Texto por Colaborador: A. Rother 09/09/2026 - 02:00

O Inter divulgou na terça-feira uma nota oficial em resposta à reportagem do Correio do Povo sobre o pedido de esclarecimentos encaminhado pelo Conselho Fiscal à diretoria no dia 20 de agosto. O documento do órgão questiona a utilização dos cartões corporativos e apresenta apontamentos sobre a situação financeira do clube. Na manifestação, a direção colorada rebate parte das informações publicadas, critica o vazamento do documento e afirma que não existe falta de transparência na utilização dos cartões.

O clube lamentou o vazamento do documento que serviu de base para a reportagem e garantiu que segue integralmente a política interna para utilização dos cartões corporativos. Segundo o Inter, as faturas completas dos três cartões são encaminhadas mensalmente ao Conselho Fiscal. Por isso, a direção entende que não há falta de transparência no processo e atribui os questionamentos a uma possível falta de entendimento sobre a natureza das despesas.

De acordo com a nota, 96,69% de todos os gastos realizados por meio dos cartões estão relacionados ao futebol profissional masculino. O clube cita despesas com hospedagem, alimentação e taxas de confederações e federações como os principais itens desse montante.

O Inter também detalhou os demais gastos. Segundo a direção, os pagamentos realizados pelo cartão sob responsabilidade da liderança executiva correspondem a serviços de mídia, softwares e assinaturas que exigem pagamento digital. Essas despesas representam 3,13% do total e, conforme o clube, não incluem nenhum gasto de ordem pessoal.

Já os valores vinculados à Presidência, que possuem uso restrito e regulamentado para situações de trabalho e representação, correspondem a apenas 0,18% do montante acumulado até agosto. O Inter afirma que isso representa um desembolso total de R$ 6.692,10 ao longo do ano.

A nota também rebate a informação de que o Conselho Fiscal teria recomendado a adoção de recuperação judicial. O clube afirma que essa recomendação não consta no documento e sustenta que o autor da reportagem teria sido induzido ao erro pelo responsável pelo vazamento. O Inter ainda afirma que o texto publicado posteriormente foi retificado.

Sobre o endividamento, a direção colorada também contestou a reportagem. Segundo o clube, o documento do Conselho Fiscal traz uma referência a um volume de dívida "significativamente inferior ao que é alardeado" nas redes sociais. Entretanto, o pedido encaminhado à gestão apresenta apenas o valor absoluto do endividamento ao final de maio, sem estabelecer qualquer comparação com números que estariam sendo divulgados nas redes sociais.

O Inter reconhece que o nível de endividamento é preocupante, mas afirma que a situação vem sendo enfrentada com medidas estruturantes que já são de conhecimento público. Na nota, o clube destaca ainda que o primeiro semestre registrou uma redução da dívida em comparação com o valor contabilizado ao final de 2025.

Apesar da manifestação, a direção não informou se já respondeu oficialmente aos questionamentos apresentados pelo Conselho Fiscal e que deram origem à reportagem. O prazo estabelecido para o envio das respostas terminou na última sexta-feira.

Ao final, o Inter voltou a lamentar o vazamento de documentos internos e afirmou que eles estariam sendo utilizados para levantar "infundadas suspeitas" sobre o clube. A direção também demonstrou preocupação com o uso da imprensa para, segundo sua avaliação, disseminar desinformação e pediu que o Conselho Deliberativo tome medidas para responsabilizar quem utilizar o clube para propagar notícias falsas.

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