Reprodução TV InterO presidente Colorado MarceloMedeiros realizou na tarde desta segunda-feira a sua coletiva de imprensa de despedida do Inter. O dirigente que foi presidente desde 2017, avaliou a gestão e respondeu as perguntas dos jornalistas. A partir de janeiro, a cadeira passará a ser ocupada por Alessandro Barcellos. Confira como foi.
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TEXTO:
"Hoje nós encerramos esse ciclo de quatro anos em que estivem à frente do Inter. Nós nos unimos, trabalhamos e tornamos o Inter novamente protagonista em todas as competições que disputou. O clube seguia um caminho sólido, sério e responsável, então surge a pandemia. Um evento que atingiu em cheio o setor esportivo e nos obrigou a uma série de restrições e mudanças em todo o departamento".
"O esporte é feito de ciclos, e quis a vida que esse período de desafios viesse na minha passagem pela presidência. Eu acredito em missão e a minha missão foi cumprida, de entregar um clube maior e em melhores condições do que aquele que recebi. No âmbito financeiro, conseguimos reduzir as despesas e o passivo. O que nós entregamos não só reduziu despesas, mas criou uma estrutura de geração de receitas, que nos permite conquistar resultados também dentro de campo".
"Nós fortalecemos a formação de atletas de alto nível e conquistamos dois títulos importantes, o bicampeonato do Brasileirão de Aspirantes e a Copa São Paulo de Futebol Júnior"
"Encerro a minha fala reforçando que o nosso sentimento é de dever cumprido dentro do ciclo que vivenciamos. Vitórias e derrotas acontecem, mas temos a certeza de que honramos a paixão pela camisa colorada"
"Chegando ao fim desse ciclo, agradeço a confiança e o trabalho de cada um de vocês (funcionários do clube). Nesses quatro anos, tive ao meu lado homens e mulheres abnegados, corretos e que sempre pensaram no melhor para o Inter"
"Desejo do fundo do meu coração um excelente trabalho para o presidente Alessandro Barcellos. O sucesso dele será o sucesso do Internacional"
Sobre o que faltou na sua gestão: "Só faltou o título. O difícil é chegar à decisão. Nosso primeiro mandato também não ganhamos títulos e, depois daquela campanha de 2018, que surpreendeu a alguns, tivemos o respaldo dos nossos sócios e fomos reeleitos com 93% dos votos. Chegamos a uma final de regional, que perdemos nos pênaltis. E chegamos a uma final de Copa do Brasil, o que não ocorria há 10 anos"
"Primeira coisa que eu fiz foi saudar os vencedores. Na democracia, no voto, a gente ganha e a gente perde. Faz parte do ambiente democrático. E o Inter tem, como grande virtude, ter no ambiente democrático um de seus pilares. Mas democracia sem tolerância é uma falácia. Cumprimentei o Conselho de Gestão eleito, cada uma das chapas e pedi que cada uma pensasse um pouco no que podemos tirar de um ano em que as pessoas estão morrendo"
"Tivemos uma surpresa porque o treinador tomou outro rumo e aí virou tudo um desastre. O que é isso? Acho que o Internacional junto, inclusivo, é mais forte. Se tudo isso tiver combinado, é óbvio que o Inter pode muito mais. Teremos agora uma gestão de três anos, tem que deixá-los trabalhar. Vão assumir com uma competição em andamento. Vamos ter um pouco de paciência, de tolerância"
"Vamos deixar o Alessandro trabalhar e torcer para que tenha sucesso. O sucesso dele e do Conselho de Gestão fará a nossa felicidade"
Sobre permanência de Abel: "Ontem conversamos após a partida e ele falou o mesmo que disse após a partida. O Abel não é só um treinador que faz uma leitura tática, não é só o cara que tem o comando de grupo. Ele tem uma presença à beira do gramado que passa muita segurança aos seus comandados. Tivemos alguns jogos em que o resultado foi injusto. Acho que o time encaixa mesmo no segundo tempo contra o Atlético-MG lá em Belo Horizonte. Na minha modesta opinião, acho que contra o Boca e contra o Palmeiras foram as nossas melhores partidas. O Abel tem uma paixão pelo Internacional e uma relação transparente, de respeito, que hoje virou uma relação de amizade. Eu torço pelo bem do Inter, se for essa a decisão (de ficar), tenho confiança no trabalho do Abel Braga"
Sobre saída de Odair Hellmann: "Pode ser a minha última entrevista como presidente do Inter, mas ninguém vai me calar. Esse negócio do arrependimento não foi bem assim. Um colega de vocês me perguntou o que eu faria diferente em relação ao que eu tinha feito. Eu falei que não teria demitido o Papito. Mas foi uma coisa informal, casual. Inclusive, tenho uma relação muito boa, bacana, estreita, também de amizade com o Odair. Quando ele foi para os Emirados, falei com ele, desejei boa sorte"
Sobre saída de Eduardo Coudet: "Tu faz um contrato de dois anos, a pessoa se muda para Porto Alegre, vem de carro, aponta junto com o departamento de futebol e o centro de análises alguns nomes que gostaria de trazer e esses jogadores vieram. Aí duas semanas antes do jogo contra o Coritiba, em rede nacional, em um dos programas de maior audiência, Coudet encanta a todos, fala muito bem do clube, do nosso executivo e duas semanas depois diz que não tem mais cabeça para treinar o Inter. Tem certas coisas que não estão ao nosso alcance. Várias teorias surgem sobre a saída dele. Mas acho que ir para a Espanha seria uma entrada no futebol europeu. Mas o que estava ao nosso alcance, nós fizemos"
Sobre a autoestima do torcedor colorado: "Em 2013 e 2014, eu era vice eleito e vice de futebol. O Inter já vinha de um período vencedor e enquanto estive à frente do futebol disputamos 10 Gre-Nais, com cinco vitórias, quatro empates e uma derrota. Quando a gente assumiu o Inter, em 2017, a autoestima estava baixa. Acho que o resgate da autoestima colorada é uma realidade. Só não vê quem não quer".
Sobre situação financeira do clube: "Acho que a gente sempre pode melhorar, mas o Inter gastou do tamanho do Inter. Em 2019, o Inter teve o terceiro maior faturamento do país, à frente de Corinthians e São Paulo. Mas essa próxima gestão pode dar um contribuição nesse aspecto. Nesse ano, quando começou a pandemia, tivemos a redução de salários, desligamos alguns postos de trabalho e fizemos contratações pontuais. Mas o Inter deixa uma série de ativos, que são principalmente os jogadores formados na base e que em breve darão um retorno financeiro muito grande ao Internacional. Na nossa gestão também não tivemos um único real a título de luvas televisivas. Os clubes, no país inteiro, estão se preparando para enfrentar o novo ciclo da venda de direitos de distribuição, porque temos muitas novas plataformas e o clube também poderá ter uma receita diferente da que nós tivemos. Antes da pandemia fizemos a produção de superávit, mas em função da perda de receita com a pandemia, vai ficar para o ano que vem"
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