Texto por Colaborador: A. Rother 16/08/2026 - 15:57

Vinte anos depois da conquista da primeira Libertadores da história do Inter, Bolívar ainda guarda lembranças marcantes daquela campanha. Bicampeão do torneio pelo clube, o ex-zagueiro conversou com o ge sobre o título de 2006 e recordou momentos que considera fundamentais para a conquista.

Para Bolívar, aquela Libertadores representou o início de uma sequência histórica para o Inter. O ex-defensor, que disputou todas as 14 partidas da campanha ao lado de Fabiano Eller, destaca a importância daquele grupo.

"Essa conquista abriu o caminho para tudo: para sermos campeões do mundo, ganharmos a Recopa e, depois, outra Libertadores. Por isso, ela tem um gostinho muito especial", afirmou em entrevista ao GE.

A relação entre o elenco e os torcedores também aparece entre as principais recordações. Durante a concentração para o segundo jogo da final, em Porto Alegre, os jogadores acompanharam a movimentação dos colorados nos arredores do Beira-Rio. Segundo Bolívar, a atmosfera criada antes da decisão foi inesquecível.

"Víamos pessoas acampadas para comprar ingresso. No dia do jogo, o pessoal passava esperando alguém aparecer na sacada. Foi a sensação de passar dentro de um mar vermelho. Se o torcedor pudesse pegar o ônibus no colo e levar até o vestiário, faria."

O ex-zagueiro considera que essa proximidade teve peso importante na trajetória do time. "Existia uma conexão muito grande entre torcida e equipe", resumiu.

Bolívar também recordou a preparação para a decisão contra o São Paulo. O Inter precisou adaptar sua formação para enfrentar o sistema utilizado pelo adversário, com Índio entrando ao lado dele e de Fabiano Eller. A estratégia definida por Abel Braga funcionou, na avaliação do ex-jogador.

"O Índio acabou entrando para jogar a final pelo fato de o Muricy Ramalho utilizar três zagueiros no São Paulo. O Abel queria espelhar o esquema tático deles. O Índio e o Eller tinham a característica de saídas pelo lado, e eu jogava como líbero, na sobra."

Para Bolívar, aquele trio defensivo ficou marcado na história colorada. "É difícil conversar em uma roda de amigos sobre aquela conquista e falar apenas do Bolívar sem citar o Eller e o Índio. Foi um trio que marcou época."

Outra lembrança envolve os minutos finais da decisão, quando o Inter precisou jogar com um homem a menos após a expulsão de Tinga. O ex-zagueiro conta que o grupo encarou o momento como uma oportunidade de retribuir a dedicação do companheiro.

"Um não carrega dez, dez carregam um. Aquele era o nosso momento de retribuição, de carregá-lo: 'Tinga, pode deixar, vamos nos desdobrar aqui e fazer esse esforço por você, que sempre nos ajudou'."

Duas décadas depois, Bolívar resume a conquista como um dos momentos mais importantes de sua carreira e da história do clube. "É um sonho realizado ser campeão da Libertadores por um elenco que será lembrado daqui a 50 ou 100 anos."

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