Texto por Colaborador: A. Rother 24/08/2026 - 03:32

O Internacional, hoje, dia 24/8, está virtualmente rebaixado.

Que a incompetente e desastrosa gestão de Alessandro Barcellos é a grande responsável por isso, ninguém discorda. No entanto, precisamos ir além para colocar outros fatores que ajudam a explicar esta lamentável tendência, ainda no campo da hipótese.

Considerado por muitos comentaristas e torcedores como um “gênio” da casamata, o técnico Paulo Pezzolano costuma ter na limitação do elenco alvirrubro a grande defesa para o seu trabalho. Mas onde está, afinal, toda essa qualificação?

Porque, se seguir repetindo seus números e mantendo este padrão de comando, o Inter tende a cair.

É evidente que a ruindade do elenco não é uma exclusividade do Internacional. Ela também está presente em praticamente todos os times que ocupam a parte de baixo da tabela. No Inter, porém, a falta de qualidade virou uma espécie de guarda-chuva para proteger o treinador de uma análise mais profunda.

E assim se esquece que aproximadamente um terço dos jogos perdidos pode ser colocado na conta de estratégias equivocadas, e não simplesmente da falta de qualidade do elenco: Athletico, Bahia, Bragantino, Vitória, Cruzeiro, Mirassol, Coritiba, além do Gre-Nal na Arena.

Falar apenas do elenco é mais confortável. Evita chegar a essa análise.

Times ruins e limitados também vencem pela estratégia. Vencem quando conseguem explorar as deficiências do adversário, quando acertam na bola parada e quando fazem as mudanças certas nos momentos decisivos da partida. No Inter, a bola parada praticamente inexiste no Beira-Rio, somos apenas o 18° no quesito. E as substituições oportunas ou as mudanças de estratégia durante os jogos são raríssimas, geralmente substituídas por trocas sem sentido, confusas e pouco criativas — embora repletas de invencionice.

É justamente neste ponto que os trabalhos de Coritiba e Athletico-PR servem como exemplo.

O Coxa tem 34 pontos. Por acaso possui o oitavo melhor elenco do campeonato? (sua posição atual na tabela) Claro que não. O Athletico tem o terceiro melhor elenco? Também não.

Isso é trabalho. 

É tirar mais do que se tem. Fernando Seabra e Odair Hellmann ajustam suas estratégias de acordo com o perfil do plantel, potencializando seus pontos fortes e diminuindo os erros individuais e coletivos. E esse nunca parece ser o caso do Inter. Se o elenco é ruim, a equipe simplesmente permanece dentro de um padrão de mediocridade, sem entregar algo acima daquilo que seria esperado para que o trabalho pudesse ser considerado bom. 

O Coritiba está em oitavo porque tem trabalho, não porque possui um elenco melhor do que a maioria dos times que disputa o campeonato.

Esse é o ponto central.

O Inter já teve vários elencos ruins. Acredite, eu vivi a década de 90. E nunca fez uma campanha tão lamentável quanto esta, principalmente dentro de casa. 

Isso não elimina a falta de qualidade do elenco. Também não diminui o amadorismo da direção. Mas não enxergar que equipes com elencos inferiores estão conseguindo fazer mais é pulverizar a análise jogo a jogo para, generalizando no plantel, exluir as decisões do treinador.

Então Coritiba e Vitória estão fazendo mágica?

Não.

Estão trabalhando melhor.

Se o Inter não fizer alguma coisa, provavelmente estará rebaixado. Enquanto isso, o treinador é elogiado por alcançar a média do Remo.

E, nesse ritmo, o Internacional pode cair antes mesmo da 34ª rodada.

OBS: Justamente contra o Galo que poderia ter entrado o Alerrandro (para ficar somente no chuveirinho), ele pôs o Juninho. Contra o Remo, que o Alerrando jamais deveria ter entrado, ele colocou o jogador mais pesado pra correr e marcar. Duas promessas da base não estavam nem no banco por opção dele. Não defendo ainda a demissão do comandante charrua, mas a desconfiança na sua capacidade já está elevadíssima. 

Por Alan Rother

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