Ricardo Duarte/InternacionalNa noite em que estreou o uniforme comemorativo dos 20 anos do título Mundial de Clubes, o Inter deu um show no Beira-Rio. A goleada de 4 a 1 sobre o Vasco, neste sábado (16/05), foi construída com gols de Carbonero (duas vezes), Alerrandro e Bernabei, e levou o Colorado aos 21 pontos no Brasileirão. Foi também a despedida da Padre Cacique antes da pausa para a Copa do Mundo — o próximo jogo no Gigante acontecerá somente após o torneio.
A imprensa foi unânime: foi a melhor atuação da equipe de Paulo Pezzolano em 2026.
Maurício Saraiva, no GE, não poupou superlativos: "O Inter que goleou o Vasco não lembrou em nada as outras atuações de 2026. Nem as melhores, como a vitória sobre o Santos fora e o Fluminense no Beira-Rio. O time de Renato Portaluppi foi batido em todos os quesitos do futebol. Técnico, físico, tático, anímico, o que quiser acrescentar sobre estes quatro. Diferente das outras vitórias, esta teve brilho individual e coletivo. Nenhuma nota ficaria abaixo de sete, algumas superaram com sobra a nota oito. Bernabei, Carbonero e Alerrandro bateram excelência, Villagra e Mercado, bem perto. Intensidade a pleno, acerto de passe, eficácia, o Inter que goleou o Vasco provocou neste colunista, finalmente, todos os elogios represados até hoje. Nem o golaço de desconto de Gómez tirou força do desempenho colorado. A melhor atuação do ano foi de animar quem já acreditava e seduzir quem tinha todas as razões para estar descrente."
Diogo Olivier, em GZH, foi além e traçou o perfil tático que explica o Inter: "Além de uma boa gordura contra o Z-4, uma vitória expressiva sobre o Vasco por 4 a 1 — e poderia ter sido mais — traz também uma prova cabal e irrefutável. O Inter é o time do contra-ataque furioso, bem organizado pelo técnico Paulo Pezzolano. Precisa aceitar sua natureza em 2026. Quando baixa linhas ou aciona gatilhos de pressão mais alta, sempre buscando retomar a bola e zunir em contragolpes, as coisas acontecem. Tentou controlar o jogo com passes e posse de bola? Nada feito. Aí Remo e Mirassol incomodaram. A fórmula é: 1) ser operário, 2) correr mais do que o adversário e 3) aceitar sua condição com humildade."
Olivier também identificou a descoberta tática de Pezzolano: "Bernabei, protegido por Matheus Bahia, é o grande achado de Pezzolano. Carbonero virou o novo Alan Patrick, só que não como meio-armador, e sim meio-atacante. Além do gol na velocidade, observe que o colombiano funciona em todos os contra-ataques, por dentro, atrás dos atacantes. O Inter encontrou um trio de contra-ataque: Carbonero (meia), Alerrandro (pivô) e Bernabei (atacante). Obra de Paulo Pezzolano. Se não ceder à tentativa de atacar e atacar e atacar, e se comportar sempre reagindo, o Inter entrará dezembro livre da chance de rebaixamento."
Vagner Martins, também no GZH, viu na goleada algo mais profundo: "O que se viu no Beira-Rio foi uma mudança de ambiente. Torcedor, estádio e time sentiram, porque a goleada sobre o Vasco da Gama enterra um fantasma que acompanha o Inter há meses: o fantasma do rebaixamento. Calma. Isso não significa dizer que o Inter já está livre, ainda não está. Para isso, precisa chegar aos 46 pontos. Essa conta continua existindo, mas um time que faz quatro gols, que sobe para a primeira página da tabela, hoje na oitava colocação, e que perde apenas uma vez nos últimos treze jogos, não pode mais olhar apenas para baixo. Essa já não é mais a briga do Inter e essa talvez seja a maior notícia da noite. O time de Paulo Pezzolano começa a mudar de patamar. Essa vitória muda o ambiente. E, às vezes, é exatamente assim que uma temporada muda de rumo. Hoje, no Beira-Rio, o Inter enterrou um fantasma."
Pedro Denardin, também em GZH, complementou: "Foi um show colorado. Foi disparada a melhor atuação do ano, muito graças ao treinador, que montou uma equipe com força agressiva e explorou os constantes contra-ataques. Renato facilitou muito a vida do Inter. Seu time não marcou mal — eu diria que simplesmente não marcou. O Inter fez quatro gols e poderia ter feito seis. Foi um jogo de muita inspiração dos jogadores colorados, favorecido pela facilidade oferecida pelo adversário. Outro ponto que chamou a atenção foi a velocidade encontrada nas transições e nos muitos contragolpes criados ao longo da partida. Afinal, que Inter é esse que deu show? Um time ainda médio, mas com ideias que apresentaram postura tática importantes implantadas pelo seu treinador."
Fora da imprensa tradicional, o reconhecido colorado Nando Rocha também falou pelo X: "A última vez que o Inter enfrentou o Vasco tomou uma goleada no Rio e encaminhava o rebaixamento. Até febre me deu. Um dos momentos mais legais da minha vida e eu completamente abatido por futebol. Obrigado, Pezzolano, por nos devolver a dignidade. Duas compras que em vários momentos foram contestadas (até por mim) e que cada um pode render o dobro: Bernabei e Carbonero. Um lateral e um ponta que agora jogam pelo meio atrás do centroavante. A gente cansou de ver treinador monotático. Vamos desfrutar de Paulo Pezzolano."
Lucas Mello, da Rádio Gaúcha, foi conciso e certeiro: "Que amasso do Inter! Isso é trabalho: Paulo Pezzolano. Entendeu as limitações do time e mudou a forma de jogar. Com o coletivo funcionando muito bem, individualidades sobressaem, como Bernabei, Carbonero e Alerrandro."
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