Repdorução ESPNEm matéria da repórter Bibiana Bolson dos canais ESPN nesta terça-feira, o treinador colorado Eduardo Coudet concedeu uma entrevista falando à respeito do que tem achado da competitividade do futebol brasileiro, da qualidade dos treinadores locais e sobre a "montanha-russa" de emoções que se vive no clube após uma vitória ou derrota dentro da temporada. Confira os principais trechos.
TEXTO:
Sobre o trabalho no clube: "Estou muito contente com o que vem acontecendo. Com o que os jogadores vêm mostrando, que são as partes mais importantes desse jogo. Muito bom que falem deles e da equipe. É muito gratificante. Nos deixa melhores para seguir trabalhando, para seguir melhorando, melhorando uma ideia e uma preparação. A única coisa que conhecemos que dá resultado é o trabalho. Vejo um grupo convencido do que estamos fazendo, e isso seguramente ajuda muitíssimo.
Forma de jogar: "O que tentamos é que se jogue da mesma maneira que se treina. Então tentamos fazer isso no fim de semana quando jogamos pelos três pontos. Treinamos para ter uma dinâmica natural até a hora de jogar. Obviamente que a prática não é igual a um jogo, mas tentamos ficar mais próximos da realidade do jogo. É o que buscamos, depois tentamos levar o jogador ao seu melhor. Não apenas como jogador, mas como atleta. Tentamos reforçar como comer, como se cuidar, como treinar e melhorar a cada dia equilibrando dessa maneira as carências que possamos ter, que falamos anteriormente. Quanto ao número de jogadores no grupo e a quantidade de jogadores experientes dentro do grupo, temos muitos jovens, temos que tirar o melhor de cada um, e transmitir que cada cabeça esteja da melhor maneira. E competir. Essa é ideia."
Sobre seu amor por futebol e conhecimento da base: "Eu gosto muito de futebol! Tinha também um acordo com o clube para me mandar imagens para poder ver não só os jogadores do time principal, que eu já conhecia a maioria, mas também ter a possibilidade de ter imagens do sub-23, principalmente por estarem mais próximos do principal. Pedi para acompanhar jogos para ver características de jogadores que não tinha participado tanto do time principal. Nesse caso, Johnny, Zé Gabriel, Roberto e mesmo Fuchs, que não tinha participado muito. Jogadores que estavam no sub-23 que tinham tido mais minutos. Queria saber quais eram as características de jogo, o que poderiam oferecer, a partir daí trabalhar e apostar no crescimento deles."
Consulta a Sampaoli sobre o futebol brasileiro: "Sim, óbvio. Falei com o Jorge. Ele me disse que era um futebol que eu ia gostar muito, que era muito competitivo. Ele gosta muito desse futebol. Não me disse nada mais do que a verdade. É um futebol extraordinário, eu gostei muito. É muito competitivo, onde qualquer time pode vencer qualquer um. Estamos vivendo um tempo diferente. Sem torcida, equilibrou muito tudo. Acho que não somos os mais favorecidos com isso, porque nossa torcida é muito importante quando jogamos em casa. É algo que temos que nos acostumar. São duas coisas que sinto muita falta: as pessoas no Beira-Rio e minha família, que não veja há quatro meses."
As avaliações sempre exageradas no Brasil: "Aqui é como uma montanha-russa. Achava que a Argentina era o pior lugar nesse sentido, mas aqui (Porto Alegre) é muito instável estar em alta ou em baixa. Uma vitória ou uma derrota, tudo muito drástico, pelo menos aqui na cidade".
Sobre a pressão diaria: "Gosto dela (da pressão), gosto de ter que ganhar. Gosto de gerar isso, de passar aos jogadores que nada é impossível. Somos conscientes das limitações, precisamos ser. O mais importante é termos as vinte e poucas cabeças do elenco pensando em caminhar na mesma direção."
Os treinadores brasileiros: "O Brasil tem grandes treinadores. Não acho que (meu sucesso) tenha a ver com a nacionalidade. O Brasil é futebol que te faz crescer e que não te deixa dormir muito porque tem muitos jogos. Mal acaba um jogo e já tem que pensar no próximo adversário. Sempre temos que olhar e tentar 'roubar' alguma coisinha. Essa é minha intenção, sem maldade".
"Os treinadores brasileiros também têm boas propostas de jogo. Aqui em Porto Alegre tem o Renato Gaúcho, que vai muito bem. Sempre enfrentei equipes brasileiras em copas e sempre foi muito difícil, sempre com algo diferente: Roger Machado, Mano Menezes, Cuca".
Sobre o clássico Gre-Nal: "É importantíssimo. Tínhamos a intenção de mudar um monte de coisa. Desde a impor uma forma de jogar, de treinar, uma forma de viver o clássico. E toda a escrita do Gre-Nal, e não pudemos mudar. É uma dívida pendente que tenho. Sei que sou responsável. Essa sequência toda a favor do Grêmio que não pudemos encerrar. Às vezes, é difícil de encerrar com uma sequência nesses clássicos, porque justamente são sequências que se vão dando. Eu como treinador, no meu primeiro ano como treinador, joguei um Rosário Central, e o Central vinha de ganhar três, e ganhei quatro e depois cinco. É uma sequência que se dá normalmente como antes se deu com o Inter, anos atrás. Mas tem que quebrá-la. E vamos trabalhar para isso. É a partida que mais dói perder. Não é uma questão de que porque sou estrangeiro, que não sinto. Ao contrário, eu quero ganhar. Eu disse que a primeira coisa que fazemos é ver quando vamos nos enfrentar novamente. No 23 de setembro vamos, teremos uma nova história para escrever. Tenho uma coisa muito clara na cabeça, pode dizer que os clássicos são todos diferentes. Tem clássicos que têm mais repercussão, mas aqui se vive numa cidade dividida, lembra muito Rosário. Mas aqui tem a sorte que aqui tem outra cabeça, muito melhor, pode ter uma arquibancada com pessoas misturadas, das duas torcidas. Isso não aconteceria em Rosário. E num River x Boca menos ainda, num San Lorenzo x Racing também não, Racing x Independiente, isso é algo bom de se esperar. Mas todos os clássicos são diferentes, todos os clássicos têm um valor importante. E se tem algo com bons números, como você mesma disse anteriormente, podem nos cobrar. Mas estou seguro na minha cabeça, confio até a morte nesses jogadores, que vamos reverter essa história."
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