Texto por Colaborador: A. Rother 26/10/2026 - 02:00

A vitória do Internacional por 3 a 0 sobre o Botafogo foi tema de debate no programa Bate-Bola, da GZH, neste domingo. Durante a discussão, o jornalista Vaguinha elogiou as defesas de Kauan Jesus, mas questionou a estrutura de formação de goleiros do clube e afirmou que a oportunidade recebida pelo jovem surgiu mais por circunstâncias do que por uma identificação prévia de seu potencial.

Vaguinha destacou que o goleiro, que estava no clube havia três anos sem receber oportunidades, só foi escalado após a expulsão de Mateus Cunha e a lesão de Anthoni. Para o comentarista, o desempenho do jovem evidencia uma falha na avaliação dos profissionais responsáveis pela base colorada.

“É um goleiro que estava aqui há três anos e nunca jogou, e não ia jogar. Ele só jogou porque o Mateus Cunha foi expulso e o Anthoni estava machucado. Então é sorte. E é bom ter sorte nesse momento”, argumentou.

O jornalista reforçou a crítica ao questionar a existência de uma metodologia consolidada para a formação de goleiros no Inter. Segundo ele, as frequentes mudanças na comissão técnica e na direção das categorias de base dificultam a construção de um trabalho contínuo.

“Você, alguém acredita que existe escola de goleiros no Inter? O Inter não sabe nem onde treina. O Inter está treinando em Alvorada. Troca a comissão técnica e troca a direção da base do Inter a cada seis meses”, afirmou.

Apesar das críticas à estrutura, Vaguinha reconheceu a qualidade das defesas de Kauan Jesus e chamou a atenção para a segurança do jovem nas saídas do gol. Ele também destacou a técnica do goleiro ao afastar bolas pelo alto, explicando que esse tipo de intervenção permite à defesa ganhar tempo para se reorganizar.

O comentarista, no entanto, fez questão de separar o mérito individual do jogador das circunstâncias que abriram espaço para sua escalação. Na avaliação dele, faltou competência interna para perceber antecipadamente que Kauan poderia ser uma alternativa.

“Não teve uma alma competente dentro do Sport Club Internacional para olhar e dizer: ‘Ele é melhor que o Mateus Cunha’. Então vamos atribuir mérito a quem merece o mérito nessa questão”, declarou, ao sustentar que a oportunidade apareceu por acaso, e não por uma decisão planejada.

**Vaguinha pede cautela com a empolgação sobre o goleiro**

Mesmo após a atuação decisiva contra o Botafogo, o jornalista também defendeu que a torcida tenha paciência antes de transformar o jovem em solução definitiva para o gol colorado. Ele lembrou que outros goleiros do Inter já viveram momentos de grande empolgação após boas partidas, mas depois não mantiveram o mesmo nível.

“Pro bem do goleiro do Kauan, eu acho que as pessoas têm que ter calma e analisar jogo a jogo. Recém é o segundo jogo dele, foi bem demais, salvou o Inter, três defesas, essa aí foi a melhor de todas”, afirmou.

O debate também passou pela carência da torcida em relação à posição. Vaguinha concordou que o bom desempenho do jovem ganha ainda mais repercussão diante das dificuldades enfrentadas anteriormente pelo clube com seus goleiros. Ainda assim, ressaltou que as defesas realizadas por Kauan precisam ser reconhecidas, mesmo que sua chegada à equipe titular tenha ocorrido em circunstâncias inesperadas.

Outro ponto levantado pelo jornalista foi a necessidade de maior transparência na estrutura do futebol colorado, especialmente sobre as responsabilidades e a autonomia dos profissionais que atuam na base e no departamento de futebol. Para ele, a ascensão de Kauan deve servir de alerta para a direção do clube.

**Críticas a escolhas de Eduardo Baptista e às substituições**

Embora tenha reconhecido a importância do resultado e a evolução coletiva do Inter, Vaguinha também questionou algumas decisões do técnico Eduardo Baptista. Entre elas, a demora para dar oportunidade a jovens do elenco durante a vitória por 3 a 0, quando o cenário da partida já permitia mudanças.

O comentarista citou especificamente João Bezerra, que, na sua avaliação, poderia ter entrado ainda no segundo tempo para ganhar minutos em campo e ser observado pela torcida.

“Pô, 3 a 0, 30 do segundo tempo, chama o João Bezerra para jogar, chama o João Bezerra, sangue novo, bota o guri pro torcedor ver. [...] Não é crítica, mas é falta de sensibilidade”, disse.

Vaguinha também comentou a atuação de Alejandro e destacou a participação do jogador na construção do gol, defendendo que ele teve mérito na jogada. Ao mesmo tempo, criticou a opção por manter determinadas peças em campo quando havia possibilidade de preservar atletas desgastados e dar espaço a alternativas do elenco.

Apesar das ressalvas, o jornalista reconheceu que o Inter apresentou uma atuação coletiva positiva e que a equipe vem mostrando evolução sob o comando de Eduardo Baptista. Uma enquete realizada durante o programa reforçou essa percepção: entre mais de 2 mil participantes, 49% atribuíram a melhora do time às escolhas do treinador, enquanto 40% apontaram o maior comprometimento dos jogadores. Outros 6% consideraram que o Inter enfrentou adversários mais fracos, e 5% disseram que a equipe não melhorou.

A análise de Vaguinha, portanto, combinou o reconhecimento ao desempenho de Kauan Jesus e à evolução colorada com cobranças à estrutura do clube, à gestão das categorias de base e a decisões da comissão técnica. Para o comentarista, o bom momento precisa ser acompanhado de avaliações criteriosas, sem transformar uma sequência curta de boas atuações em conclusões definitivas.

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