Ricardo Duarte / InterO Inter não venceu mas convenceu? Esse pelo menos foi o tom de grande parte da mídia mesmo após o empate sem gols em Ijuí, pela 3° rodada do Gauchão. Ainda que com algumas peças claramente abaixo - como Cadorini e Caio Vidal- os especialistas viram mais pontos positivos do que negativos. Confira algumas das avaliações pós-jogo:
MARINHO SALDANHA (UOL)
Primeiro é preciso dizer que o Inter usou reservas, naturalmente teria menos entendimento tático, rendimento inferior ao principal. Mas enganou-se quem desconfiou de D'Alessandro. O meia de 40 anos sobrou em campo e foi, por muito, o melhor jogador do Inter. Dos pés dele saíram lançamentos, sequências de jogadas, passes para conclusão. Faltou o restante do pessoal ter a mesma velocidade de raciocínio.
Outro que foi bem foi o goleiro Keiller. Quando exigido, em cobranças de falta ou nos chutes de Ariel, que ganhou muitos duelos de Heitor pela direita defensiva do Inter, o goleiro sempre esteve lá. É bom goleiro, vem de boa temporada.
O problema de mecânica se deu principalmente pela falta de capacidade de acelerar o jogo de Rodrigo Lindoso. A transição ofensiva com ele fazendo a saída fica muito lenta e dá tempo para transição defensiva do rival. Os segundos que ele demora deram tempo para o São Luiz se fechar.
Tanto que, na coletiva, Medina falou sobre isso. Falou que faltou acelerar a criação de jogadas e que pela demora o adversário conseguiu fechar os espaços. O vértice da lentidão foi Lindoso. Johnny até tentou acelerar algumas vezes, principalmente no segundo tempo. Melhorou de uma atuação apagada na etapa inicial para uma bem aceitável na final.
Paulo Victor, como já falei e deu polêmica (no Twitter), teve uma atuação OK. Como eu disse, não acho que exista uma grande diferença entre ele e o Moisés. Cada um é melhor em algum aspecto. Ambos úteis, como disse Medina, e eu concordo.
Kaíque Rocha acertou e errou, o mesmo vale para Cadorini, são jogadores que é preciso ver mais. Gustavo Maia entrou só no segundo tempo, quando o jogo já tem outro contexto, as trocas alteraram o panorama. Também gostaria de ver mais.
Quem eu acho que já vimos o suficiente é Caio Vidal. Novamente ele cometeu falhas técnicas e não conseguiu dar a opção de velocidade que o time precisa. Acho que será sempre uma "opção de grupo". Tomara que eu esteja errado.
Por fim, minha maior decepção foi Mauricio. Um jogador que mira conquistar espaço de titular, com histórico tão positivo na base e tanta expectativa quando veio, mostrou muito pouco até agora. É um menino que a gente passa a maior parte do jogo sem notar que ele tá em campo.
Hoje, por sinal, era o jogo para o Mauricio mostrar que ele deve seguir no time, ameaçar o Boschilia, que já fez um bom jogo na temporada. Mas não aconteceu. O jogo de hoje só reforçou que o Boschilia deve seguir e o Mauricio não.
Sob ponto de vista coletivo, o compromisso mostrou que o entendimento está presente. A pressão mais alta na bola, o uso do pivô, os extremas por dentro, laterais na amplitude, tudo está ali. Precisa, claro, de tempo e insistência.
Foi um jogo pouco empolgante, é verdade, mas dentro do contexto da temporada, viagem longa e uso de reservas. Sem crise, nem opiniões definitivas.
MAURÍCIO SARAIVA (GE)
Keiller fez grandes defesas quando exigido, o Inter tem goleiro além de Daniel. Paulo Víctor fez ótima partida quando apoiava, marcar é um fundamento que um jovem como ele será capaz de aprender.
Cadorini colocou uma bola na trave, como todo centroavante não se basta, precisa ser alimentado. Acima do 0x0, porém, foi a cena histórica de uma das tantas despedidas de D’Alessandro.
Acarinhado inclusive pela torcida do São Luiz, o argentino jogou 85 minutos e depois fez uma espécie de volta olímpica aplaudindo e sendo aplaudido. O São Luiz é um time muito arrumado. Pode lutar por vaga de semifinalista.
FILIPE GAMBA (GZH)
Não foi um jogo exuberante do ponto de vista técnico mas mesmo com o empate os reservas do Inter deixaram uma boa impressão na escaldante noite de Ijuí.
Uma das principais reivindicações do torcedor é quanto a um melhor aproveitamento dos jogadores da base e ontem o time de Alexander Medina terminou a partida com sete jogadores formados no Beira-Rio, além dos jovens Kaique Rocha, Paulo Victor e Gustavo Maia. Uma esperança de que, talvez, a nova comissão técnica olhe com carinho para as jovens promessas.
E se esses garotos precisarem de inspiração, não há referência maior do que D'Alessandro.
LEONARDO OLIVEIRA (GZH)
Foi um empate sem gols e também sem lances empolgantes, pelo menos, serviu para Cacique Medina colocar a gurizada a jogar, dar rodagem a eles e um pouco de casca.
O São Luiz é, hoje, um dos times melhores equipados do Interior, está bem organizado pelo técnico Paulo Henrique Marques. O que significou um bom teste para a gurizada do Inter.
Medina levou para o noroeste do Estado um grupo de 19 jogadores, sendo que 12 deles eram sub-21. Mais, apenas cinco dos relacionados não haviam passado pela base do Inter.
A noite terminou com mais caras novas e um time com média de idade de 22 anos. Ou seja, se o resultado e a atuação ficaram longe de agradar a torcida no Estádio 19 de Outubro, ao menos serviram para que jovens jogadores ganhassem rodagem e dessem um passo à frente na busca por um lugar ao sol no Beira-Rio. Claro que qualquer análise mais criteriosa fica comprometida de fazer, e nem deve ser feita, mas muitos desses garotos podem ter começado no calor de Ijuí suas histórias no Inter.
LUCAS COLLAR (VOZES DO GIGANTE)
Empate injusto em Ijuí. Inter criou bastante, em especial, no 1º tempo para vencer. D’Alessandro, Paulo Victor e Keiller foram os melhores pra mim. Johnny melhorou quando saiu Lindoso.
Não gostei das atuações de Cadorini e Caio Vidal. Decisões equivocadas e não estavam em um grande dia tecnicamente. Lucas Ramos, Matheus Dias, Gustavo Maia e Nicolas entraram no final. Sem muita análise, mas legal ver eles em campo.
Principal busca do Medina segue sendo no meio. Time parece travando, com toques laterais e pouquíssimos verticais. Os melhores hoje saíram com, justamente, os que foram melhores em campo: Paulo Victor e D’Alessandro.
Paulo Victor tem muita qualidade técnica. Trata a bola diferente. Hoje foi bem na cobertura também. Tem tudo pra ser titular do Inter. Kaique também mostra boas valências, em que pese o gol que perdeu hoje.
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