Reprodução / TV INTERPaulo Pezzolano chegou ao Beira-Rio em um dos momentos mais delicados da história recente do Inter. Depois do trauma da temporada de 2025 — marcada por um elenco mal ajustado, falta de identidade em campo e uma gestão desgastada junto à torcida —, o treinador uruguaio assumiu o desafio de reconstruir a equipe praticamente do zero, sem tempo de pré-temporada e sob forte pressão por resultados imediatos.
Seis meses depois, o balanço ainda divide opiniões. Houve avanços visíveis no Gauchão, com um time mais ofensivo e propositivo, mas também sequências de resultados que reacenderam o alarme entre os torcedores, incluindo o pior início de pontos corridos da história do clube. Entre a defesa organizada que nunca se sustentou e as trocas constantes de peças, o trabalho de Pezzolano segue sendo avaliado com cautela — e, muitas vezes, com opiniões bastante divergentes.
Para entender melhor esse momento, reunimos as análises de dois colunistas, que avaliam o desempenho do treinador sob diferentes ângulos e atribuem notas ao trabalho realizado até aqui.
Ariel R.:"Avaliando os primeiros seis meses do trabalho de Paulo Pezzolano no Inter, confesso que fico com opiniões mistas. Tivemos alguns bons momentos e outros muito ruins, que por vezes relembraram o desastre da temporada passada. Mas, olhando de forma mais racional, deixando um pouco as emoções de lado e tentando encontrar um meio-termo, acredito que o trabalho foi satisfatório, embora com algumas ressalvas. Esse talvez seja o melhor resumo do que vi do uruguaio até aqui.
Contextualizando, o treinador assumiu um dos piores Inter que já vi na vida: a equipe de 2025. Um elenco mal montado, um time desorganizado, sem padrão de jogo, sem espírito competitivo e com uma diretoria marcada por fracassos, sem qualquer reputação ou confiança da torcida. Diante desse cenário, já era esperado que o início fosse complicado, e realmente foi.
No Campeonato Gaúcho, Pezzolano conseguiu montar um Inter mais vistoso, organizado e com um padrão coletivo que foi surgindo aos poucos. A equipe passou a ser mais ofensiva e criava chances de gol com facilidade. Porém, quando começou o Brasileirão, nossas fragilidades ficaram ainda mais evidentes. Com uma dupla de zaga e um sistema defensivo extremamente frágeis, o treinador se viu obrigado a mudar a forma de jogar para buscar melhores resultados.
E aí apareceu, talvez, uma de suas principais virtudes: não ter medo de abrir mão de algumas convicções quando a situação exigia. Com uma equipe mais reativa e defensiva, vieram algumas boas atuações e os resultados começaram a aparecer.
No entanto, ainda estamos longe de viver um cenário tranquilo. Os números do treinador são de 28 vitórias, 13 empates e 7 derrotas. Além disso, a boa fase nunca conseguiu se sustentar por muito tempo, deixando o Inter constantemente próximo da zona de rebaixamento e atrás de elencos apenas medianos, como os de Coritiba e Vitória."
Nota até aqui: 6
Alan Rother: "Sendo bem honesto e direto, minha impressão desta primeira etapa da temporada não é que o trabalho é péssimo pelo contexto e pelo legado; no entanto, estou longe de estar satisfeito ou de ver com bons olhos a maioria das escolhas do comandante uruguaio.
Pezzolano pegou um Inter sem nenhuma exigência: o único que se pede é que tenhamos um time organizado defensivamente, competitivo e que consiga brigar para ter uma campanha superior à de rivais com elenco tão deficitário quanto Chapecoense, Mirassol, Remo, Vasco, Santos, Vitória ou Bragantino. Três fatores que ele não conseguiu entregar.
Vejo muitos elogios completamente descabidos, para mim, como "o Inter sem Pezzolano estaria no Z4" ou muito abaixo da tabela. Então, o que se quer dizer com isso é que o Inter "real" teria o mesmo nível de Chapecoense e Remo e ele conseguiu o feito de 38% de aproveitamento? Porque não tem como descer mais, já estamos no mínimo do mínimo e não temos time ou elenco inferior a todos estes citados anteriormente. Para piorar, temos a nosso favor o calendário mais benéfico entre todos os rivais diretos e não tiramos praticamente nenhuma vantagem disso. É algo alarmante.
Mas quais seriam as maiores dificuldades na questão da comissão técnica? Primeiramente, é a sua dificuldade e falta de experiência em armar equipes de trás para frente. Trouxemos um treinador ofensivo, que costuma se atirar mais do que se proteger, e ele está aprendendo a fazer isso. No Cruzeiro, morreu abraçado a estes conceitos. No Inter, tivemos o pior início da história dos pontos corridos por sua total falta de leitura e tato com o contexto. Vejam bem, para conseguir o PIOR início da história não é pouco. Se você analisa o plantel e vê que as principais carências são claramente defensivas, é preciso trabalhar nisso, o que ele não fez em quase todo o certame, tirando alguns momentos em que a corda batia no pescoço. Jogos como Vitória, Bragantino, GreNal na Arena no Gauchão, Coritiba, Mirassol, Bahia, Galo, Remo, Palmeiras e CAP: em todos esses jogos em que perdemos, a estratégia foi deixar a defesa descoberta e extremamente alta. Para surpresa de ninguém, mas talvez do técnico, o Inter perdeu quase 2/3 dos jogos da temporada tirando a 1° fase do Estadual. Um completo desastre.
Algo que me irrita também é a sua constância em ser inconstante. O treinador charrua adora mudar o time sem motivo aparente, trocando peças em excesso e atrapalhando a confiança de um elenco e ambiente já conturbados, além de atrasar o entrosamento e o conjunto dos setores. Isso sem nem ressaltar sua dificuldade em colocar jovens da base na Série A. Kayke somou minutos sem mostrar absolutamente nada desde que desembarcou, assim como Tabata, enquanto Allex R. ou João Victor chegaram sempre atrasados ou, no caso do último, nunca receberam chances.
O trabalho, portanto, na minha visão, é ruim — e não estou exigindo que vença o Palmeiras ou o Flamengo e dispute títulos —, avaliando contra times do mesmo naipe ou até inferiores. De favorável, vejo sua personalidade agregadora e combativa como primordial para qualquer treinador no Beira-Rio, mas, na parte conceitual do seu jogo, suas escolhas e algumas invenções estão custando uma campanha que poderia ser apenas medíocre e a tornaram péssima."
Nota até aqui: 4.5
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