Reprodução / TV INTEREduardo Baptista reconheceu que o Internacional não teve uma atuação tecnicamente brilhante, mas valorizou a entrega da equipe na vitória por 1 a 0 sobre o Coritiba, conquistada com um gol de Alerrandro nos minutos finais, no Beira-Rio. Após a partida, o treinador destacou a mobilização da torcida, explicou suas escolhas na escalação e as mudanças táticas realizadas durante o confronto, além de projetar a sequência decisiva do Campeonato Brasileiro.
O técnico começou sua participação na coletiva agradecendo aos torcedores que compareceram ao estádio e ressaltou que a presença da torcida foi um dos temas de sua conversa com os jogadores antes da partida. Mais de 35 mil colorados acompanharam o confronto, e Baptista afirmou que o grupo precisava corresponder à confiança demonstrada nas arquibancadas.
“É impressionante o que a torcida colorada faz. Ela abraçou o time, e esse foi o tema da minha conversa antes do jogo. Nós vimos os ingressos sendo comprados. Eu falei para eles: ‘Os caras lá fora estão acreditando. Vocês fizeram isso, eles acreditaram e vieram’. E hoje foi até o fim. É o gol da esperança, é o gol da vida, de quem luta. Mesmo quando as coisas não acontecem tecnicamente, você nunca desiste”, declarou.
O treinador admitiu que o Inter começou a partida mais nervoso do que em compromissos anteriores. A equipe cometeu erros, teve dificuldades para encaixar a marcação alta e levou cerca de 20 minutos para se encontrar em campo. Segundo Baptista, os ajustes realizados ainda no primeiro tempo e reforçados no intervalo permitiram que o time crescesse na etapa final.
“Já tivemos partidas tecnicamente melhores, mas hoje foi na alma. Hoje nós demos tudo. Começamos um pouco mais nervosos do que estamos acostumados, errando algumas coisas e nos irritando um pouco com a pressão deles. Demoramos cerca de 20 minutos para entrar no jogo. No início, mesmo tentando adiantar a marcação, não estávamos conseguindo encontrar os adversários. Faltava sincronização”, explicou.
Apesar das dificuldades, o técnico lembrou que o Internacional já havia criado oportunidades importantes no primeiro tempo, incluindo chances com Mateus Bahia. Depois do intervalo, a equipe conseguiu ter mais posse de bola, pressionou o Coritiba e acumulou oportunidades, empurrando o adversário para trás.
Baptista avaliou que o confronto se transformou em uma disputa intensa pelo meio-campo, com os jogadores chegando ao limite físico. Para ele, a postura demonstrada pela equipe será fundamental na reta final do campeonato, embora o objetivo seja aliar essa entrega a um desempenho técnico melhor.
“Esse é o espírito para essa reta final. Se conseguirmos juntar esse espírito com um dia tecnicamente melhor, aí é o paraíso para nós. É o que queremos. Mas hoje estou muito feliz pela vitória para homenagear essas 35, 38 mil pessoas que vieram aqui”, afirmou.
Uma das escolhas do treinador foi a presença de Carbonero entre os titulares, enquanto Bernabei começou no banco. Baptista explicou que vinha conversando diariamente com o atacante e trabalhando para que ele entendesse as características exigidas pelo modelo de jogo. A decisão também levou em consideração a expectativa de enfrentar um Coritiba com linhas defensivas mais baixas.
“Eu entendi que, inicialmente, o Coritiba jogaria com uma linha defensiva um pouco mais baixa. O Bernabei é um jogador de espaço, e eu precisava de um driblador, de alguém para o individual, para o um contra um. Essa era a estratégia que procuramos adotar”, explicou.
O técnico acrescentou que Carbonero tem capacidade para flutuar por dentro e sustentar a bola entre as linhas, característica que considera importante para permitir as ultrapassagens dos companheiros. Na avaliação de Baptista, o colombiano respondeu bem à oportunidade, criou situações relevantes e mostrou que pode ser mais uma alternativa para a equipe.
O treinador também falou sobre o trabalho para manter a confiança do elenco depois das derrotas para Mirassol e Fluminense, intercaladas pela vitória sobre o Botafogo. Ele destacou que procurou valorizar os aspectos positivos de cada apresentação, sem permitir que os resultados negativos apagassem a evolução do grupo.
Ao comentar a partida contra o Mirassol, Baptista afirmou que o Inter fez uma atuação brilhante mesmo com um jogador a menos e precisou competir em condições desfavoráveis diante de um adversário agressivo. Sobre o confronto com o Fluminense, no Maracanã, avaliou que a equipe teve uma atuação madura e de qualidade, embora fatores externos tenham prejudicado o resultado.
O comandante também ressaltou a importância de recuperar jogadores e manter todos envolvidos. Segundo ele, atletas que não estão em condições de atuar continuam participando do ambiente do vestiário e demonstrando disposição para ajudar, algo que considera positivo para o momento do clube.
