Texto por Colaborador: A. Rother 24/09/2026 - 02:25

Eduardo Baptista não chega ao Internacional preso a um único modelo para montar suas equipes. Ao longo da carreira, o treinador utilizou diferentes sistemas e formas de organização, mas algumas características aparecem com frequência em seus trabalhos. Entre elas estão a utilização de três zagueiros, o trabalho com jogadas de bola parada e a busca por acelerar as transições para explorar espaços deixados pelos adversários.

Nas primeiras conversas com a direção colorada, Baptista indicou que pretende deixar o Internacional mais forte fisicamente. A proposta, porém, não significa abrir mão da experiência dos principais jogadores do elenco, como Mercado e Alan Patrick. Ao mesmo tempo, o treinador pretende aumentar a disputa por posições, com o gol entre os setores que podem receber atenção.

O período de preparação até a estreia será relativamente longo para uma mudança de comando durante a temporada. O Inter volta a campo apenas em 7 de outubro, contra o Corinthians, no Beira-Rio. Até lá, Baptista terá 14 dias para conhecer melhor o elenco, trabalhar a parte física e introduzir conceitos táticos.

A tendência é que os primeiros treinamentos sejam utilizados para avaliar as características do grupo antes da definição do sistema. A formação com três defensores, entretanto, aparece entre as alternativas. Paulo Pezzolano, antecessor de Baptista, também chegou a utilizar uma estrutura semelhante, com Bruno Gomes atuando como zagueiro.

A bola parada deverá ser outro ponto importante no trabalho. Baptista costuma dedicar parte dos treinamentos às cobranças ofensivas e defensivas, enquanto as transições rápidas aparecem como uma das ferramentas para acelerar as jogadas e encontrar espaços.

Por outro lado, há um detalhe que chama atenção nesse aspecto. Conforme informação de Vinícius Fernandes, da ESPN, um dos pontos fortes do trabalho de Eduardo Baptista é justamente a bola parada ofensiva. O auxiliar responsável por esse setor, porém, não acompanhou o treinador na mudança para o Internacional e permaneceu no Criciúma.

Histórico recente no Criciúma

Eduardo Baptista chega a Porto Alegre com a missão de evitar um novo rebaixamento do Internacional. O treinador, porém, deixou o Criciúma após uma sequência ruim no segundo turno da Série B.

No returno, o Tigre somou apenas oito pontos em dez partidas, com duas vitórias, dois empates e seis derrotas. Os triunfos aconteceram contra Goiás e Cuiabá. Com esse desempenho, o Criciúma tem a segunda pior campanha da competição no segundo turno, à frente apenas da Ponte Preta.

A sequência foi:

Criciúma 0x0 Náutico
Athletic 2x0 Criciúma
Criciúma 1x0 Goiás
Botafogo-SP 1x1 Criciúma
Criciúma 0x2 Fortaleza
CRB 2x1 Criciúma
Criciúma 2x0 Cuiabá
Criciúma 0x2 Juventude
Atlético-GO 4x0 Criciúma
Criciúma 0x2 Operário-PR

O desempenho fez o Criciúma despencar na classificação. A equipe chegou a liderar a Série B com quatro pontos de vantagem sobre o segundo colocado, mas caiu para a sexta posição e passou a correr risco de deixar o G-6.

Apesar da queda no segundo turno, a campanha geral do Criciúma ainda é positiva. O clube ocupa a sexta colocação, com 47 pontos em 29 partidas, somando 13 vitórias, oito empates e oito derrotas.

Na temporada, Eduardo Baptista comandou o Criciúma em 42 jogos, com 19 vitórias, 12 empates e 11 derrotas. A última partida foi a derrota por 2 a 0 para o Operário-PR, na terça-feira (22).

No recorte geral de sua passagem pelo clube, foram 75 jogos, com 35 vitórias, 20 empates e 20 derrotas. O aproveitamento foi de 55,6%, com 87 gols marcados e 73 sofridos. A equipe ficou 31 vezes sem sofrer gols, criou 120 grandes chances e cedeu 97. Foram necessárias, em média, 12,5 finalizações para marcar e 12,8 para sofrer um gol. A posse média foi de 52%.

Começos de trabalho de Eduardo Baptista

Os primeiros jogos dos trabalhos recentes de Eduardo Baptista apresentam números bastante diferentes entre si. Considerando os recortes apresentados, a média de aproveitamento é de 50,3%.

No Novorizontino, foram sete vitórias, um empate e duas derrotas nos dez primeiros jogos, com 22 pontos em 30 possíveis e 73,3% de aproveitamento.

No Mirassol, em 2022, foram cinco vitórias, quatro empates e uma derrota, somando 19 pontos e 63,3% de aproveitamento. Em 2021, pelo mesmo clube, foram cinco vitórias, três empates e duas derrotas, com 18 pontos e 60%.

No Remo, foram três vitórias, cinco empates e uma derrota, totalizando 14 pontos em 27 possíveis e 51,9% de aproveitamento.

No Criciúma, o início teve três vitórias, três empates e quatro derrotas, com 12 pontos em 30 e 40% de aproveitamento. No Juventude, foram duas vitórias, quatro empates e quatro derrotas, com 10 pontos e 33,3%.

O pior recorte apresentado é o do Atlético-GO, com uma vitória e cinco derrotas em seis jogos, totalizando três pontos em 18 possíveis e 16,7% de aproveitamento.

Números da carreira

Ao longo da carreira, Eduardo Baptista soma 593 partidas como treinador. São 249 vitórias, 146 empates e 198 derrotas, números equivalentes a 42%, 25% e 33%, respectivamente.

O sistema mais utilizado pelo técnico é o 4-2-3-1. Sua média na carreira é de 1,51 ponto por jogo.

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