Ricardo Duarte/InternacionalRafael Borré completa nesta terça-feira dois meses sem balançar as redes. O último gol do colombiano foi em 21 de fevereiro, diante do Ypiranga, na semifinal do Gauchão. Desde então, são 11 jogos e 769 minutos em branco — embora o atacante tenha dado assistência para Alan Patrick no duelo do último domingo contra o Mirassol, que não evitou a derrota colorada em casa. A sequência atual já é a mais longa desde que vestiu a camisa alvirrubar pela primeira vez, em março de 2024.
O momento é de cobrança. O Inter ocupa a 14ª posição do Brasileirão com 13 pontos e tem o segundo pior ataque da competição, com apenas dez gols — à frente somente do Corinthians, que marcou oito. Em abril, os gaúchos marcaram apenas três gols em quatro jogos. O próprio Borré, mesmo sem marcar há dois meses, segue como artilheiro do time na temporada com seis gols. Alan Patrick aparece em segundo com cinco — um dado que escancarar a dificuldade coletiva de balançar as redes.
O cenário contrasta com o início de 2026, quando Borré arrancou em alta: em apenas três jogos no estadual, já havia feito metade dos gols de toda a temporada anterior. O desempenho, porém, não se repetiu no Brasileirão — e as cobranças cresceram.
Foi nesse ambiente de pressão que Anita Caicedo, companheira de Borré, usou os Stories do Instagram para fazer uma reflexão sobre análises que simplificam a crise de um time ao salário dos jogadores. Sem citar nomes, ela escreveu em espanhol:
"Quando a análise da crise de um time passa pelo salário (muitas vezes erradíssimo) dos jogadores, estamos errando como jornalistas na análise. O que acontece em campo muitas vezes é consequência de muitas coisas que estão erradas dentro de um clube."
"Opinar com a camisa gera essa distorção, pois como torcedores queremos que os jogadores sejam torcedores, quando na realidade são profissionais. Depois há uns que se sentem mais ou menos identificados..."
"Dito isso, aproveito para dizer que analisar um jogador em qualquer posição sem levar em conta o time que o acompanha é errar na análise. Pois o futebol é um esporte coletivo. Então apontar um como culpado de tudo é não entender que o sistema sim influencia, e não só no futebol, também no mental, no estado de ânimo e na disposição..."
"Para encerrar, não estou falando de nada pessoal, só queria dizer porque esta semana ouvi muito na Argentina em diferentes casos e queria falar..."
A publicação ganhou força justamente porque Borré está no centro das discussões sobre o ataque colorado tendo o maior salário do clube desde sua chegada.
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