Texto por Colaborador: A. Rother 16/10/2026 - 02:00

O ex-presidente do Internacional Marcelo Medeiros fez críticas à gestão de Alessandro Barcellos ao avaliar a situação esportiva e financeira do clube. Em entrevista ao programa Show dos Esportes, da Rádio Gaúcha, na noite desta quinta-feira (15), o antigo dirigente apontou falhas no planejamento, considerou o elenco de 2026 inferior ao da temporada passada e defendeu que uma análise mais profunda da administração seja feita após o encerramento do Campeonato Brasileiro.

Medeiros, no entanto, pediu que o momento atual seja tratado com cautela, diante da luta colorada contra o rebaixamento. Para ele, a prioridade deve ser dar respaldo ao técnico Eduardo Baptista e aos jogadores nas rodadas restantes da competição.

“Nosso discurso deve ser de apoio à equipe técnica que chegou, de apoio aos jogadores que estão nesta situação, lutando para nos tirar dessa situação embaraçosa”, afirmou.

O ex-presidente entende que as avaliações sobre os seis anos de gestão de Barcellos devem ficar para depois do campeonato. Ainda assim, apontou problemas que, na sua visão, ajudam a explicar a campanha atual. “Na minha opinião, o nosso grupo deste ano é mais fraco que o do ano passado”, declarou.

Medeiros também chamou atenção para a ausência de um vice-presidente de futebol no Internacional. Embora reconheça que a presença de um dirigente nessa função não garante vitórias, considera que o cargo é importante para dar sustentação ao departamento e permitir que os profissionais desenvolvam seu trabalho.

Outro ponto abordado foi o impacto dos atrasos salariais sobre o ambiente do vestiário. O ex-dirigente avaliou que o problema vai além da questão financeira e pode afetar a confiança dos jogadores na administração.

“A melhor assinatura que você pode ter é pagar os salários em dia”, disse Medeiros, ao destacar que prometer um pagamento e não cumprir o prazo pode comprometer a relação com o grupo. Para ele, a dificuldade não é exclusiva do futebol, pois qualquer instituição sofre consequências quando deixa de cumprir suas obrigações.

Apesar das críticas, o ex-presidente não atribuiu a situação atual à falta de empenho dos atletas. Na avaliação dele, os jogadores demonstraram comprometimento, inclusive durante o trabalho de Paulo Pezzolano. Medeiros, porém, questionou a organização da equipe e as mudanças na forma de jogar ao longo da temporada.

**Medeiros aponta falta de aprendizado após temporada de 2025**

Ao comparar os dois últimos anos, o ex-presidente considerou que o Internacional não corrigiu problemas que já haviam aparecido em 2025. Entre os principais erros, citou contratações que considera questionáveis e a expectativa de que um nome de destaque consiga resolver sozinho as dificuldades da equipe.

“O grande erro foi não aprender a partir de 2025. Continuamos a ter contratações de jogadores questionáveis”, afirmou.

Medeiros ressaltou que o desempenho no futebol não depende apenas de estrelas, mas também de trabalho, convicção e cumprimento de compromissos. Para ele, o planejamento precisa ser consistente e não pode se apoiar na expectativa de que um único profissional resolva os problemas do clube.

O ex-presidente também recordou o período em que esteve à frente do Internacional, após o rebaixamento de 2016. Ele citou as dificuldades para reorganizar o elenco, lidar com a queda de receitas e recuperar a confiança dos torcedores. Naquele momento, segundo sua avaliação, o clube poderia perder cerca de R$ 180 milhões em receitas ao retornar à Série B no ano seguinte.

Medeiros destacou que o Inter conseguiu voltar à elite em 2017 e terminou o Brasileirão de 2018 na terceira colocação, com 69 pontos. Também lembrou a final da Copa do Brasil de 2019 e a disputa pelo título brasileiro em 2020, período em que, segundo ele, o clube conseguiu melhorar o desempenho esportivo enquanto trabalhava para controlar as contas.

Na avaliação do ex-presidente, a experiência anterior demonstra a importância de combinar planejamento financeiro, montagem de elenco e continuidade de trabalho. Ele também lembrou que o clube reduziu sua dívida naquele período e teve as contas de um exercício aprovadas por unanimidade e sem ressalvas, em 2019.

**Ex-presidente defende continuidade e critica ruptura na gestão**

Outro tema central da entrevista foi a transição entre administrações. Medeiros criticou o que chamou de discurso de ruptura e afirmou que uma nova gestão não deve descartar automaticamente tudo o que foi realizado pela anterior.

“O grande erro, na minha opinião — e essa é apenas uma opinião, não um fato —, foi o discurso de ruptura. Vamos fazer tudo de novo, reinventar a roda”, afirmou.

Para ilustrar seu argumento, o ex-presidente citou o trabalho realizado nas categorias de base durante sua administração. Ele lembrou o título da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2020 e afirmou que mudanças posteriores prejudicaram a continuidade daquele projeto.

Medeiros também destacou investimentos na estrutura do centro de treinamento, com ampliação das áreas de gramado e aproximação entre as equipes de base e o elenco profissional. Segundo ele, a integração permitia que jogadores jovens fossem observados de perto pelo treinador principal e recebessem oportunidades conforme as necessidades do time.

Como exemplo, recordou a ascensão de Caio Vidal ao profissional durante o período em que Abel Braga comandava a equipe. De acordo com o relato, a necessidade de um jogador de lado do campo levou à indicação do jovem, que passou a integrar o grupo principal.

Na visão de Medeiros, a formação de atletas é uma característica importante do Internacional e precisa ser tratada como um projeto de longo prazo, sem mudanças abruptas a cada troca de comando.

**Medeiros apoia Roberto Melo e fala sobre análise das contas**

Durante a entrevista, o ex-presidente confirmou seu apoio a Roberto Melo na disputa pela presidência do Internacional. Medeiros afirmou que o candidato conhece o funcionamento do futebol e tem capacidade para buscar recursos e escolher profissionais para o clube.

“Ele tem meu apoio, ele tem meu respaldo”, declarou. O dirigente também destacou a experiência de Melo no departamento de futebol durante sua gestão e afirmou que o conhece como profissional.

Questionado sobre a necessidade de investigar as contas da administração Barcellos após o fim do mandato, Medeiros considerou que a palavra “investigação” era forte e defendeu que os mecanismos internos de fiscalização sejam respeitados.

“O clube possui seus próprios mecanismos de fiscalização. Existe o Conselho Deliberativo, o Conselho Fiscal e a auditoria externa”, afirmou.

O ex-presidente acrescentou que a análise das contas deverá seguir os procedimentos institucionais, enquanto a prioridade imediata precisa ser a permanência do Internacional na Série A. Ele reforçou que o clube deve concentrar seus esforços no campo antes de aprofundar as avaliações administrativas.

Ao final, Medeiros voltou a destacar a importância do confronto com o Mirassol e da participação dos torcedores nos jogos decisivos. Para ele, conquistar pontos diante de adversários diretos é fundamental na reta final do Brasileirão.

A entrevista reuniu críticas ao planejamento da atual gestão, lembranças do processo de reconstrução após o rebaixamento de 2016 e a defesa de uma administração baseada em continuidade, organização financeira e valorização das categorias de base. Apesar das cobranças, Medeiros reiterou que, neste momento, o objetivo principal deve ser ajudar o Internacional a escapar da zona de rebaixamento.

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