Texto por Colaborador: A. Rother 28/06/2026 - 01:00

Antes do confronto entre Brasil e Japão, em 25 de junho, pela primeira fase eliminatória da Copa do Mundo — válida nos dias 29 e 30 de junho no horário japonês —, Zico fez questão de compartilhar suas impressões sobre a partida. O ex-jogador lendário da seleção brasileira, que comandou o Japão entre 2002 e 2006, falou ao jornal local Tribuna do Norte em 27 de junho, com o coração dividido entre as duas nações.

"Vou torcer para o Brasil. Afinal, sou brasileiro", declarou o ícone de 73 anos. Mas logo completou: "Se o Japão ganhar, tudo bem também. Estou confiante de que será uma grande partida, porque a seleção japonesa joga um futebol de verdade."

Será o primeiro reencontro entre as duas seleções em uma Copa do Mundo desde a edição da Alemanha em 2006, justamente quando Zico era o técnico dos japoneses. "Claro que estou emocionado", disse ele, relembrando aquele período. Antes da partida, Zico teria dito aos onze titulares da seleção japonesa: "Escutem, antes do jogo, vamos cantar o hino nacional brasileiro, como aprendemos na escola. Mas, assim que a bola começar a rolar, serei um de vocês, japoneses." O brasileiro revelou que seguiu o exemplo de Didi, técnico que comandou o Peru contra o Brasil — seu próprio país — na Copa do Mundo de 1970.

Naquele duelo de 2006, a diferença de nível entre as seleções ficou evidente: o Brasil venceu por 4 a 1. Duas décadas depois, Zico vê um cenário completamente diferente. "O Japão agora está em um nível competitivo. Eles foram para a Europa, assim como os jogadores brasileiros e sul-americanos. 23 dos 26 membros registrados jogam na Europa e são, de fato, jogadores-chave em ligas como a Bundesliga, a Série A e a Premier League", afirmou. E completou: "Nos últimos anos, eles venceram o Brasil, a Alemanha, a Espanha e a Inglaterra. Estão totalmente preparados para qualquer desafio."

A evolução não é só técnica. Zico também destacou o amadurecimento mental da seleção japonesa: "Eles já sabem como jogar buscando resultados mesmo diante da adversidade." Para ilustrar, voltou àquele 2006: "Eles abriram o placar com 1 a 0, mas sofreram um gol pouco antes do intervalo. Agora, eles usariam sua experiência para manter a posse de bola e terminar o primeiro tempo dessa forma. Não era o caso naquela época."

Mesmo torcendo pelo Brasil, Zico deixou claro que suas expectativas para o desempenho japonês são grandes.

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