Texto por Colaborador: A. Rother 11/10/2026 - 21:14

O Internacional deixou a Arena com a impressão de que poderia ter conquistado a vitória no Gre-Nal 455. Após o empate por 1 a 1, Eduardo Baptista avaliou que o Colorado teve superioridade na primeira etapa e, mesmo enfrentando dificuldades depois do intervalo, não sofreu grande pressão até ceder a igualdade em uma cobrança de bola parada.

O resultado impediu que o Inter alcançasse sua segunda vitória consecutiva sob o comando do treinador. Ainda assim, Baptista valorizou os quatro pontos conquistados em seis possíveis desde sua chegada, considerando o triunfo sobre o Corinthians e o empate no clássico. Além disso, o Colorado manteve o Grêmio, concorrente direto na luta contra o rebaixamento, atrás na classificação.

“ A gente vinha buscar a vitória. Se ela não acontecesse, o empate também seria um bom resultado. Você prende um adversário direto e também pontua. Fico frustrado por como ocorreu. O Inter produziu, jogou e marcou. O Grêmio pouco assustou o nosso gol no segundo tempo, muito pela entrega dos nossos atletas. Combatemos, e o jogo pedia isso. Sensação de dever cumprido. O ponto é importante. São dois jogos sob comando, são seis pontos disputados e quatro conquistados”, declarou o técnico.

Baptista também explicou por que a equipe perdeu força ofensiva durante o segundo tempo. Segundo ele, Alerrandro, que não vinha atuando regularmente, começou a demonstrar desgaste, enquanto o Grêmio avançava em busca do empate. A entrada de Carbonero teve como objetivo oferecer velocidade ao ataque colorado e explorar os espaços nas costas da defesa adversária.

“Alerrandro não jogava com frequência faz tempo. Nós começamos a perder força. Grêmio foi se lançando. Coloquei o Carbonero para ser um escape de velocidade. Tentei renovar as forças e buscar uma bola nas costas da defesa deles”, explicou.

O treinador também destacou a importância de recuperar jogadores e aprimorar o desempenho da equipe durante a semana de preparação para o próximo compromisso. O Inter enfrentará o Mirassol na sexta-feira, às 20h, no Maião, em mais um confronto direto na luta pela permanência na Série A.

“Temos uma semana até o jogo contra o Mirassol. Temos jogadores voltando e ganhando uma melhor condição física. Se o Alan Patrick não puder jogar, vamos buscar soluções”, afirmou.

A ausência do capitão no segundo tempo foi apontada por Baptista como um fator determinante para a mudança de cenário. Alan Patrick deixou o campo no intervalo devido a um problema na coxa esquerda, dando lugar a Bruno Henrique. Com isso, o Inter perdeu parte da capacidade de controlar a posse de bola e acionar os jogadores pelos lados do campo.

“Perdemos nosso articulador. Quando roubávamos, era pelo Alan que essa bola circulava. A gente passou a não ter mais isso, o Grêmio acabou nos empurrando. Não foi uma ordem nossa, muito pelo contrário. Perdemos um pouco a força com o Alerrandro e ficamos encurralados. Mesmo assim, sem a plástica do primeiro tempo, a gente pouco sofreu. O Grêmio praticamente não chutou a bola no nosso gol. Infelizmente, tomamos um gol de bola parada. Tivemos um primeiro tempo muito superior e igualamos as forças no segundo tempo”, analisou.

Sobre a condição física de Alan Patrick, o comandante colorado afirmou que ainda aguardava informações do departamento médico antes de estabelecer um diagnóstico mais preciso. Caso o camisa 10 não tenha condições de atuar contra o Mirassol, o treinador pretende avaliar as alternativas disponíveis ao longo da semana.

“Ainda não fui atualizado em nada. A gente vai aguardar um pouquinho o departamento médico e durante a semana pode ter uma afirmação mais concreta”, disse.

Baptista também trouxe atualizações sobre outros jogadores. Sanabria deve voltar a treinar com bola nesta semana, enquanto Thiago Maia atravessa um bom momento e representa uma liderança importante para o elenco. O técnico ainda relacionou o aumento da intensidade física da equipe ao desgaste sentido pelos atletas, citando as câimbras de Thiago Maia, que precisou ser substituído.

