Texto por Colaborador: Redação 09/03/2026 - 04:31

O esporte e sobretudo o futebol é uma guerra simbólica, um escape do cotidiano que propõe que tenhamos um espaço físico onde possamos, ludicamente, dispor instituições opostas em uma disputa com regras, bons costumes, respeito mútuo e certa amistosidade nas relações. O desafio não é simplesmente o de vencer, mas ter méritos para tal.

Com quase 90 títulos regionais decididos entre os titãs do RS, Inter e Grêmio, nada mais natural que sentir o sabor amargo da derrota. Embora triste, sabemos que nada — essencialmente importante em nossas vidas — de fato foi perdido. Se tivermos saúde e familiares aos quais amamos e protegemos, é plenamente suportável e até salutar lidar com essa face da existência.

Inúmeros GreNais saímos derrotados e admitimos a superioridade do próprio rival, sem nenhum dilema existencial. Em 2007, 2010 e 2006, por exemplo, caímos reconhecendo que não merecíamos nada mais do que o vice-campeonato. Certamente no Humaitá, o mesmo ocorreu nas finais de 2014, 2015 ou 2025. O que, entretanto, incomodou essencialmente neste ano específico? Os bastidores.

Após despender um esforço enorme para não garantir o octa tricolor, neste ano o SCI optou por praticamente abrir mão de qualquer disputa nos corredores da imprensa tradicional, FGF, arbitragem e narrativas. Talvez por escolha da nova direção — representada pelos nomes de Abel Braga e Fabinho — o presidente político colorado, Alessandro Barcellos, tenha se contido para intervir ou defender o clube. Erro crasso que se revelou e comprovou nas entrevistas após as duas finais.

Com dois cartolas sem qualquer experiência nas entranhas do futebol gaúcho, o Grêmio — representado por seu quase inescrupuloso dirigente — passou a criticar a arbitragem em jogos completamente corriqueiros, inclusive nos que vencia com erros favoráveis: a completa nudez e pequenez dos interesses mesquinhos estava representada, o chapéu nunca serviu tão bem. Com perguntas claramente pré-programadas por seus pares, a questão vinha à tona como um "desabafo".

Internamente, algo jamais visto em mais de décadas. A FGF representou todos os interesses do Grêmio, com uma escala de arbitragem quase que escolhida a dedo. Desde os nomes que favoreceram o clube em finais anteriores (como Bins) ou semifinais recentes. No jogo de ida, o apitador 'deixar o jogo correndo', no de volta, 'botamos o faltinhas a esmos'. O Inter assistia e se omitia aguardando o "pagar para ver". E pagou caro. O teatro estava armado há tempos. A direção do Grêmio dizia querer árbitros de fora, e o presidente da Federação Gremista de Futebol, demonstrando sua "incrível" imparcialidade, negava.

Depois de passar a final cobrando um lateral literalmente dentro do campo, o apitador no Beira-Rio teve a cara de pau de mandar voltar duas cobranças do Grêmio, ajudando a perder tempo e pausar ainda mais o jogo. Foi o completo deboche, escárnio! A FGF tratou literalmente toda a diretoria do Sport Club Internacional e seus torcedores como otários, imbecis e idiotas!

Como dito anteriormente, a questão não é simplesmente perder, porque isso já ocorreu dezenas de vezes, com os próprios colorados reconhecendo quando foram inferiorizados de maneira justa. Não mesmo.

Dito isso, embora Alessandro Barcellos tenha feito uma declaração forte sobre o campeonato em si, depois em sua coletiva praticamente reconheceu sua completa falta de brio e revolta para exigir qualquer ação da FGF. Simplesmente chegou a admitir que "nada, no fundo, poderia ser feito". Se alguém mereceu esta derrota — e mais um vexame em sua lamentável gestão — foi ele.

Sua bundamolice em defender o clube depois de tudo que passou nos últimos dois fins de semanas — antes, durante e depois — escancarou a necessidade de mudanças no rumo. O Campeonato Gaúcho sem o Internacional é como uma luta de boxe contra ninguém. Acreditamos representar a maioria dos colorados: ou o SCI exige a saída deste figurão conselheiro do Grêmio na FGF, ou o clube deveria simplesmente desmanchar qualquer competição armada pelo senhor Luciano Hocsman (e deixar isso CLARO PUBLICAMENTE), jogando todo o certame em Alvorada e com o time sub-17. Os estaduais já estão com os dias contados e seria o momento mais oportuno para isso, é agora ou nunca.

Não se trata de perder, mas de se exigir respeito e orgulho próprio. A final de 2026 passou todos os limites. 

EDITORIAL





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