Texto por Colaborador: A. Rother 06/05/2026 - 01:00

O Palmeiras anunciou nesta terça-feira (5) a saída formal da Libra. Em nota oficial, o clube alviverde não poupou críticas ao modelo atual do bloco e deixou no ar uma alfinetada direta ao Flamengo, cujo acordo individual com a Globo foi o estopim da decisão.

"É inegável que o bloco obteve conquistas, entre elas o acordo pelos direitos de TV. Ao longo desse processo, contudo, atitudes egoístas — quando não predatórias — inviabilizaram a coesão necessária para um modelo compartilhado de gestão e governança", escreveu o clube.

O acordo do Flamengo com a Libra, fechado também nesta terça, renderá ao clube carioca cerca de R$ 140 milhões adicionais até 2029 — o que representa aproximadamente R$ 30 milhões a mais por ano em relação ao contrato anterior com a Globo. Para o Palmeiras, a situação foi inaceitável.

Na nota, o alviverde lembrou que participa das discussões desde 2022, "convicto de que tal iniciativa representaria um avanço do futebol nacional", mas concluiu que a Libra "acabou por se distanciar de seus propósitos originais, consolidando-se como um grupo heterogêneo dedicado a tratar de interesses individuais".

A saída do Palmeiras não significa migração para o Futebol Forte União. O clube optou por acompanhar os próximos passos de uma possível liga estruturada no âmbito institucional da CBF. "Seguimos abertos ao diálogo e dispostos a contribuir por meio de medidas que possam efetivamente promover a evolução estrutural de que o futebol nacional necessita", encerrou a nota.

Como o conflito começou

A raiz da crise remonta às negociações de 2024, quando a Libra fechou com a Globo os direitos de transmissão do Brasileirão para o ciclo 2025-2029. O modelo aprovado previa divisão de receitas em três partes: 40% igualitário, 30% por desempenho e 30% por audiência.

A parcela de audiência virou o centro do impasse. O Flamengo contestou o anexo que define o cálculo, alegando falta de elementos técnicos para sua execução. Após tentativas frustradas de resolver o imbróglio internamente, o clube obteve uma liminar no Tribunal de Justiça do Rio que determinou o depósito em juízo de R$ 77,1 milhões — valor referente à sua fatia na primeira parcela do contrato.

A medida, porém, bloqueou o repasse aos demais integrantes da Libra, que hoje reúne Bragantino, São Paulo, Santos, Atlético-MG, Bahia, Grêmio e o próprio Flamengo. Foi essa sequência de eventos que, na visão do Palmeiras, escancarou os limites de um bloco que nunca conseguiu funcionar de forma verdadeiramente coletiva.

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