Texto por Colaborador: A. Rother 01/07/2026 - 01:03

Os clubes da Futebol Forte União (FFU) marcaram uma assembleia para o dia 9 de julho, em São Paulo, para discutir os rumos do bloco e questões de governança relacionadas ao acordo firmado com a Sports Media Entertainment (SME). O encontro acontece em um momento de crise crescente dentro da liga, impulsionado por uma medida preventiva do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que proibiu a SME de criar obstáculos à saída de clubes do grupo.

Na prática, parte dos dirigentes quer se livrar de cláusulas de um contrato que amarra a maioria dos clubes ao investidor por 50 anos em troca de percentuais dos direitos de transmissão e comerciais do Brasileirão. Na pauta da reunião também está um parecer jurídico solicitado por Cuiabá, Atlético-GO e Vila Nova, que aponta a necessidade de eliminar cláusulas que comprometem a autonomia dos clubes e os vinculam ao investidor por prazo excessivo.

Outro item relevante do encontro é a discussão sobre a criação de uma liga única em articulação com a CBF. Conforme documento obtido pelo UOL, os clubes pretendem deliberar sobre "a criação de uma comissão de negociação para discutir propostas e modelos com os clubes não-associados à FFU, com a Confederação Brasileira de Futebol e com todos os outros atores envolvidos". Mecanismos para uma gestão financeira mais eficiente e autônoma da FFU também devem ser debatidos — há reclamações generalizadas sobre uma suposta interferência excessiva da SME em decisões que caberiam exclusivamente aos clubes.

O cenário é de desgaste. O Operário-PR já anunciou que deixará a FFU. Goiás, Cruzeiro e Botafogo ameaçam seguir o mesmo caminho, e o Corinthians avisou que não pretende renovar o contrato de TV com o bloco ao fim do ciclo atual.

A crise ganhou ainda mais corpo em um fim de semana de cobranças e questionamentos de clubes da Série B diretamente à SME, conforme revelou o UOL a partir de e-mails aos quais teve acesso. A medida do Cade foi o estopim da mobilização dos dirigentes.

Em nota, a SME rebateu as críticas e classificou a decisão como preliminar: "A decisão a que ele se refere foi preliminar, proferida antes do fim do prazo para apresentação de informações, em processo de natureza meramente preparatória, que sequer comporta medidas preventivas. A SME buscará sua revisão pelos meios próprios, como lhe assegura a lei." O investidor ainda negou qualquer irregularidade e reafirmou "seu compromisso com a integridade, com a defesa da concorrência e com o desenvolvimento do futebol brasileiro."

A CBF, por sua vez, orienta os clubes a resolverem o impasse diretamente com a SME — mas acompanha o desenrolar da crise com interesse. Para a confederação, quanto mais desestabilizada ficar a FFU, maiores as chances de emplacar a liga única e assumir o controle da venda em bloco dos direitos de transmissão e comerciais do Brasileirão a partir de 2030.

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