Foto: Reprodução SporTVA morte do ex-segurança negro George Floyd, asfixiado por um policial branco nos Estados Unidos, gerou uma onda de manifestações pelo mundo e reacendeu com força o debate da presença do racismo na sociedade. Para tratar do tema, o goleiro Aranha participou do programa Troca de Passes, do SporTV, na última quinta-feira, e voltou a lamentar a forma como ocorreu o episódio racista em 2014 na Arena, em Porto Alegre, contra o Grêmio.
Ele era o goeiro titular do Santos quando ouviu sons de “macaco” (algo que os colorados escutam a décadas) vindo das arquibancadas e reclamou com a arbitragem, comandada naquela noite por Wilton Pereira Sampaio. O Santos venceu a partida de ida pela Copa do Brasil por 2×0 e não precisou do jogo da volta, já que, por conta do racismo, o STJD decidiu excluir o time gremista do torneio – a torcedora Patrícia Moreira, além de Eder Braga, Fernando Ascal e Rodrigo Rychter, foram acusados pelo caso.
Aranha alega que o clube gaúcho “não agiu como deveria” quando ele voltou a atuar na Arena, após esse episódio, defendendo outros times.
“Esse é um caso que foi para mídia (morte de George Floyd), filmaram, como meu caso na Arena do Grêmio. O problema são os casos que não são registrados. Para você ter ideia, no caso do Grêmio com toda a filmagem, com todas as provas, com tudo que foi falado, o Grêmio colocou uma câmera exclusiva para mim toda vez que eu voltava e me colocaram como agitador, como oportunista. Em nenhum momento o Grêmio agiu como deveria”, reclamou, antes de desabafar de forma mais abrangente:
“A parte dos xingamentos (racistas) é a mais fácil. Complicado é com aquilo que você não enxerga. A essência do futebol no Brasil é totalmente racista, os negros não podiam jogar. Como é uma coisa nova ainda, de 100 anos, tem muito diretor, netos de diretores daquele tempo. Muito figurão ainda no futebol que traz esse pensamento. O que aconteceu com o Barbosa (goleiro da Copa do Mundo de 1950)… Eles usaram aquele lance para descarregar o racismo nele, porque era negro e eles não queriam. Usaram aquilo e depois dele para todos, “goleiro negro não vinga, não serve”. No meu caso, passei a ser o encrenqueiro. Todo time que me contrata sabe que toda vez que acontecer alguma coisa eu vou ter que falar e estarei com a camisa do clube. Nem todo diretor está disposto a abraçar isso”.
Fonte: torcedores.com
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