Texto por Colaborador: A. Rother 04/09/2026 - 00:19

A eliminação no Gre-Nal 454 deixou marcas profundas em Paulo Pezzolano. Após a derrota por 3 a 1 para o Grêmio, na Arena, que tirou o Inter da Copa do Brasil, o treinador classificou o resultado como “o golpe mais duro do ano”, mas deixou claro que não há espaço para lamentações. Agora, toda a atenção precisa estar voltada ao Campeonato Brasileiro, onde o Colorado enfrenta o Santos neste domingo, no Beira-Rio, precisando vencer para deixar a zona de rebaixamento.

“O sentimento é de merda. O golpe é duro, duríssimo, o mais duro do ano”, resumiu Pezzolano. Apesar da frustração pela eliminação, o treinador cobrou uma reação imediata do elenco. “O sentimento é ruim, não tem como evitá-lo. Mas temos que superar. Ninguém queria perder, mas aconteceu. Agora, vamos pensar 100% no Brasileirão. E isso é uma coisa positiva para a gente focar.”

Pezzolano também explicou a escolha tática para o Gre-Nal e justificou a decisão de não utilizar uma linha de cinco defensores. “Se eles jogam no 4-3-3, não podemos jogar em linha de cinco. No primeiro jogo, fizemos isso e perdemos o meio-campo. Se eles têm três no meio, não podemos colocar cinco atrás. É uma burrice.”

O treinador ainda defendeu alguns dos jogadores escolhidos para a partida. “Sanabria estava pegando ritmo. Thiago Maia ficou muito tempo machucado. Gostei da atuação dele contra o Bahia e gostei bastante hoje também. Carbonero e Vitinho também entraram bem. Me deram opções de banco”, afirmou.

Apesar da eliminação, Pezzolano avaliou que o Inter criou situações suficientes para ter outro resultado. “Sempre posso tirar coisas do time. Se você não ver o jogo de forma apaixonada, não vai ver o que jogamos hoje. São coisas incríveis. Chutamos, rebote… e não entra. Precisamos de resultado positivo. Domingo para nós é tudo.”

A necessidade de vencer o Santos foi repetida diversas vezes pelo treinador. Pezzolano reconheceu que a margem para novos tropeços está cada vez menor e tratou o próximo compromisso como fundamental para a recuperação colorada.

“O que acontece é que precisamos de resultados positivos. Precisamos ganhar domingo. O jogo contra o Santos é tudo para a gente”, destacou. Em outro momento, reforçou: “O próximo jogo temos que ganhar. Faz dez jogos que falo isso. Mas não tem outra coisa. Temos que ganhar do Santos.”

O técnico também assumiu a responsabilidade pelas constantes mudanças na equipe. Questionado sobre uma possível insatisfação dos jogadores, negou qualquer problema no vestiário e explicou que as alterações são uma tentativa de encontrar soluções diante da falta de resultados.

“Não tem insatisfação dos jogadores. Eles entendem as mudanças e que não há como jogar de uma forma apenas. Mas é culpa minha. Tenho que mexer, pois não estamos ganhando. Eu faço isso para buscar o melhor”, justificou.

Pezzolano também foi questionado sobre os problemas financeiros do Inter e os atrasos nos pagamentos aos jogadores. O treinador descartou que a situação esteja interferindo no desempenho da equipe.

“Não é desculpa. Não tem nada que ver. O time tem que estar concentrado e está. Dentro do vestiário, os jogadores estão juntos, trabalhando. Estão todos trabalhando. Não tem coisa estranha alguma. O que acontece é que não estamos dentro de campo. Essa é a realidade”, afirmou.

O comandante colorado voltou a defender a união do grupo e afirmou que os problemas externos não estão afetando o ambiente interno. “Mexer na cabeça, não, porque estão treinando bem. E não temos desculpa. Tem que ter cabeça 100% no próximo jogo. Obviamente podem pensar qualquer coisa para fora, podem falar muita coisa, mas é dentro do vestiário. Os jogadores estão juntos, trabalhando duro.”

Na avaliação de Pezzolano, o principal problema do Inter neste momento é simples: a equipe não está conseguindo vencer. “O que está acontecendo é que não estamos ganhando. E quando não ganha, parece tudo, taticamente, individualmente, coletivamente, por dinheiro, o que seja. Mas na realidade, não estamos ganhando dentro do campo. Essa é a única realidade, posso falar, de coração, não minto para ninguém. Estamos devendo resultado. Próximo jogo, tem que ganhar.”

Mesmo mantido no cargo, Pezzolano não poderá comandar o Inter à beira do gramado contra o Santos. O treinador terá de cumprir suspensão pelo terceiro cartão amarelo e acompanhará a partida das arquibancadas.

Em meio à pressão, o uruguaio admitiu que não está satisfeito com o próprio trabalho e reconheceu que as palavras já não são suficientes para convencer o torcedor.

“Não estou satisfeito com o meu trabalho. O trabalho pode ser bom, mas precisa de resultado. Não achava que seria tão difícil, mas está sendo e temos que enfrentar. Estamos dando a vida no dia a dia de trabalho, mas os resultados não estão vindo. Temos que continuar trabalhando.”

Na coletiva, Pezzolano foi ainda mais direto ao falar sobre a confiança da torcida. Para o treinador, não há motivos para o torcedor acreditar em seu trabalho enquanto os resultados não aparecerem.

“Não tem que acreditar. Eu tenho que demonstrar, tenho que ganhar jogos para que acreditem. É impossível acreditar em um treinador que não ganha. Tenho que ganhar o próximo jogo para que o torcedor comece a acreditar. Se você não ganha, o torcedor não acredita. As minhas palavras não servem para nada. É normal. Não gosto de falar, gosto de fazer. Então, esse é o momento de fazer ou não fazer nada”, concluiu.

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