Texto por Colaborador: A. Rother 29/05/2026 - 03:00

O presidente do Internacional, Alessandro Barcellos, e o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, se reuniram na tarde desta quinta-feira (28) para discutir avanços nas negociações sobre a regularização de áreas do clube utilizadas em obras de mobilidade urbana realizadas para a Copa do Mundo de 2014. Na época, a ampliação da Avenida Padre Cacique e a criação da Rua Fernandão — que contorna o Beira-Rio ligando a Padre Cacique à Edvaldo Pereira Paiva — avançaram sobre terrenos pertencentes ao Inter. Mais de uma década depois, escrituras, registros cartoriais e compensações ainda não foram formalmente regularizados. Na prática, vias públicas foram construídas sobre propriedade privada do clube.

Entenda a situação

O imbróglio tem mais de dez anos. Para que o entorno do Beira-Rio estivesse pronto para o Mundial, o Inter cedeu fatias de seu terreno para que as obras acontecessem a tempo — mas sem que as devidas compensações territoriais ou financeiras fossem formalizadas. Agora, clube e Prefeitura buscam resolver o passivo por meio de uma permuta de terrenos, evitando que o município precise desembolsar uma indenização milionária em dinheiro pela área cedida.

O que está em jogo

Do lado do Inter, o interesse está na regularização e posse definitiva de terrenos contíguos ao complexo do Beira-Rio — historicamente, áreas próximas à Padre Cacique, frequentemente usadas como estacionamento ou para instalação de circos, e também a segurança jurídica das áreas que tangenciam o Parque Gigante e a Orla do Guaíba.

Já a Prefeitura, além de se livrar do passivo jurídico com o clube, tem projetos de revitalização urbana e concessões para a Edvaldo Pereira Paiva e a Orla. Saber exatamente quem é dono de cada metro quadrado da região é essencial para os planos de expansão da cidade.

Próximos passos

O encontro desta quinta serve para alinhar os termos da permuta, equilibrando o valor da área cedida pelo Inter em 2014 com o valor dos terrenos que a Prefeitura vai entregar em contrapartida. Após o fechamento do acordo entre as partes, a proposta ainda deverá passar por trâmites legais formais e, muito provavelmente, por votação na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, por envolver patrimônio público municipal.

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