Reprodução / PlacarO Grenal 445 marcará o início da decisão do Campeonato Gaúcho 2025 no próximo sábado, às 17h45, na Arena do Grêmio. Uma das principais atrações do clássico é Rafael Santos Borré. Recuperado de uma lesão na coxa, o atacante colombiano deve ser titular no Internacional, que sonha em quebrar um jejum estadual que dura desde 2016.
Em entrevista exclusiva à PLACAR, concedida no CT Parque Gigante, Borré revelou detalhes sobre sua carreira e expectativas no Beira-Rio. Aos 29 anos, ele destacou a influência de Marcelo Gallardo, seu ex-treinador no River Plate, na forma como passou a enxergar o futebol. Maior contratação colorada da última temporada, por 6,2 milhões de euros (R$ 33,2 milhões na época), o atacante quer retribuir dentro de campo e ajudar a recolocar o clube entre os protagonistas do futebol brasileiro.
“Primeiro quero ajudar a equipe a crescer, a dar um salto quanto a sua mentalidade e ao seu posicionamento dentro do futebol brasileiro. O Inter precisa se colocar entre os que lutam por títulos importantes. Temos que lutar pelo Brasileirão, por Copa do Brasil, por Libertadores, estar inseridos no âmbito internacional e brigando por coisas importantes. Mas primeiro precisamos ter essa mentalidade de recolocar o clube nesse lugar de protagonismo”, declarou.
### Recuperação e protagonismo
O Internacional encerrou o Brasileirão 2024 na quinta posição, tendo seu melhor momento após a chegada do técnico Roger Machado, em julho. Borré, por sua vez, se tornou peça-chave na reação da equipe, assumindo o papel de artilheiro da era Roger.
A campanha colorada parecia comprometida devido às enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, levando o time a treinar e jogar fora do estado. No entanto, a equipe mostrou força ao engatar uma série de 15 jogos sem derrotas. Agora, o colombiano quer mais.
"É o que eu quero e os meus companheiros pensam também. Ter essa ‘hambre’ (fome) de poder lutar por títulos importantes. Sabemos a dificuldade econômica que temos e que há clubes no Brasil com muita capacidade de investir em bons jogadores, mas creio que quando há essa vontade, essa fome como falam, e com um grupo forte mentalmente, com vontade de conseguir coisas, podemos conseguir coisas”, afirma.
### Sonho por títulos e impacto no Beira-Rio
A última taça conquistada pelo Inter foi a Recopa Gaúcha de 2017, e o Gauchão não vem desde 2016, enquanto o Grêmio empilhou sete conquistas consecutivas. O jejum nacional também incomoda: último Brasileirão em 1979, Copa do Brasil em 2004 e Libertadores em 2010. Borré quer mudar esse cenário.
"Minha chegada ao Inter teve muito a ver com o carinho dos torcedores e a vontade do clube em contar comigo. Agora, minha missão é retribuir e ajudar a equipe a voltar ao topo. Acredito que temos condições de brigar por títulos importantes nesta temporada", disse.
### Relação com Roger Machado e papel no time
Com a chegada de Roger Machado, Borré encontrou seu melhor futebol no Inter. O atacante elogia o treinador por sua capacidade de adaptação e leitura de jogo.
"Acredito que ambos (Roger e Coudet) têm uma ideia bastante parecida quanto ao jogo de uma forma geral. [A de Roger] é uma ideia muito similar a que Coudet já aplicava, ele não tentou mudar muitas coisas, mas buscou adaptar os jogadores que já tinha ao esquema que propôs. Sinto que o ponto forte de Roger é que conhece os jogadores e tenta se adaptar para encontrar a melhor forma de trabalhar com eles. Observo que é um treinador que sempre se preocupa muito em melhorar [a equipe] no dia a dia, mas também tem a capacidade de mudar situações, de encontrar soluções quando uma equipe rival propõe algo em um jogo. Ele sempre encontra uma forma de dar a volta por cima, de buscar uma maneira de mudar algo. Também noto que é um treinador que escuta muito os jogadores. Escuta aquilo que sentimos dentro de campo. O treinador tem uma ideia principal, mas depois vão acontecendo coisas dentro de campo se está dando certo, se não está dando certo (...) Agora temos mais liberdade para jogar e, de acordo com o que nos propõem os rivais, tentamos encontrar uma forma na qual provocamos muitos problemas para os adversários, que não conseguem acessar ao nosso plano de jogo tão facilmente. Eles precisam trocar [o esquema] dentro de campo, e isso gera dúvidas. Como se não conseguissem os encaixes por estarem incomodados. Tentamos buscar isso: ver que posicionamento fica melhor e, como disse, o Roger sempre nos dá a liberdade de encontrar essa condição dentro de campo".
