Texto por Colaborador: A. Rother 20/06/2026 - 03:00

A confirmação do zagueiro Guillermo Maripán como reforço do Inter para a segunda metade da temporada traz consigo um desafio extracampo: equilibrar as finanças do clube. O defensor chileno assinou contrato até o fim de 2028 e terá um custo mensal próximo de R$ 1 milhão, somando salário e luvas — valor que vai pesar na folha salarial colorada, já que não está prevista nenhuma expansão no orçamento para o segundo semestre.

Para viabilizar a contratação sem comprometer o caixa, a diretoria deve recorrer à venda de atletas com vencimentos elevados. Dois nomes surgem como possíveis saídas do Beira-Rio: o atacante Rafael Borré e o goleiro Sergio Rochet. Ambos são vistos internamente como profissionais dedicados e comprometidos, mas o rendimento dentro de campo ainda não alcançou o patamar esperado desde suas chegadas ao clube.

No caso de Borré, o momento é de incerteza. O centroavante sonhava em disputar a Copa do Mundo pela Colômbia, mas ficou de fora da lista final e está acompanhando o torneio como espectador. Ele volta a treinar com o grupo colorado já na segunda-feira, data da reapresentação do elenco, mas seus empresários já trabalham nos bastidores em busca de novos destinos. O vínculo com o Inter vai até 2028, porém tudo indica que uma negociação pode acontecer antes mesmo do fim do contrato.

A própria diretoria já deixou claro que não pretende dar um voto de confiança prolongado ao atacante. Em entrevista ao jornalista Lucas Dias, no programa Debate Raiz, no YouTube, o presidente Alessandro Barcellos foi direto ao tratar do assunto. Questionado se o clube esperaria uma reação do colombiano após a pausa para o Mundial antes de decidir sobre uma possível venda — "Dá para esperar, por exemplo, o Borré, que foi um cara muito criticado no primeiro semestre, voltar após a parada da Copa do Mundo de outro jeito para definir se vai negociar ou não?" — Barcellos não deixou margem para dúvidas: "Não. Esperar ele voltar para jogar, para ver, não. Ele tem que voltar jogando. Se ficar no Inter; se não ficar, é porque tem proposta. Não tem essa avaliação, não tem mais espaço".

Na sequência da entrevista, o mandatário colorado citou outros casos do elenco que serviram de exemplo de reação após períodos de questionamento, lesões ou baixo rendimento — entre eles Alexandro Bernabei, que enfrentou críticas e depois se firmou como peça relevante, além de Alan Rodríguez e Thiago Maia, apontados como atletas com potencial de retornar em melhor forma e contribuir mais com a equipe.

Borré encerrou o primeiro semestre como artilheiro do Inter na temporada 2026, com nove gols marcados, mas viveu uma trajetória irregular, alternando boas atuações com longos jejus e partidas no banco de reservas. A concorrência com Alerrandro se intensificou ao longo do Brasileirão, período em que o colombiano também ficou de fora da lista final de convocados de seu país para o Mundial.

A situação de Rochet também desperta atenção. Atualmente nos Estados Unidos a serviço da seleção uruguaia, o goleiro começou o torneio no banco de reservas. Na estreia, marcada pelo empate em 1 a 1 com a Arábia Saudita sob o comando de Marcelo Bielsa, quem esteve em campo foi Fernando Muslera, alvo de críticas após uma falha na partida. Mesmo assim, a escalação para o duelo de domingo contra Cabo Verde segue indefinida.

Apesar do respeito que ambos carregam no vestiário e do reconhecimento pela entrega diária, Borré e Rochet aparecem como peças-chave no plano de reorganização financeira do Inter. Uma eventual saída de qualquer um dos dois — ou dos dois ao mesmo tempo — liberaria espaço na folha de pagamento, viabilizando o investimento em Maripán e abrindo caminho para novas movimentações do clube na janela de transferências.

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