Reprodução / Serie A Antonio Sanabria fecha um capítulo de 13 anos no futebol europeu. Formado nas categorias de base do Barcelona, na La Masía, o atacante paraguaio deixa o continente com a marca de 346 partidas disputadas, 82 gols marcados e 20 assistências distribuídas ao longo da carreira. Pelo caminho, o centroavante já defendeu Barcelona B, Sporting de Gijón, Betis, Roma, Sassuolo, Genoa, Torino e Cremonese.
Agora, o paraguaio muda de rota: estendeu o vínculo com o clube italiano até 2029 e vai viver a primeira experiência profissional na América do Sul, desta vez com a camisa do Internacional, de Porto Alegre. O Olimpia também estava de olho no atacante e aguardava sua decisão, mas o jogador acabou optando pela proposta brasileira.
Para entender melhor o perfil do novo reforço colorado, vale recorrer a análises de quem acompanha o futebol europeu de perto.
O estilo de jogo do paraguaio
O estudante de jornalismo Lucas Goulart resumiu bem o tipo de referência que Sanabria representa: "O Inter com a chegada de Sanabria vai voltar a ter um atacante com a capacidade de segurar a bola de costas. Protege, sustenta o duelo e gera apoios. É um atacante que participa do jogo dando poucos toques na bola. Dentro da área, busca desmarques curtos em diagonal."
Já o jornalista Caio Alves, da ESPN, foi além e detalhou ponto a ponto o que esperar do centroavante em campo. Segundo ele, Sanabria é um atacante essencialmente de área, que toca pouco na bola e raramente recua para participar da construção — perfil que, segundo Alves, é justamente o que agrada o técnico Paulo Pezzolano para a posição. Tecnicamente, o jornalista avalia que o paraguaio está longe de ser um problema: sabe se associar, retém bem a posse e se posiciona com inteligência dentro da área. O problema, segundo ele, é a conversão: "não faz gols. E vive disso...".
Os números reforçam essa fragilidade. A temporada mais goleadora de Sanabria foi 2022/23, pelo Torino, com 12 gols em 36 jogos. No total, são 76 gols em toda a carreira, sendo apenas oito nas últimas três temporadas, em 89 partidas — uma média de 0,09 gol por jogo. É justamente esse padrão que ele precisará quebrar no Beira-Rio.
Por outro lado, Alves aponta dois pontos fortes no jogo do atacante: a função de pivô, na qual valoriza o time com o corpo e os poucos toques, e o jogo aéreo, em que costuma levar vantagem nas disputas — embora, segundo o jornalista, ainda erre no ajuste do corpo na hora de cabecear, o que reduz seu aproveitamento. Nas cobranças de pênalti, a avaliação é dura: o paraguaio perdeu as duas últimas cobranças e tende a bater sempre para o mesmo lado, o esquerdo baixo, sem variar a decisão. Sem a bola, no entanto, o jogador é descrito como participativo, com pressão constante sobre a saída de bola adversária.
Um ponto de atenção à parte é o histórico de lesões: são 24 departamentos médicos desde 2013, sendo duas só em 2026 e seis desde 2025 — o que, na visão de Alves, deve gerar desfalques frequentes ao longo da passagem pelo Inter. No balanço geral, o jornalista classificou o nível do reforço como "C+ para o contexto do Internacional", reconhecendo que ele eleva a qualidade técnica do setor ofensivo diante do momento do elenco, mas descartando a ideia de vê-lo brigando por artilharias.
O retrospecto goleador em perspectiva
Apesar das críticas recorrentes em cima da média de gols do paraguaio, vale colocar o número em contexto: ele não está tão distante assim da média de outros centroavantes que chegaram recentemente ao Rio Grande do Sul. Carlos Vinícius, hoje no comando de ataque do Grêmio, desembarcou na Arena com apenas cinco gols a mais que Sanabria em toda a sua passagem pelo futebol europeu — período que, vale destacar, incluiu ligas de menor expressão, como a portuguesa. Enquanto Antonio Sanabria soma 82 gols na carreira profissional, somando clubes e seleção, Carlos Vinícius tinha 87 gols quando desembarcou no Grêmio, praticamente na mesma idade em que o paraguaio chega ao Inter.