima rodada, Fabinho fez questão de dar o crédito ao treinador. "O mérito é 100% do nosso treinador. Acho muito legal da parte dele a humildade de reconhecer que era o momento de jogar de um outro jeito. Ele teve a capacidade e humildade para analisar de outra forma, colocar os jogadores para jogar de outro jeito e recuperou alguns atletas. O treinador precisa saber que, se errar, tem gente com quem pode trocar ideia e dar respaldo."

A reestruturação do CT é outro ponto central do trabalho. Fabinho contou como surgiu a parceria com Tinga para liderar o projeto. "Minha parte foi mostrar a necessidade ao Tinga. Como ele é um amigo, o Inter estava sempre presente nas nossas conversas. Falei: 'Tinga, acho que agora é a hora de unir o teu desejo com o que tenho hoje por carência. Não quero que nos ajude a contratar jogador. Preciso melhorar a estrutura do clube'." Para o executivo, a melhora na infraestrutura tem impacto direto na capacidade de atrair jogadores. "Se você quiser contratar bons atletas, precisa dar condições."

Questionado sobre o que o Inter buscará no Brasileirão, Fabinho preferiu não colocar metas numéricas. "O que se fala aqui dentro é melhorar a cada rodada. É um trabalho gradativo. O objetivo é a equipe melhorar para que consigamos olhar para cima e mirar outras possibilidades. A ideia nossa é conseguir os pontos e estar em uma colocação marcante."

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