Thais Magalhães/CBFMesmo que ainda não haja acordo entre os clubes e os grupos pela nova Liga de Clubes, um levantamento feito pelo jornalista Rodrigo Capelo, do GE, aponta que as novas fórmulas discutidas pelos clubes para transmissão do Brasileirão irão reduzir a desigualdade financeira pela metade, segundo as simulações, quando comparada aos últimos acordos realizados individualmente após a implosão do Clube dos 13.
Tendo em vista que os direitos de mídia são a maior receita do futebol, não apenas no Brasil e que os atuais contratos da Série A, assinados com a Globo, vigoram até 2024, o que se discute hoje é o modelo que valerá a partir de 2025.
A diferença em relação à última negociação é que, desta vez, a comercialização coletiva pode elevar o faturamento do futebol brasileiro, mas deve haver entendimento sobre a divisão dessa verba.
Inspiradas nas maiores ligas europeias, as métricas usadas para ordenar os recursos lembram esquemas táticos. 50-25-25 e 40-30-30 são sequências de números que entraram para o vocabulário futebolístico – em discursos de cartolas e nas discussões em redes sociais.
O que todos esses números significam? Quais são os principais motivos de discórdia? O que o Brasil pode aprender com referências estrangeiras, como Inglaterra e Espanha? O ge obteve com exclusividade os números que dirigentes atualmente usam como base para a negociação.
A primeira proposta
A Liga do Futebol Brasileiro (Libra) – fundada pelos cinco clubes paulistas na primeira divisão e pelo Flamengo – leva em seu estatuto uma proposta de distribuição dos recursos da transmissão. Ela foi formulada com a assessoria da empresa Codajas Sports Kapital.
O dinheiro seria repartido em 40-30-30, assim:
40% iguais para todos os clubes;
30% segundo a colocação na tabela;
30% conforme o sucesso comercial.
Na performance, a proporção seria a seguinte:
1 6,00
2 5,67
3 5,33
4 5,00
5 4,67
6 4,33
7 4,00
8 3,67
9 3,33
10 3,00
11 2,67
12 2,33
13 2,00
14 1,67
15 1,33
16 1,00
17 0,50
18 0,50
19 0,50
20 0,50
A maneira mais fácil de compreender o quadro acima é considerar que, qualquer que seja a quantia em dinheiro, a premiação do campeão seria 12 vezes maior do que a dos quatro rebaixados. Em relação ao 16º colocado, a diferença seria de 6 vezes, e assim sucessivamente.
Esse quadro vale somente para os 30% de performance e não corresponde à diferença final entre a receita de cada clube.
No último terço, cinco itens foram considerados:
Média de público no estádio;
Base de assinantes de pay-per-view;
Número de seguidores e engajamento em redes sociais;
Audiência na televisão aberta;
Tamanho da torcida.
Por fim, a Libra previu no estatuto o repasse de 15% do valor arrecadado pelo Campeonato Brasileiro com a transmissão para a Série B.
Na contramão desse modelo, os dirigentes de outro grupo, intitulado Forte Futebol, passaram a fazer oposição abertamente e nos bastidores. Em carta aberta, os opositores defenderam a adoção de 50-25-25 para equilibrar a distribuição da verba da transmissão e criticaram itens do último terço, como o uso das redes sociais e o tamanho das torcidas.
Eles também demandam que a diferença em arrecadação entre o primeiro e o último colocado, considerando todos os itens, não passe de 3,5 vezes – parâmetro do futebol espanhol. A meta ao longo do tempo deveria ser baixar esse índice para 1,6 vez – este, do futebol inglês.
Por fim, esses dirigentes requerem que 20% das receitas obtidas pelo Brasileirão sejam repassadas aos clubes da Série B – em vez de 15%.
A divergência entre esses dois grupos, Libra e Forte Futebol, motivou a renegociação de todos os critérios. Nos bastidores, representantes da Libra e da Codajas tentam a adesão de novos clubes para a liga. O desafio deles é conciliar as sugestões e necessidades de insatisfeitos e indecisos.
Como é hoje
Antes e depois do Clube dos 13 – entidade que centralizou os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro entre 1987 e 2011–, o futebol brasileiro passou a cada negociação por um processo de concentração dos recursos da televisão entre os clubes de maior torcida.
