Texto por Colaborador: A. Rother 15/06/2026 - 01:05

Em Nova York, a CBF deu mais um passo concreto no projeto de criação de uma liga de futebol no Brasil. Na sexta-feira (12), dirigentes da entidade, presidentes de federações estaduais e representantes de clubes das Séries A e B do Brasileirão visitaram a sede da Major League Soccer (MLS), a liga nacional de futebol dos Estados Unidos. No dia seguinte, a programação seguiu com uma imersão na National Football League (NFL), uma das organizações esportivas mais lucrativas e reconhecidas do planeta.

A iniciativa dá sequência a um trabalho que começou em janeiro, quando uma delegação liderada pela CBF se reuniu com executivos da Premier League, da Bundesliga e de La Liga para estudar diferentes modelos de gestão no futebol europeu.

Na visita à MLS, os brasileiros foram recebidos por nomes como Nelson Rodriguez, vice-presidente executivo de Produto Esportivo e Competições, Chris Schlosser, vice-presidente de Plataformas Digitais e responsável pela parceria com a Apple, Pablo Zarate, vice-presidente de Propriedades Internacionais da MLS e da Soccer United Marketing (SUM), e Lorenzo de La Garza, gerente de Propriedades Internacionais. O grupo conheceu as estratégias que impulsionaram o crescimento da liga americana, especialmente na área comercial.

O presidente da CBF, Samir Xaud, reforçou o que orienta esse processo: "Estamos construindo um ambiente de diálogo permanente entre clubes, federações e CBF. Conhecer experiências bem-sucedidas, entender diferentes modelos de negócio e observar soluções adotadas por outras ligas é fundamental para se desenvolver um projeto sólido e adaptado à realidade do futebol brasileiro."

O vice-presidente da CBF, Gustavo Dias Henrique, foi na mesma linha ao destacar que a intenção não é importar receitas prontas: "Não estamos buscando simplesmente copiar modelos, mas ampliar o acesso a essas estratégias que funcionaram fora para trazer o que faça sentido para nossa experiência no Brasil e possa fortalecer o ecossistema do futebol nacional."

Para o diretor executivo da CBF, Helder Melillo, a passagem pela MLS ampliou o repertório de discussões sobre a futura liga: "Em janeiro estivemos com Bundesliga, Premier League e La Liga. Agora aproveitamos a realização da Copa do Mundo nos Estados Unidos para conhecer mais profundamente a MLS, uma liga que apresentou crescimento expressivo nos últimos anos, especialmente na área comercial. Foi uma oportunidade importante para compreender diferentes formas de organização, governança e exploração de propriedades comerciais e aprofundar as discussões que promovemos nas reuniões com estes clubes e federações para a criação da liga no Brasil."

Entre os participantes, o balanço foi positivo. Alessandro Barcellos, presidente do Internacional, destacou o que a MLS tem a ensinar: "Foi muito importante conhecer de perto o funcionamento de uma liga relativamente nova, em um mercado onde o futebol ainda disputa espaço com outras modalidades. A MLS apresenta uma organização comercial bastante agressiva e mecanismos que buscam o equilíbrio competitivo. Levamos daqui ideias e processos que certamente contribuirão para a caminhada que estamos construindo junto à CBF na formatação de uma liga única para o futebol brasileiro."

Hélio Cury, presidente da Federação Paranaense de Futebol, também avaliou bem a experiência: "A imersão promovida pela CBF foi extremamente positiva e produtiva. Tivemos contato com novas ideias, diferentes formas de organização e comercialização da indústria do futebol. Acima de tudo, ficou evidente que a união entre clubes, federações e CBF representa um caminho capaz de gerar benefícios para todo o futebol brasileiro."

Bruno Costa, chefe do Escritório Internacional da CBF, ressaltou o impacto institucional da agenda: "Foi uma oportunidade muito importante para aproximar os dirigentes brasileiros de uma das ligas que mais cresce no futebol mundial. O esporte americano é reconhecido globalmente pela excelência em gestão e essa conexão fortalece o relacionamento institucional, reduz distâncias e cria oportunidades para projetos que já estão sendo desenvolvidos em benefício do futebol brasileiro."

Já no sábado (13), as atenções se voltaram à NFL. A palestra principal foi conduzida por Jon Baker, vice-presidente sênior da liga americana e responsável pela área de Grandes Eventos e Jogos Internacionais. Foram abordados temas como a expansão global da NFL, que tem levado o futebol americano a diversos países, incluindo o Brasil, além de estratégias de relacionamento com torcedores, desenvolvimento de propriedades comerciais e organização de eventos de grande porte. A programação também contou com a participação do professor Vince Gennaro, da Universidade de Nova York (NYU), especialista em gestão esportiva e consultor de organizações esportivas internacionais.

Mauro Carmélio, presidente da Federação Cearense de Futebol, resumiu o espírito da imersão: "É um momento de muita importância para o futebol brasileiro. Tivemos uma segunda imersão, agora nos EUA, com a oportunidade de aprender, ter uma visão melhor no que é feito nos principais campeonatos do mundo. E não estamos falando apenas de futebol, mas do basquete, do futebol americano e de outros esportes. Agora é pegar esse conhecimento e aplicar no nosso futebol, pensando sempre no crescimento e fortalecimento dos clubes, federações e das competições."

Evandro Carvalho, presidente da Federação Pernambucana de Futebol, também celebrou os aprendizados: "Aprendemos e absorvemos os ensinamentos dos principais campeonatos nos Estados Unidos. E isso reverterá na progressão do futebol brasileiro. O foco está nos nossos campeonatos e como podemos crescer, propiciando ao torcedor grandes espetáculos e competições de alto nível dentro e fora de campo."

Xaud voltou a destacar o valor de olhar para além das fronteiras do futebol: "Este trabalho é para ouvir e aprender com organizações que alcançaram excelência em diferentes áreas. A NFL é uma referência mundial em gestão esportiva, construção de marca, geração de receitas. Ter acesso a esse conhecimento fortalece o debate que estamos promovendo entre clubes, federações e CBF sobre o futuro do futebol brasileiro."

Gustavo Dias Henrique reforçou que a variedade de experiências é justamente o que enriquece o processo: "Estamos tendo contato com diferentes modelos de organização esportiva, cada um com suas características. O mais importante é compreender os conceitos que deram certo em cada ambiente e avaliar o que pode contribuir para o fortalecimento do futebol brasileiro dentro das nossas particularidades."

Helder Melillo encerrou com uma avaliação que sintetiza o objetivo de toda a jornada: "Assim como aconteceu nas visitas à Premier League, Bundesliga, La Liga e MLS, a experiência com a NFL nos permite conhecer formas distintas de gestão e comercialização. Quanto maior for o repertório de informações e boas práticas à disposição dos clubes, federações e da CBF, mais qualificado será o processo de discussão sobre os próximos passos do futebol brasileiro."

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