Rafael Ribeiro / CBFA Liga do Futebol Brasileiro (LIBRA) decidiu na terça-feira (28), na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF), por um novo modelo de distribuição de receitas.
O formato de divisão proposto para os clubes do grupo que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro prevê o seguinte modelo:
45% do total das receitas será distribuído de forma igualitária
30% medidos pela performance
25% por engajamento (audiência ponderada)
De acordo com a assessoria de imprensa do grupo, que divulgou as informações por meio de nota, o resultado da aplicação deste modelo faz com que a diferença entre o 1 ao 20 colocado numa futura liga brasileira chegue a, no máximo, 3,4 vezes.
"Este patamar será atingido após um período de transição de cinco anos ou até que a futura Liga atinja R$ 4 bilhões de receitas (o que vier primeiro)", informou a LiBRA.
Também nesta quinta, a LIBRA formou um comitê para apresentar o modelo aos clubes que ainda não fazem parte do grupo. Equipes como Atlético e América integram o Liga Forte Futebol (LFF), que defende outro projeto para comercialização do campeonato nacional.
Agora, o que falta para a Libra e o Forte Futebol se juntarem e criarem uma liga unificada?
Conforme o colunista Leonardo Oliveira, a divisão de receitas votada pela Libra é a mesma adotada e defendida à morte pela FF. O teto para distância entre o que mais recebe e o que menos recebe, outra bandeira inegociável da FF, ficou até menor (0,1) com a Libra.
Porém, há pormenores. É aqui que ainda restam pontos divergentes. A Libra defende uma transição na forma de dividir as receitas. Pede que o 40%-30%-30% passe para 45%-30%-25% em um prazo de cinco anos ou se as receitas atingirem R$ 4 bilhões.
Mais um ponto não tratado pela Libra é quanto à garantia de um valor mínimo de PPV para os clubes. Hoje, em cenário de queda nas vendas de pacotes, alguns clubes de maior apelo, como Flamengo e Corinthians, têm valor garantido. A FF deseja que essa defesa caia.
Outro ponto a ser esclarecido é a medição do engajamento. A Libra fala em "audiência ponderada". A FF adota a "audiência média, ponderada pelo investimento de cada emissora de TV/serviço de streaming para definir um ranking de clubes". A palavra "média", ali, faz uma grande diferença.
Tanto a divisão das receitas por performance quanto as por engajamento obedecem, no caso da FF, uma escala pré-definida. Por exemplo: o campeão leva 8,9% da receita dessa fatia, o vice, 8,5%, o terceiro, 8,1% e assim por diante, até chegar ao último colocado, que fica com 1,1%. No caso de engajamento, o campeão leva 9,70%, o vice 9,21%, o terceiro, 8,71% e assim por diante, até chegar ao último, com 0,30%.
Um outro ponto divergente, e esse, sim, deverá demandar mais debate, é que a Libra destina 15% para os clubes da Série B, enquanto a FF defende 20%, sendo 18% para a Série B e 2% para a Série C, que não é mencionada pela Libra. Aqui, está uma discordância pela natureza dos dois movimentos. Dos 26 clubes do Forte Futebol, 13 são da Série B e quatro da Série C, contra nove da Série A. Na Libra, estão 11 da Série A e sete da Série B.
Atualmente, a LiBRA é composta por 18 clubes. São eles: Bahia, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio, Guarani, Ituano, Mirassol, Novorizontino, Palmeiras, Ponte Preta, Red Bull Bragantino, Sampaio Corrêa, Santos, São Paulo, Vasco e Vitória.
A Liga Forte Futebol, por sua vez, tem 26 integrantes. São eles: ABC, Athletico-PR, Atlético-MG, América-MG, Atlético-GO, Avaí, Brusque, Chapecoense, Coritiba, Ceará, Criciúma, CRB, CSA, Cuiabá, Figueirense, Fluminense, Fortaleza, Goiás, Internacional, Juventude, Londrina, Náutico, Operário, Sport, Tombense e Vila Nova.
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