Em 2019, entrou em vigor um modelo "híbrido". As negociações foram realizadas de maneira individual, sendo cada clube responsável por vender seus direitos, mas a divisão da verba foi decidida de maneira pré-determinada, a obedecer a fórmula 40-30-30.
Por causa das circunstâncias da negociação, que teve concorrência entre Globo e Turner na televisão fechada, as plataformas seguem regras diferentes. TV aberta e fechada se enquadram na divisão "europeia", enquanto o pay-per-view considera a base de assinantes e valores mínimos garantidos negociados, caso a caso, entre emissora e clubes.
Esse modelo permitiu que o futebol brasileiro equilibrasse um pouco a distribuição do dinheiro, à medida que clubes chegados da segunda divisão passaram a participar do mesmo sistema que os de maior torcida, mas o pay-per-view ainda acirra a desigualdade.
O ge organizou os dados abaixo com base nos balanços dos clubes referentes a 2019, primeiro ano do atual modelo. Valores lançados para transmissão foram refinados para considerar só o Brasileirão. Em 2020 e 2021, a contabilidade foi prejudicada pela suspensão de campeonatos, causada pela pandemia. Por esse motivo, esses anos não serão utilizados.
Em resumo, em 2019, a diferença esteve em:
1º ao 10º – 3,0 vezes
1º ao 20º – 8,9 vezes
Se o futebol brasileiro adotasse o 40-30-30 com os cinco critérios, da maneira como a Libra previu em seu estatuto inicial, o primeiro lugar arrecadaria 3,6 vezes o que receberia o último. Se a opção for pelo 50-25-25 com apenas três critérios, essa diferença cai para 3,0 vezes.
As diferenças entre cenários são mínimas. Nota-se que as hipóteses que consideram 50-25-25 são mais equilibradas, pois têm a maior parte do dinheiro dividida de maneira igualitária entre os clubes. Porém, mesmo no 40-30-30, a discrepância em relação ao modelo atual diminui muito.
Neste momento, dirigentes têm feito demandas para ajustar essa fórmula. Alguns querem trocar a média de público pela ocupação do estádio, pois atuam em locais com menor capacidade. Outros querem priorizar a quantidade de seguidores em redes sociais ou o engajamento.
Qualquer que seja o modelo escolhido, abre-se ao futebol brasileiro a oportunidade de reduzir a desigualdade financeira, grosseiramente, pela metade. A diferença entre a maior e a menor cota, hoje acima das seis ou oito vezes, ficaria entre três e quatro vezes em todas as simulações.
13/06
13:59
Reforma do Gigantinho avança: confira a nova fase do projeto
13/06
13:44
Jornalista revela bastidores do futuro de Sérgio Rochet
13/06
13:25
Portal revela motivo da demora do Inter para fechar patrocínio máster
13/06
13:11
Inter sub-17 reage na final, mas título escapa nas penalidades
13/06
12:30
Barcellos banca permanência de Bernabei e afasta rumores de venda
13/06
03:00
Alessandro Barcellos projeta janela de transferências do Inter entre vendas necessárias e reforços sem perder competitividade
13/06
02:00
Inter entra na pausa da Copa do Mundo entre os que menos jogaram na Série A em 2026
13/06
01:30
Alessandro Barcellos descarta investida por Dantas e Inter busca outras opções no mercado
13/06
00:47
Alessandro Barcellos abre o jogo sobre finanças, parcerias e infraestrutura em novo programa do clube
12/06
17:27
Barcellos descarta venda de Carbonero ao Krasnodar e relata dos EUA: "Mais colorado que gremista por aqui"
12/06
17:00
Inter sub-17 encerra preparação e enfrenta o Grêmio na final do Gaúcho com a melhor campanha da competição
12/06
12:47
Clube russo inicia contatos por Carbonero, mas Inter aguarda proposta
12/06
12:36
Jornalista revela como o Inter prepara o Beira-Rio para a Copa do Mundo Feminina
12/06
12:15
Portal revela as prioridades do Inter para a próxima janela de transferências
12/06
09:56
Independiente faz exigência e dificulta sonho do Inter por Lomónaco
12/06
09:30
Rafael Sobis critica brasileiros que torcem para a Argentina na Copa
12/06
09:25
Futuro de Keiller no Inter parece definido para o fim da temporada
12/06
02:00
Abel convidou Taffarel para coordenar os goleiros do Inter e Fabinho confirma: "Seu lugar está reservado"