Foto: Divulgação/CSKASegundo levantamento feito pelo Estadão via site do Transfermarkt, a janela correspondente ao atual verão europeu tem sido muito tímida, para a tristeza dos brasileiros. Ao todo, os times da Série A embolsaram em 2020 cerca de R$ 713 milhões com as transferências de 44 atletas rumo ao exterior nos três últimos meses. No ano passado, o dinheiro movimentado foi de R$ 945 milhões com as saídas de 76 jogadores, tudo, claro, devido ao impacto da pandemia de Covid-19. Entre junho e o início de setembro deste ano, as equipes nacionais embolsaram 25% menos com negociações do que conseguiram no mesmo período do ano passado.
O impacto disso nos times do Brasil é enorme. Um estudo recente feito pela consultoria E&Y mostrou que em 2019, os clubes brasileiros da Série A tiveram 27% das receitas dependentes exclusivamente do lucro feito com a saída de jogadores. Nos orçamentos dos times nacionais, somente as cotas de televisão correspondem uma fatia maior, correspondente a 38% dos recursos recebidos.
“O cenário é preocupante. O futebol brasileiro vive uma situação caótica na parte financeira. A possibilidade de receitas diminuiu drasticamente”, resumiu o diretor de futebol do Atlético-MG, Alexandre Mattos. Fora não conseguir vender atletas como era esperado, os clubes não têm receita de bilheteria porque precisam jogar com os portões fechados e passaram por perdas de patrocinadores.
Com experiência de 15 anos na profissão, Mattos disse que o principal problema da queda nas transferências é não concretizar vendas de atletas que geralmente estão pouco cotados. “A possibilidade de se vender algum titular sempre existe. Mas geralmente você precisa negociar jogadores pouco utilizados para se poder completar um projeto, atingir uma meta. Com a pandemia isso ficou inviável”, explicou.
Segundo um empresário do ramo, Giuliano Bertolucci, o volume de vendas do Brasil para o exterior só deve se normalizar daqui dois anos. “Os jogadores que se destacam nas competições já estão no radar dos grandes clubes, porém serão negócios pontuais para aquelas equipes com muita necessidade do atleta específico”, afirmou.
Em relação especificamente ao Inter, em 2019 a negociação de atletas envolveu 31% do orçamento colorado, atrás apenas da TV (35%).
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