Ricardo Duarte / InternacionalO Pitaco do Saci desta semana é tudo menos um colírio para os olhos. Nossa equipe - como todos vocês composta por apaixonados pelo Inter - assistiu incredulamente a virada venezuelana construída em menos de 15 minutos. Como explicar esse tropeço que pode complicar nossa classificação? É isso que tentamos, ao menos, responder.... Confira os pontos de vistas:
Ariel: "A exibição de ontem do Inter foi de indignar até o mais calmo dos colorados.
No contexto de um revés, me parece que existem vários tipos de "derrota". Quando enfrentamos uma equipe ou adversidades que parecem insuperáveis, por vezes até podemos aceitá-las e entendê-las, no entanto, quando nos vemos diante de um adversário que mostra todas as suas fraquezas, e diante disso, assistimos a um Inter despreparado, desconcentrado, desleixado e até certo ponto desligado do jogo, isto nos provoca esse sentimento de indignação. O Inter perdeu para ele mesmo. Pode ser uma análise completamente subjetiva, mas foi a imagem que me deixou.
O Inter perdeu a chance de encaminhar a sua classificação no grupo e ter um calendário mais suave nos dois próximos jogos. Mais uma vez, fora de casa, o time colorado foi lento e se desligando do jogo aos poucos, principalmente depois do 1 a 0. Cadê a tão comentada competitividade em jogo da Libertadores? Cadê aquele time mordendo e brigando por cada bola em um jogo de Copa?
Deixo de lado o lado tático e técnico, apesar do gramado ruim, da viagem... O Inter estava com o jogo na mão, mesmo sem fazer uma exibição de gala, mas estava fazendo um jogo aceitável do que necessitava a partida até abrir o placar. No entanto, após o gol e a entrada de alguns titulares, o time foi se desconectando e dando ainda mais coragem ao time local que foi crescendo vendo a falta de iniciativa do time vermelho, e merecidamente, foi o vencedor, sendo o time com mais "fome" pela vitória.
A derrota para ontem é dos jogadores. Sem concentração, sem respeito ao adversário e sem atitude competitiva, uma equipe já se complica sendo ela qual for. Este foi o lado mais lamentável do Inter na Venezuela, e espero que nunca mais se repita...
Do ponto de vista técnico, o SCI teve um nível aquém do necessário desde o começo. Erros de passes na saída de jogo quase nos complicaram no 1° tempo, e no segundo, a péssima postura defensiva desde o início da jogada até a tão famosa rebatida do Zé Gabriel (todo jogo ele faz alguma dessas) finalmente nos custou caro, aliás, é a sua segunda falha que custa um gol ao Inter fora de casa na Libertadores".
Israel: "O que mais me indigna é ver falta de vontade, falta de espírito de Libertadores, de querer competir e se entregar ao máximo em campo, é isso que vimos mais uma vez na Venezuela. Perder para um time melhor, ou até pior pode acontecer, mas desde que se veja de quem veste a camiseta do Inter o máximo de vontade, entrega em campo... infelizmente é algo que muitas vezes não vemos deste nosso grupo de jogadores, formado por uma significativa parcela de atletas fracos mentalmente, que só jogam quando querem (e muitas vezes não querem). Se percebe que a direção tem trabalhado para mudar algumas peças, mas também se nota que alguns tidos como titulares a anos (Lomba, Ze Gabriel, Marcos Guilherme), não acrescentam ao time.
Falando do treinador Miguel Angel Ramirez, só tenho duas questões: Porque Marcos Guilherme - que não acerta nada em nenhum jogo - ao invés de Caio Vidal e depois Peglow como opção, e porque colocar Rodrigo Lindoso ontem e nunca Jhonny?... no mais, os erros individuais cometidos pelos jogadores em campo, que foram o motivo da derrota, não passam pelo treinador. Se desejamos almejar, sonhar mais alto, precisaremos de elenco mais qualificado".
Alan: "Que bom que estou comentando sobre esse jogo um dia depois de finalizado. Menos irritado mas ainda não incomodado com a partida, o que se viu na Venezuela foi uma equipe ainda em formação que comete erros coletivos e individuais, alguns passando pelas mãos do treinador e outras nem tanto.
