Lucas Figueiredo/CBFA Liga do Futebol Brasileiro (Libra) - bloco de 18 clubes que negocia a criação de uma liga única com a Liga Forte Futebol do Brasil (LFF), que tem 26 clubes, dentre eles o Inter - divulgou na manhã desta terça-feira um documento oficializando seus critérios de divisão de receitas e, pela primeira vez, trazendo uma simulação de seu cálculo.
A apresentação inclui o que a Libra chama de "cláusula de estabilidade", cujo objetivo, de acordo com o documento, é resguardar "clubes que fazem maior concessão na formação da Liga (Flamengo e Corinthians)".
O documento é assinado pelo BTG Pactual e pela Codajas Sports Kapital, ambos parceiros na Libra na assessoria para os cálculos e busca do investidor, o Mubadala Capital, fundo ligado ao governo dos Emirados Árabes, que fez uma proposta de US$ 900 milhões por 20% dos direitos comerciais da futura liga por 50 anos.
Pelo que foi detalhado, haveria um período de transição até atingir o patamar de divisão de ganhos entre os clubes para 45% de maneira igualitária, 30% por performance e 25% por engajamento. Durante o período de transição - que começaria até as receitas dobrarem para um patamar de R$ 4 bilhões ou 5 anos - essa divisão seria de 40% igualitária aos times, 30% por performance e 30% por engajamento. Por fim, ainda existe uma cláusula de estabilidade que determina que, caso a receita, no período de transição fique abaixo do valor da temporada de 2022, Flamengo e Corinthians terão percentuais idênticos aos dos contratos atuais de transmissão, ainda que a quantia seja menor em valor absoluto. Se a receita ultrapassar a de 2022, os dois clubes terão garantidos no mínimo o mesmo valor que receberam no ano passado.
De acordo com os números que constam no documento apresentado nesta manhã pela Libra, após o período de transição, também explicado na apresentação, a diferença entre o que recebem o primeiro e o último colocados na divisão de receitas estaria obrigatoriamente abaixo do que cobra a LFF, 3.5 vezes.
A Libra afirma no texto que a regra de transição, um dos pontos de maior polêmica no momento, foi elaborada para não permitir que os clubes percam receita em relação ao modelo atual. O documento traz comparações mostrando como seriam os percentuais atuais, durante e após a transição.

A apresentação divulgada nesta terça inclui as explicações por partes, começando por um ponto que parece perto de acordo, mas por muitos meses foi motivo de discórdia: os números gerais do rateio de receitas. A LFF propôs um modelo no qual 45% da verba é dividida de forma igualitária, 30% de acordo com performance medida somente pela colocação no campeonato do respectivo ano, e 25% a ser distribuído de acordo com a audiência. Vale destacar que, no modelo vigente, 29,7% da verba é dividida de forma igualitária.
Após apresentar o seu modelo de divisão de receitas, a Libra fez uma simulação de quanto cada clube receberia dentro do que foi apresentado.
Nesse cenário, o Flamengo, clube de maior audiência no período, de uma receita total de R$ 4,25 bilhões para a liga, receberia R$ 398,2 milhões.
O ranking segue com Corinthians (R$ 354,8 milhões), São Paulo (R$ 305,1 mi), Palmeiras (R$ 294,6 mi) e o Fluminense (R$ 264,6 mi).
Na parte de baixo, estão Goiás, em 17°, com R$ 122,7 milhões, seguido por Coritiba (R$ 120,1 mi), Red Bull Bragantino (R$ 119,7 mi), e, por fim, o Cuiabá (R$ 119,1 mi).
Desta maneira, a diferença do primeiro (Flamengo) para o ultimo colocado (Cuiabá) no quesito arrecadação, seria de 3,34 vezes nessa simulação.
Esse, inclusive, é um dos pontos de discordância de Libra e Liga Forte Futebol (LFF). A LFF defende que a diferença entre quem tem a maior arrecadação com quem tem a menor seja de 3,5.
Clubes da Libra e da LFF já tiveram uma reunião entre clubes para conversar sobre um possível acordo. O encontro foi classificado pelas duas partes como amistoso. Ainda há discordâncias entre os dois lados sobre o modelo de divisão.
Via GE e MKT Esportivo13/06
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