Ricardo Duarte / InternacionalA estreia do Inter neste domingo marcará mais um Brasileiro na história colorada. Com três títulos conquistados em apenas 5 anos, o que se parecia fácil se tornou um grito entalado na garganta, com uma seca de mais de 40 anos assombrando inúmeras gerações vermelhas. Como chegamos para tentar o tão sonhado Tetra após o decepcionante fim visto na temporada passada? É isso que tentaremos responder! Confira o debate no bar virtual:
Ariel: "O campeonato Brasileiro é sempre muito duro e raramente tem uma partida fácil. O calendário maluco com excesso de jogos e competições, as lesões, as vendas e negociações, muita coisa pode mudar o panorama das equipes durante a competição.
Neste contexto, acredito que o Inter deva brigar por uma vaga na Copa Libertadores. Os favoritos são as equipes que vem se destacando nos últimos anos e possuem os elencos mais valiosos: casos de Flamengo, Palmeiras, Atlético Mineiro, e mais atrás, São Paulo, Grêmio e Inter num segundo escalão.
Acredito que quanto mais rápido o time Colorado se encontrar e se adaptar no esquema de Ramírez, escolhendo as peças certas no mercado e moldando o time ao modelo de jogo de controle de bola como idealiza o treinador, podemos ter um fator importante de destaque para o Inter na disputa de um torneio de longa duração com 38 rodadas, algo na qual não vimos no clube durante as últimas décadas quem sabe, com raras excessões.
O modelo de jogo na qual o Inter atuava se moldava nas últimas temporadas se baseava no "erro" do adversário, e era muito mais reativo do que propositivo, principalmente nos jogos londe do Gigante. Acredito, que quanto mais eficiente estivermos no controle de jogo e nas filosofias do MAR, teremos uma iniciativa e tentativa de conquistar uma vitória seja em casa ou fora, algo que raramente sequer buscavámos por muitas vezes, e com isso podemos estar mais próximos do grupo de cima na tabela não por acaso, mas sim por nossa própria ideia de jogo e boa execução.
No entanto, se não evoluirmos e a equipe manter algumas deficiências apresentadas nas últimas partidas, teremos um problema de confiança e clima negativo no vestiário que pode atrapalhar o ambiente do clube. Como tudo tem um ado positivo e negativo, a maneira de jogar sempre buscando a vitória também tem as suas falhas, e uma defesa expostas diante de zaguerios fracos tecnicamente, podem dificultar ainda mais.
Dentro de campo, a vinda de Taison pode ser o diferencial que faltou na temporada passada. Quem sabe como teria sido aquele Inter x Corinthians com Taison em campo?".
Israel: "Brasileiro é um campeonato longo e de regularidade, precisamos ajustar bastante a equipe para poder ter segurança de competitividade durante o torneio.
Vejo a chegada de Taison, possibilidade de Palacios pelo meio, e retornos de Patrick e Boschilia como acréscimos muito bons na equipe, mas faltam peças especialmente na defesa.
Ramirez precisará ajustar o time pra uma maneira que renda melhor com as peças que tem e não exatamente com a maneira que ele vê o futebol, pois no momento não temos as peças pra desenvolver todas propostas desejadas pelo treinador. Precisa usar os jogadores onde melhor rendem, como por exemplo colocar Palácios pelo meio e não fincando numa ponta
Precisamos ser competitivos ao extremo pra uma campanha a longo prazo, mas alguns jogadores que insistimos a anos, não tem este perfil, são acomodados. Espero termos uma boa arrancada inicial pra dar um ânimo nas ideias e fluir melhor o time. Pois pelos números da libertadores por exemplo, nota-se que criamos bastante, mas falhamos muito também no terço final, perdendo muitos gols. Desejo uma arrancada boa pra que tenhamos mais tranquilidade pra desenvolver a equipe durante o longo campeonato.
Alan: "Pensando de maneira analítica o Inter entra com chances de título mas sem nenhum favoritismo, tendo entre o 6 e 7 melhor elenco do Brasil, segundo a própria mídia especializada, que precisa de pelo menos 3 bons reforços. Isso deixa duas situações: o clube como um todo (incluindo o trabalho da comissão técnica) conseguirá evoluir esse elenco para posições mais altas? Os concorrentes teoricamente mais fortes abrirão brechas para essas equipes um pouco abaixo?
Em 2020 vimos esses dois pontos acontecerem. Os melhores elencos (Palmeiras, Fla e Galo) por motivos diversos não conseguiram traduzir esse potencial e abriram espaço para que o próprio SCI vislumbrasse uma chance de título. Quem me conhece pessoalmente sabe que defendo o conceito de que clubes do porte do Inter (intermediários em orçamento e elenco) precisam focar nos mata-matas antes de torneios de pontos corridos, e pra mim essa máxima se mantém pelo conceito observado em praticamente todos torneios de tiro longo.
Assim, entramos nesta Série A tendo por disputar 2 torneios em paralelo enquanto não temos elenco para tal. Como fazer? priorizar nas copas e focar na utilização do plantel da maneira mais correta, equilíbrio que não se mostra dos mais simples de se fazer. Em 2020 se olhássemos alguns jogos do Inter (como contra Goiás, Bahia, Coritiba, GreNais ainda com Chacho) e nos duelos contra Fluminense, Botafogo, Bragantino, Sport ou até mesmo Goiás (já sob a tutela de Abel) teríamos certeza de que não seríamos campeões, mas contando com a boa administração de ambos ex-treinadores o título só escapou por motivos escusos, justamente na reta final. Nenhum time "está" pronto mais vai se construindo no decorrer. Com uma competitividade elevada conseguimos engatar na competição justamente apenas quando saímos nos dois mata-matas (fator crucial para maximização do aspecto físico e mental, sem isso, Abel dificilmente teria alcançado um terceiro lugar), enquanto que quando estávamos nas 3 frentes o que se via era atuações inconsistentes, não muito diferente do que se percebe agora com MAR.
Portanto, prevejo um Inter com dificuldades na Série A enquanto tiver que lutar nas três frentes, com algumas dessas competições pagando o preço dessa exigência de "vencer tudo" sem a mínima condição de realidade da capacidade do plantel. O grande X da questão será ver se Miguel Ramirez conseguirá manter-se competitivo enquanto terá que escalar equipes muito descaracterizadas e que por sua filosofia, sempre se arriscam mais que o adversário. Se conseguirmos uma Libertadores já será de bom grado, tendo em vista que vivemos um ano de transição/implementação de uma nova filosofia."
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