Não costumo ser daqueles que apelam aos exageros como "jogar na Venezuela tem que ser 5 a 0", ou esse time não jogaria nem no Gauchão, com a clássica arrogância de que nosso senso comum transparece mas pouco traz de informação (geralmente os comunicadores que afirmam isso não assistem nenhuma partida de qualquer liga sul-americana, mas atiram no escuro cientes de que no outro lado ocorre o mesmo). As estatísticas mostram que jogar fora de casa na Libertadores - e veja bem, independente do país - sempre é bastante complicado, seja qual for o adversário. A competitividade e alguns fatores externos tornam esses jogos traiçoeiros e exigem da equipe que irá duelar nestes confrontos entre outros aspectos inteligência e competitivadade integral, dois elementos básicos que não tivemos.
Desde o início a postura da equipe me pareceu desvigorosa, embora, mesmo assim, o primeiro tempo até tenha sido satisfatório. No segundo, porém, após o gol o Internacional simplesmente não conseguiu ter nenhuma valência: com a bola éramos levianos e não conseguíamos manter a posse por nenhum instante, já sem ela estávamos divididos em dois blocos que simplesmente não se comunicavam. Nesse ritmo quase sofremos o gol por dois ocasiões, mas nem isso foi o suficiente para o Tachira abrir o placar. O problema coletivo também era perceptível em outras partes, como uma linha defensiva que toda hora se desmanchava e abria brechas no miolo para infiltrações. Jogos fora de casa mais do que qualquer outro fator demandam consistência, ou seja, você até pode tomar um gol mas o rival jamais deve chutar livre, desmarcado, ter superioridade numérica, coisas que assistimos ao monte.
Se por um lado os problemas táticos no segundo tempo foram evidentes, mesmo com todos esses problemas provavelmente o Inter conseguiria trazer um ponto de San Cristóbal (como em 2006 quando jogamos pouco em Maracaibo e mesmo com dificuldades fizemos o nosso dever), mas ai vieram duas falhas simplesmente lamentáveis. Talvez seja uma unanimidade que Zé Gabriel não possua nenhuma qualificação para jogar como zagueiro. Todo jogo ele consegue provar isso com tomadas de decisões erradas (dá a bola ao atacante em posições perigosas, com péssimas tomadas de decisões) ou tenta um bote falho e corta para trás, um tipo de ruindade que nem o Ediglê nos proporcionava. É um jogador inqualificável e tem provado isso desde 2020. Apostar nele é pedir para ter problemas e nisso recai a responsabilidade do treinador e do jogador. Já o segundo gol foi em maior parte uma falha do Edenílson, de leitura errada, mas que comprova o quanto individualmente a equipe não estava bem preparada para uma partida decisiva.
Ainda assim, mesmo com os resultados fora de casa mostrando-se mais negativos não vejo que essa relação causal habite somente a esfera "entre jogar em casa e fora" - mas sim pelo nosso desempenho sendo preponderante. Basicamente porque o conceito adotado pela equipe são equivalentes em qualquer terreno. Mesmo jogando em Poa o Inter costuma cometer os mesmos erros defensivos, a única questão é que o adversário costuma sofrer mais (aumentando seus erros) por estar em um gramado que desconhece e o fator psicológico de se jogar - além do aspecto físico (viagem, etc) - no Beira-Rio pesa a nosso favor. Ou seja, há uma linha divisória que essa equipe ainda não ultrapassou que é a consistência, sem ela, sempre sofreremos mais fora de casa (porque é estatisticamente e empiricamente mais difícil) tendo em vista que o adversário agride mais, se sente mais confortável e explora com maior intensidade possíveis falhas defensivas.
Não defendo nenhuma loucura como troca de treinador ou que tudo está errado, apenas avalio que enquanto MAR não encontrar o melhor equilíbrio com as melhores peças (que efetivamente não são so minha ótica Zé Gabriel, Marcos Guilherme ou Lomba) certos desarranjos tendem a ser potencializados sem que essa consistência se aproxime com maior clareza (além de que um maior tempo de trabalho tende a propiciar alguns ajustes de ordem tática). Mas sendo realmente enfático, foi uma derrota inaceitável -porque se mostrou sempre evitável - e que pode complicar de vez nossa classificação.
Perdemos margem de erro e agora tanto os jogadores como o treinador terão que demonstrar que podem subverter o que foi visto na última terça, começando pelo básico que é desistir de jogadores declaradamente insuficientes".
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