Texto por Colaborador: A. Rother 18/07/2026 - 04:00

Segundo revelou o Correio do Povo, a diretoria do Inter já decidiu internamente que não vai recorrer à recuperação judicial como saída para a grave crise financeira do clube, mesmo sem se manifestar publicamente sobre o tema. A posição vai de encontro a uma das principais recomendações do relatório elaborado pela consultoria Alvarez & Marsal, revelado pelo próprio jornal no início desta semana.

Para o Conselho de Gestão, comandado pelo presidente Alessandro Barcellos, existem caminhos alternativos para reorganizar as finanças sem recorrer a esse instrumento jurídico. Os dirigentes também avaliam que um pedido de recuperação judicial poderia desgastar a imagem institucional do clube, com reflexos na forma como credores, investidores, patrocinadores e o mercado em geral enxergam o Inter.

O estudo da Alvarez & Marsal, contratado pelo próprio clube para desenhar um plano de reestruturação financeira, trata a recuperação judicial como uma das medidas necessárias diante do alto nível de endividamento colorado. O documento, porém, deixa claro que essa medida isolada não seria suficiente para reequilibrar as contas do Inter.

De acordo com a consultoria, o processo precisaria vir acompanhado de uma reforma estatutária abrangente — capaz de profissionalizar ainda mais a gestão e reduzir o peso de dirigentes políticos nas decisões administrativas — além de um aporte de capitalização em torno de R$ 200 milhões, destinado a fortalecer o caixa de imediato e destravar a recuperação financeira do clube.

Mesmo com a posição já definida pela diretoria, o relatório ainda precisa passar pelo Conselho Deliberativo. Até o fim deste mês, o documento deve ser apresentado em reunião específica, convocada justamente para debater as conclusões da consultoria. A partir dessa discussão, os conselheiros poderão sugerir recomendações à presidência, mas a palavra final sobre a adoção — ou não — das medidas seguirá sendo da administração liderada por Alessandro Barcellos.

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