A participação de Juninho no lance que originou o pênalti decisivo foi outro ponto abordado. Baptista destacou que o jogador vinha recebendo confiança e ressaltou seu esforço durante a partida. O treinador também elogiou Alerrandro, que trabalhou para conquistar espaço e acabou marcando o gol da vitória.
“Eu falei para o Alerrandro que o gol dele viria no momento em que fosse mais necessário. E hoje aconteceu. Ele teve tranquilidade, como tem nos treinamentos”, comentou.
Baptista explicou ainda que a escolha por Mercado na equipe titular esteve relacionada à experiência e à liderança do zagueiro. O treinador lembrou que, para o jogo contra o Fluminense, não havia tido tempo suficiente para trabalhar uma nova ideia de escalação, mas que, diante de uma semana de preparação, considerou importante contar com um jogador que conhece bem o grupo e tem a confiança dos companheiros.
Sobre as substituições realizadas na etapa final, o técnico explicou que Mercado o alertou de que Bruno Gomes estava sofrendo com câimbras e não conseguiria continuar. Como já planejava fazer duas alterações, precisou reorganizar a equipe. A opção foi colocar dois centroavantes e adiantar Juninho, que também estava bastante desgastado pela intensidade de sua participação.
O treinador aproveitou para destacar a versatilidade de Bruno Gomes, a quem atribuiu grande inteligência tática. Segundo Baptista, o jogador pode atuar como terceiro zagueiro, volante ou lateral, permitindo que o Internacional alterne entre uma linha defensiva de cinco e outra de quatro jogadores. Ele também ressaltou a capacidade do atleta de avançar e participar das combinações ofensivas pelo lado direito, especialmente com Aguirre.
Baptista avaliou, porém, que o Inter poderia ter explorado melhor as triangulações que já haviam funcionado contra o Botafogo e no jogo no Rio de Janeiro. Para ele, essas combinações estão entre os principais caminhos para a equipe construir suas melhores oportunidades. O treinador afirmou que também trabalha Ronaldo nessa função, buscando ampliar as alternativas do elenco.
Outro assunto foi a condição de Alan Patrick, que não começou a partida. Baptista revelou que o meia demonstrou vontade de jogar e que a equipe médica, física e de desempenho trabalhou para tentar deixá-lo à disposição. No entanto, o jogador ainda sentia dores e insegurança no músculo utilizado para os chutes. Como havia risco de agravar o problema e provocar uma lesão mais longa, treinador e atleta concordaram que não era o momento de utilizá-lo.
O comandante destacou a importância de Alan Patrick como referência técnica e liderança em campo, especialmente pela capacidade de controlar o ritmo da partida, acelerar ou diminuir a velocidade das jogadas e organizar a equipe. Mesmo assim, considerou que Carbonero vinha de uma boa semana de treinamentos e poderia oferecer características adequadas ao confronto.
Com a vitória, o Internacional chegou ao terceiro triunfo em três partidas disputadas no Beira-Rio desde a chegada de Baptista. O treinador evitou comparar seu trabalho com o da comissão técnica anterior e afirmou que a intenção não foi promover mudanças radicais, mas aproveitar o que já existia e aumentar a competitividade do grupo.
“Não se trata de inventar coisas, mas de fazer o que já vinha sendo feito e ajustar. Eu sabia que não poderia chegar aqui e fazer mudanças enormes. Precisava aproveitar o que já existia e aumentar nossa competitividade, o número de duelos vencidos, saber onde atacar e onde encontrar os espaços para romper as linhas”, explicou.
O técnico também ressaltou que praticamente todo o elenco recebeu oportunidades nos seis jogos desde sua chegada, tanto nas partidas quanto nos treinamentos. Segundo ele, o objetivo foi fortalecer uma ideia de jogo e fazer com que os atletas acreditassem nela.
“Conseguimos ser sólidos, aguerridos, mesmo em um dia em que as coisas não aconteceram bem tecnicamente. O esforço nos fortalece muito. Tenho certeza de que esse é o DNA que acompanho no Internacional desde a minha juventude. É assim que os torcedores ficam felizes e nos apoiam até o último minuto. E então somos recompensados com um gol”, afirmou.
Para a sequência do Brasileirão, Baptista pediu que a equipe mantenha a força como mandante. Ele lembrou que o Inter ainda terá quatro partidas pela frente e considerou fundamental aproveitar os compromissos no Beira-Rio. O treinador projetou a possibilidade de conquistar mais duas vitórias em casa e reconheceu que o confronto fora de Porto Alegre, contra o Vasco, também será importante.
O período de 15 dias sem jogos será utilizado para trabalhar aspectos táticos, corrigir problemas e observar jogadores que tiveram menos oportunidades. Baptista afirmou que a equipe precisa seguir evoluindo e reforçou que o objetivo é buscar a vitória em todos os compromissos restantes.
“Temos três jogos aqui em casa e conseguimos um aproveitamento de 100%. Essa é a nossa fortaleza, é onde somos fortes. Precisamos continuar assim. Hoje, tecnicamente, talvez não tenhamos feito uma grande partida, mas não desistimos, lutamos e nos entregamos. É dessa maneira que vamos sair dessa situação”, concluiu.
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