### Sente que ainda precisa provar mais?
"Sim, a minha chegada, sempre digo, aconteceu muito pelos torcedores, pela disposição que tiveram em querer a minha vinda. Vivia um momento na carreira em que queria ter essa sensação de estar em um lugar em me quisessem e onde eu pudesse ajudar a um grupo. Esse ano encaro de outra forma, com outra mentalidade e disposição. Sinto que com tudo o que fizemos no ano passado ficou muito claro o que queríamos. Esse ano venho com essa vontade e personalidade de ajudar a equipe. Primeiro quero ajudar a equipe a crescer, a dar um salto quanto a sua mentalidade e ao seu posicionamento dentro do futebol brasileiro. O Inter precisa se colocar entre os que lutam por títulos importantes. Temos que lutar pelo Brasileirão, por Copa do Brasil, por Libertadores, estar inseridos no âmbito internacional e brigando por coisas importantes. Mas primeiro precisamos ter essa mentalidade de recolocar o clube nesse lugar de protagonismo para depois, pessoalmente, também ser um protagonista. Ser uma peça-chave para que a equipe conquiste seus objetivos."
### Primeiro ano de Inter e Brasil
"Foi um pouco atípico e até estranho por tantas coisas que aconteceram. Cheguei, obviamente, com enorme expectativa por estar em um time grande e com muita história, mas depois muitas coisas mudaram. Tínhamos outro treinador (Eduardo Coudet) e um time acostumado a jogar uma maneira, mas logo aconteceram as enchentes, algo que machucou muito ao Rio Grande do Sul. Nos custou bastante para recuperar. Ao clube, institucionalmente, e a nós jogadores, esportivamente. Houve uma pausa que não esparava durante o ano porque queria aproveitar todo o embaldo do Brasileirão para chegar bem na Copa América e acabamos perdendo muito tempo. Depois do período nos Estados Unidos, trocaram o treinador. Chega o Roger com uma ideia nova, novos modelos de jogo e, a partir daí, acredito nos acomodamos. Acho que o time pôde enfim começar a construir algo novo, trabalhar sobre essa forma de jogo e os resultados, claro, começaram a chegar. Pessoalmente também comecei a me sentir mais cômodo dentro de campo e com o tempo, e mais partidas, as coisas começaram a fluir um pouco mais dentro de campo."
### Parceria com Alan Patrick e impacto no Grenal
Um dos trunfos do Inter para a final é a conexão entre Borré e Alan Patrick. O colombiano rasgou elogios ao companheiro e destacou sua importância para o time.
"Alan é um jogador diferenciado. Assim como James Rodríguez é o nosso 'mágico' na Colômbia, ele é o do Inter. Tem uma visão de jogo especial e encontra espaços onde poucos enxergam. Nossa sintonia dentro de campo tem sido fundamental", comentou.
No próximo sábado, Borré reencontrará o Grêmio, rival que também demonstrou interesse em sua contratação no passado. Ele, no entanto, optou pelo Internacional e já deixou sua marca no clássico.
"Desde os tempos de River Plate, tive a chance de enfrentar o Grêmio e marcar gols. Chegar ao Inter e balançar as redes no meu primeiro Grenal foi especial. Agora quero repetir isso e, mais importante, ajudar o time a sair com a vitória", finalizou.
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