Texto por Colaborador: A. Rother 12/05/2026 - 04:00

O Conselho Deliberativo do Internacional aprovou as contas do exercício de 2025 na noite desta segunda-feira (11), em sessão realizada no Beira-Rio que teve início às 18h30 e se encerrou por volta das 21h40. Dos 247 conselheiros presentes, 111 (44,94%) votaram pela aprovação sem ressalvas — resultado que prevaleceu —, 72 (29,15%) pela aprovação com ressalvas e 64 (25,91%) pela rejeição.

Os principais números do balanço apresentam evolução. A receita bruta chegou a R$ 776 milhões, crescimento de 25% em relação a 2024. O clube registrou superávit de R$ 9 milhões e geração de caixa superior em R$ 50 milhões na comparação com o ano anterior. O endividamento nominal caiu de R$ 978 milhões para R$ 939 milhões, embora o passivo total permaneça em R$ 1,2 bilhão. O clube também demonstrou capacidade de arcar com os juros sem ampliar a dívida.

O diretor executivo de Finanças, Aldoir Pinzkoski Filho, apresentou o balanço ao plenário e contextualizou o cenário: "Não estamos diante de um cenário confortável, mas o Clube segue atuando na reorganização financeira e na busca de alternativas estruturais para o seu futuro. Os números demonstram uma evolução importante, com melhora operacional, redução nominal do endividamento, algo que não era visto historicamente, retomada de resultado positivo e aumento das receitas."

O principal ponto de ressalva apontado pelo Conselho Fiscal envolve a renegociação com a Futebol Forte União (antiga Liga Forte União). Em 2023, o Inter havia vendido 20% dos direitos de TV por 50 anos por R$ 218 milhões. No fim de 2024, o clube recomprou metade desses direitos por R$ 109 milhões e precisou registrar a reestruturação contratual no balanço de 2025. O Conselho Fiscal questionou o tratamento contábil dado à operação.

Para responder às críticas, Aldoir trouxe o posicionamento do professor e doutor Eduardo Flores, contratado pela Futebol Forte União junto ao Conselho Federal de Contabilidade: "A recompra caracteriza aquisição de ativo intangível, não sendo compatível seu reconhecimento imediato como despesa. Adquirir um ativo com capacidade de geração de receitas futuras não pode ser interpretado contabilmente como perda imediata. Além disso, toda a operação foi reconhecida pela contraparte, o investidor."

O presidente do Conselho Fiscal, Lorival Cardoso Magnus, leu o parecer do órgão, que recomendava aprovação com ressalvas justamente por conta da questão da FFU. Os auditores independentes, por sua vez, indicaram que as informações disponibilizadas estão adequadas nos aspectos patrimoniais e financeiros.

Após a apresentação, 12 conselheiros se inscreveram para se manifestar. O presidente Alessandro Barcellos reforçou as dificuldades do cenário competitivo e de endividamento do futebol brasileiro, reconheceu os avanços apresentados, mas deixou claro que os números positivos não reduzem a necessidade de ampliar receitas e reduzir custos. Barcellos defendeu o voto pela aprovação sem ressalvas.

Aprovadas as contas, a sessão avançou para a nomeação dos novos integrantes das Comissões Permanentes do clube, empossados pelo vice-presidente do Legislativo colorado, Keller Dorneles Clós.

Nos Assuntos Gerais, os conselheiros Marcelo Sonemann Gonçalves da Silva, Joselito Prestes e Marino Quadros da Rosa levaram ao púlpito questionamentos sobre o impacto que o movimento liderado pelo ídolo Tinga, voltado à arrecadação de recursos para melhorias no CT Parque Gigante, pode causar na estrutura destinada aos sócios do espaço. As dúvidas foram respondidas pelo presidente Alessandro Barcellos, que também atendeu às manifestações do conselheiro Ícaro Machado — sobre o regime de apresentação das finanças do clube, as tratativas em busca de um novo patrocinador máster e o potencial de investimento do Departamento de Futebol — e de Roberson Machado Soares, que questionou o impacto da implementação da biometria facial no público presente nos jogos do Beira-Rio. As atividades das comissões permanentes também foram abordadas e respondidas por Gustavo Juchem e Keller Dorneles Clós.

Encerrando os Assuntos Gerais, o conselheiro Raphael Pereira de Abreu justificou seu voto pela rejeição das contas e apresentou apontamentos para diferentes áreas do clube, sendo respondido por questão de ordem pelo conselheiro Cauê Vieira. Por fim, a conselheira Carla Maria Zitto anunciou, sob aplausos do plenário, a programação dos eventos comemorativos aos 50 anos da FECI, celebrados em 2026.

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