Texto por Colaborador: A. Rother 07/08/2026 - 18:01

Depois de vencer o jogo de ida, no Beira-Rio, por 2 a 0, o Inter contou com um golaço de Bernabei para superar o Corinthians pelo agregado de 3 a 2, nesta quinta-feira (6), e avançar às quartas de final da Copa do Brasil. O resultado, construído mais na resistência do que no futebol propriamente dito, repercutiu forte entre colunistas gaúchos e nacionais.

Na cobertura gaúcha do GZH, o tom predominante foi de reconhecimento à estratégia. Nani Chamello destacou que Paulo Pezzolano "entendeu" o que precisava fazer em Itaquera, repetindo a postura fechada usada no Beira-Rio mesmo com a saída forçada de Villagra, substituído por Paulinho sem mexer no restante do time: "segurar lá atrás e tentar um escape na frente." Para a colunista, o mérito do Inter foi mental: mesmo sofrendo o primeiro gol, a equipe "voltou do intervalo um pouco melhor" e chegou ao empate em um lance de categoria — "baita passe do Alan Patrick e bucha de Bernabei". Depois de sofrer o segundo gol por uma falha coletiva, avaliou Chamello, "o Inter decidiu que o jogo tinha acabado", e resumiu o sentimento da campanha: "Classificação contra o atual campeão que dá moral para o time e torcida!"

Diogo Olivier foi na mesma linha, elogiando a "valentia e organização tática" de um Inter que teve apenas 35% de posse de bola, mas soube usar a única grande chance que criou. Para ele, o time "jogou rigorosamente por uma bola", enquanto o Corinthians "lançou 57 bolas na área" em uma estratégia que classificou de "balonismo" — resumindo o confronto como um "jogo pobre de ambos", mas com "triunfo da alma e do coração colorados".

Leonardo Oliveira resumiu o espírito da campanha em uma frase: "Copa não se joga, se luta." Para ele, o time "mostrou maturidade" ao administrar a pressão final do Corinthians — incluindo uma bola na trave de Matheuzinho — e "entregar ao seu torcedor um sorriso que havia muito tempo estava sumido". O colunista também destacou a capacidade de Pezzolano de tirar rendimento coletivo de um elenco com limitações técnicas: "muitos deles jogando tudo o que podem, um tudo que está longe de criar individualidades e constrói força coletiva."

Vaguinha resumiu o resultado como prova de que "a estratégia funcionou", com destaque para Pezzolano, Bernabei e Maripán. Na visão do colunista, "no confronto de 180 minutos, Paulo Pezzolano foi superior a Fernando Diniz", e o modelo de jogo do treinador talvez não renda no Brasileirão, mas em mata-mata, contra o atual campeão da competição, "deu resultado" — encerrando o texto com a frase: "Eu não quero saber quem pintou a zebra. Eu só quero onde está o resto da tinta."

Já na cobertura nacional do UOL, o destaque também foi para a resiliência do time gaúcho. Paulo Vinicius Coelho (PVC) repetiu como um mantra a ideia de que, mesmo sem jogar bem e sob pressão da torcida da Neo Química Arena — inclusive com uma bola na trave de Matheuzinho aos 40 minutos, que quase levou a decisão aos pênaltis —, "o Internacional resistiu". Para o colunista, o Corinthians "jogou melhor, finalizou doze vezes, cinco no alvo, uma na trave" e "podia levar o jogo para os pênaltis", mas não foi suficiente: o Inter volta às quartas depois de cinco anos, enquanto o time paulista deixa de disputar essa fase pela primeira vez desde 2022.

Do lado corintiano, a crítica foi dura. Casagrande classificou a atuação do Corinthians como uma sequência de cruzamentos sem criatividade — o que chamou de "chuveirinho na área" — e responsabilizou diretamente Fernando Diniz pela "pobreza tática" da equipe: "sem criatividade, sem lucidez, só bola alta." Segundo o comentarista, o próprio Pedro Raul "não ajeitou nenhuma bola, não fez pivô para ninguém", tendo participação apenas no gol, enquanto o Inter, na visão dele, "não jogou nada, mas deu um chute e fez um golaço com Bernabei" antes de "se defender e cabecear, cabecear, cabecear até o árbitro acabar o jogo".

Juca Kfouri narrou o jogo destacando a "timidez gaúcha" na etapa inicial — "como se estivesse num matadouro e não em um estádio seguro" —, mas reconheceu que a vantagem mínima já bastava para a classificação. Ele também apontou a insistência excessiva do Corinthians na bola aérea como o principal erro da equipe da casa, descrevendo os minutos finais como "catimba para lá, catimba para cá" até o apito final.

No programa Posse de Bola, do Canal UOL, Mauro Cezar citou o número de 55 cruzamentos como retrato da "desorganização" do Corinthians e chamou atenção para a ironia do lance que originou o gol decisivo: tudo começou com uma bola mal resolvida por Raniele, do próprio Corinthians, que a defesa do Inter aproveitou para sair jogando — Mercado subiu para cabecear à frente, e a jogada terminou com Alan Patrick armando a finalização de Bernabei, em uma construção pelo chão pouco característica das equipes comandadas por Diniz. Mauro também lembrou o retrospecto recente do Inter, citando as boas atuações contra o Flamengo e no jogo de ida contra o próprio Corinthians, e destacou o trabalho de Pezzolano e "a resiliência do time". Juca Kfouri concordou com a leitura, resumindo o erro do Corinthians em uma frase: "Achar que ia ganhar do Inter, ia fazer os dois gols de diferença, cruzando bola na área, cruzando bola... Não foi o suficiente."

Arnaldo Ribeiro apontou que a eliminação foi decidida ainda no jogo de ida, criticando uma substituição específica de Diniz em Porto Alegre. Para o comentarista, ao tirar André e colocar Lingard, o treinador cometeu um erro que abriu caminho para os dois gols sofridos naquela partida: "Quando ele perde o André, ele faz aquela alteração estapafúrdia com a entrada do Lingard e toma dois gols na sequência. Ali, com a interferência direta do técnico, o Corinthians começou a ser eliminado da competição."

Categorias

Ver todas categorias

Alan Patrick e Borré devem ser negociados?

Sim

Votar

Não

Votar

55 pessoas já votaram