Texto por Colaborador: A. Rother 08/10/2026 - 03:30

Eduardo Baptista estreou com vitória no comando do Internacional e apontou a mudança de comportamento como um dos principais fatores para o triunfo por 2 a 1 sobre o Corinthians, nesta quarta-feira (7), no Beira-Rio, pela 29ª rodada do Brasileirão. Para o treinador, a qualidade técnica já existia no elenco, mas a situação do clube exigia uma postura mais competitiva dentro de campo.

Antes mesmo de falar sobre o trabalho realizado nos treinamentos, Baptista fez questão de destacar a participação da torcida colorada e revelou uma lembrança especial de sua chegada ao clube.

“Vou pedir licença para agradecer o torcedor. A energia criada pelo torcedor foi fundamental. E um beijo especial pra Dona Alice, funcionária mais antiga do clube. Ela me deu um abraço chorando quando cheguei. E aquilo foi muito forte pra mim”, afirmou.

Na avaliação do treinador, os primeiros dias de trabalho serviram principalmente para reforçar a necessidade de uma mudança de postura. Baptista ressaltou que a equipe precisava competir mais e duelar melhor pelas bolas, algo que considerou fundamental para superar o momento vivido pelo Inter.

“Trabalho. Trabalhamos a parte tática, tem atividades que promovem isso, a mudança de comportamento, além do nosso discurso. Passei exatamente isso para eles. Só vamos sair dessa situação se mudarmos o comportamento. Acho que fui atendido na plenitude. Nos primeiros treinamentos, eu já vi que íamos conseguir fazer isso. E aí só cabia ajustar a parte tática. Com a vitória, demos um passo importante”, explicou.

O técnico voltou a destacar que sempre enxergou qualidade no elenco colorado, mas considerou que somente o talento não seria suficiente para tirar o clube da situação atual.

“Eu conhecia o time do Inter. Vejo muita qualidade. Nas primeiras conversas, sempre ressaltei isso pra eles. Nós precisávamos de uma mudança de comportamento. Precisávamos duelar mais. Foi o jogo em que mais roubamos bola na Série A. O time tem qualidade, mas na situação que a gente está hoje, só a qualidade não vai resolver. Precisamos de mudança de comportamento”, afirmou.

A pressão alta foi uma das principais armas utilizadas pelo Inter no Beira-Rio. Baptista explicou que o lance que originou o primeiro gol foi trabalhado durante os treinamentos e destacou a importância de reconhecer o momento certo para aumentar a intensidade da marcação.

“O gatilho do gol, o momento do gol teve os encaixes, tem um ‘start’ do Mercado, subimos a pressão, continuamos roubando a bola. Trabalhamos essa bola durante todos esses dias”, disse.

O gol de Vitinho saiu antes mesmo de o primeiro minuto ser completado. Segundo Baptista, a jogada também fazia parte do que havia sido treinado durante a preparação para a partida.

“O gol do Vitinho é uma jogada treinada. Ele foi um jogador que foi muito útil para a equipe no primeiro tempo. No segundo tempo, precisei preencher mais o meio para tirar a liberdade do Corinthians, e ele me ajudou muito como ala”, explicou.

A escolha por Vitinho e Alerrandro também teve relação com a necessidade de manter agressividade na marcação e velocidade para atacar. Baptista reconheceu que o Corinthians teria momentos de domínio durante a partida, mas queria ter jogadores capazes de responder quando recuperassem a bola.

“Fatalmente, em algum momento do jogo, o Corinthians ia acabar nos empurrando para trás. E a opção pelo Vitinho, juntamente com o Alerrandro, é uma característica de uma agressividade na marcação e velocidade para chegar à frente”, afirmou.

O Inter abriu vantagem no primeiro minuto, ampliou com Alan Patrick na etapa final e sofreu o gol de André logo depois. Baptista reconheceu que a equipe perdeu intensidade depois de um início muito forte e precisou fazer ajustes durante o intervalo.

“Esse comportamento tem de ser mantido para os novos jogos. Enfrentamos uma equipe extremamente qualificada. A bola cola no pé deles. Eles criam volume de jogo. Fizemos 30 minutos muito bons. Depois baixamos um pouco e eles retomaram. Precisamos do intervalo para corrigir. Temos de manter essa pegada”, ressaltou.

O treinador também valorizou jogadores que tiveram participação importante na vitória e afirmou que não pretende abandonar nenhum atleta durante a sequência decisiva do campeonato.

“Não vou largar a mão de ninguém. Tive vários exemplos hoje. Alerrandro, taticamente, foi importante. Juninho e Ronaldo foram importantes. Precisamos agregar peças”, declarou.

Uma das primeiras decisões de Baptista no comando do Inter foi definir quem seria o goleiro. Depois de observar Cunha e Anthoni durante os 15 dias que teve para trabalhar, o treinador decidiu manter Anthoni no gol nos próximos dois compromissos, embora tenha deixado claro que a escolha ainda não é definitiva.

“Uma das minhas missões era definir os goleiros. Conhecia o Cunha e o Anthoni. Temos três bons goleiros. Eu tive 15 dias para decidir e observar os treinos. Tomei a decisão no domingo. Para esses dois jogos, hoje e domingo, a gente mantém o Anthoni no gol, mas ela não é definitiva”, explicou.

Mesmo com os três pontos, o Inter continua na zona de rebaixamento. A equipe chegou aos 31 pontos, assumiu a 17ª colocação e ultrapassou o Grêmio, justamente seu próximo adversário. A distância para deixar o Z-4 agora é de apenas um ponto.

Baptista, porém, evitou fazer projeções mais longas e prefere concentrar a atenção nos confrontos diretos que o Inter terá pela frente.

“Sinceramente, não parei para fazer muita conta. Hoje tinha que vencer e já temos dois confrontos diretos na sequência. Precisamos ir ganhando confiança e vencendo os jogos. Não tenho falado muito em projeção”, afirmou.

O Gre-Nal de domingo (11), portanto, já é tratado pelo treinador como mais uma decisão na luta contra o rebaixamento. Baptista lembrou que o clássico terá um peso diferente e afirmou que a equipe precisa manter a intensidade defensiva, mas também saber aproveitar os espaços para jogar.

“Falei para ele quando cheguei: temos duas finais. Uma já foi. Não estou fazendo muitas contas. Os resultados paralelos só são bons caso a gente faça nossa parte. É um Brasileirão muito difícil. Não tem nada decidido para ninguém”, disse.

“É um jogo importante. Mais uma final. Entendo que é um jogo diferente. E o jogo contra o principal rival já vai ligar o alerta deles. É bom que seja um jogo grande e importante”, acrescentou.

Para o clássico, Baptista quer um Inter capaz de repetir a postura apresentada contra o Corinthians, mas também com capacidade para controlar melhor os momentos da partida.

“É importante contra o Grêmio a gente marcar bem, mas também buscar jogar, buscar ter espaço. Eu falo para eles: a gente tem que saber a hora de pressionar alto”, afirmou.

A vitória sobre o Corinthians, portanto, representou apenas o primeiro passo para o novo treinador. Com nove partidas restantes no Brasileirão, Baptista pretende manter a mudança de comportamento, a intensidade defensiva e, a partir do ganho de confiança, fazer com que a qualidade técnica do elenco apareça cada vez mais.

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