Foto: Bruno Cantini/Atlético-MGO ex-presidente do Atlético voltou a criticar duramente a preocupação com o retorno do futebol no Brasil. Após bater novo recorde de mortes (751 pessoas) em 24h por Covid-19 (ultrapassando mais de 9 mil óbitos), é justamente o atual panorama da pandemia que escancara o risco de espalhar ainda mais um quadro de caos no país. Em entrevista ao jornal O Globo nesta sexta-feira (8), o atual prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, comentou a questão:
"Enquanto estão enterrando, comprando material – como vi em São Paulo –, saco plástico para botar corpo no frigorífico, estão falando em política, falando em futebol. Com 61 anos, não tenho idade para acostumar com mais nada. Eu não posso acostumar com isso, nenhum de nós. Temos sete mil problemas a menos de emprego, porque morreram. Se abrir tudo, nós não teremos nem desemprego. Vai morrer todo mundo (...) Eu conheço os dois lados. Eu sei o que que é uma estrutura para um jogo de futebol. Se não tiver público e transmissão, o futebol não tem necessidade de existir. Se for para ter só transmissão, tem jornalistas, cabos, rádios, massagistas amontoados em pequenos lugares, como vestiário. É aglomeração. Não é hora de pensar nisso, em política, em reeleição, em nada. Tem que pensar em libertar a cidade o mais rápido possível. Que futebol é esse que não vai poder reunir jogador, fazer oração no vestiário?", começou.
"Na Cidade do Galo, que eu conheço bem, só dentro da gaiola trabalham três pessoas, para limpar chuteira de jogador. Nós vamos obrigar esse povo a ficar lá? Dentro do departamento médico trabalha gente, tem cozinha, roupeiro, dois massagistas, garçom, você está fazendo aglomeração. Ou vai fazer igual na Europa? Cada um sai da sua casa, de carro para o estádio. Chega lá, tem outra multidão de gente, mesmo sem público. Não tem a menor possibilidade de pensar nisso agora, por questão de segurança", destacou.
"Estamos indo para o pico da pandemia. O futebol que está voltando é de mentira. E outra coisa: o futebol depende da cidade, do que o prefeito pensa. O Cruzeiro não vai voltar a treinar aqui em Belo Horizonte, mas o Atlético está em Vespasiano; o América, em Contagem (cidades da região metropolitana de BH). Você pode até barrar o ônibus, o Supremo Tribunal Federal autorizou as prefeituras. Não estou falando que vou fazer isso, mas se eu quiser barrar o ônibus do Atlético, ele não vai para o jogo, porque ele sai de Vespasiano", finalizou.
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