“Thiago Maia pediu pra sair com câimbras. É uma equipe que nós giramos a chave em um nível muito alto. Nós subimos o nível físico do time. São mais roubadas de bola e isso exige mais intensidade do time. É natural que os jogadores sintam mais desgaste”, comentou.

Outro ponto abordado foi o gol sofrido em bola parada. Depois de o Corinthians também marcar dessa maneira, o Inter voltou a apresentar problemas defensivos em uma jogada desse tipo. Para Baptista, porém, o lance contra o Grêmio foi consequência de uma falha coletiva de posicionamento e tomada de decisão, e não de uma deficiência individual do goleiro Anthoni.

“Não vi o gol do Grêmio ainda na TV. Na hora que estava 0x0, o Anthoni fez uma grande defesa. Goleiro, quando você opta por um, tem que dar tranquilidade pra ele. Acredito que o gol foi mais um erro coletivo do que individual”, afirmou.

O treinador reforçou que a solução passa por treinamento e repetição, com atenção especial ao posicionamento dos jogadores para atacar a bola nas cobranças.

“Hoje foi uma desatenção no posicionamento de atacar mais a bola. Acho que o ponto não é aumentar a altura, é trabalhar, repetir (…) para que a gente não sofra gols assim.”

Ao avaliar o trabalho desde sua chegada, Baptista destacou que utilizou os primeiros 15 dias para observar o grupo, definir uma equipe e recuperar a confiança dos jogadores, tanto no aspecto técnico quanto no mental. Apesar da frustração pelo empate, ele considerou que a atuação apresentou sinais positivos.

“Trabalhamos por 15 dias. Observei bastante. Defini uma equipe e estou trazendo confiança pra esse time. Parte técnica, mental. O jogo de hoje traz muita coisa positiva. Estávamos frustrados no vestiário por não ter ganho e isso é positivo”, declarou.

O técnico também ressaltou a dificuldade dos compromissos recentes e projetou uma semana de ajustes antes da próxima partida, que classificou como decisiva para os objetivos colorados.

“Passamos de dois jogos difíceis. Agora é momento de ajuste fino. Nós vamos tratar o jogo contra o Mirassol como uma final. Quero fazer um Inter cada vez mais forte nesta reta final”, afirmou.

A utilização de jogadores das categorias de base também foi tema da entrevista. Baptista lembrou que tem histórico de trabalhar com jovens, mas ponderou que a pressão vivida pelo Inter exige cuidado para que os atletas tenham condições de se desenvolver sem o peso excessivo de cometer erros em partidas decisivas.

“Tenho um histórico de uso da base. Já fizemos 3 trabalhos com o Sub-20. O momento do Inter é de muita pressão. Erro tem que ser zero. Os jovens têm que ter tranquilidade para poder errar. Mas os dois últimos jogos eram muito pesados”, explicou.

Sobre o clássico, o treinador ainda destacou a qualidade do adversário e a necessidade de neutralizar as jogadas pelos lados, especialmente os cruzamentos. Segundo ele, a equipe conseguiu ajustar seu posicionamento de acordo com as características do Grêmio.

“Enfrentamos um grande adversário fora de casa. E o Grêmio ficou longe do nosso gol. Sabíamos que precisávamos ter atenção nos cruzamentos. Ajustamos o time dentro do que poderia fazer”, avaliou.

Por fim, Baptista voltou a defender a importância de dar segurança a Anthoni, que fez uma defesa importante durante a partida. Para o comandante, a confiança no goleiro escolhido é fundamental para que ele possa desempenhar seu papel.

“O Anthoni fez uma defesa importante. (…) Quando você opta e dá oportunidade pra ele, ele é diferente de todas as outras posições. Você tem que dar tranquilidade pra ele.”

Com o empate, o Internacional chegou aos 32 pontos e permanece na 17ª colocação do Brasileirão, dentro da zona de rebaixamento. Agora, a equipe volta suas atenções para o duelo contra o Mirassol, na sexta-feira, às 20h, no Maião, em uma partida fundamental para a luta contra o descenso.

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