Ricardo Duarte / InterO Inter quebrou a série negativa de dois empates e uma derrota com um triufo mínimo no estádio Centenário, ambiente que raramente se mostrou fácil de se vencer. Graças ao gol solitário de Maurício, nos instantes finais da partida, o Inter chegou aos 11 pontos na tabela estadual. Embalado por um segundo tempo mais satisfatório, os comandados de Alexander Medina alcançaram o terceiro triufo na temporada, chegando ao 61,11% de aproveitamento. Mas indo além do mero resultado, o que dizer do Clube do Povo e da esquadra de Cacique neste início de temporada?
Confira uma breve avaliação de nossa equipe:
Israel: "Ainda não vejo o time com características do jogo que o Medina quer. Nos últimos jogos noto o time muito bagunçado em todos os setores, com jogadores muito distantes um do outro e nada de triangulações. Contra o Novo Hamburgo, por exemplo, começamos com 2 volantes de marcação (Dourado e Liziero) e terminamos com 3 meias (Dale, Boschilia, Taison), um total desequilíbrio. Já diante do Caxias, David terminou na lateral-direita (neste caso também por falta de opções). Não temos um elenco fora de série, assim, se o coletivo não funcionar, há dificuldades - e muitas - em conseguirmos mostrar um bom futebol. Ademais, Medina gosta de jogar com a zaga forçando o impedimento adversário e isso exige tempo de treinamento e inteligência em campo, o que falta para alguns que tem jogado mais minutos.
Espero e acredito que Medina esteja dando o tempo de respeitar os antigos titulares para logo ir mudando algumas peças em busca de um equilíbrio em campo, para mim Moises e Dourado precisam perder seus lugares para PV e Gabriel, e jogarmos no Gauchão com 2 volantes apenas de marcação mata o time, enquanto recuar Edenilson e colocar Maurício deve dar mais qualidade nas jogadas ofensivas.
Outra coisa que não entendo é a falta de critério que faz tempo se percebe quando se trata de bolas paradas (escanteios e faltas), cada jogador que vem do banco quando entra passa a ser o batedor das bolas paradas e contra o Caxias ainda tivemos um escanteio cobrado pelo Moises de pé trocado, que para a surpresa (de poucos) foi direto para fora.
Espero que mudando algumas peças (especialmente Dourado e Moises pelo menos), colocando Mauricio e trazendo logo um lateral-direito consigamos ter uma base e assim um caminho, uma ideia de jogo que vá amadurecendo e sendo ajustada, visto que logo teremos o GreNal e a Copa Brasil pela frente. Neste momento o Inter tem sido uma bagunça em campo, infelizmente. Precisamos fazer o coletivo funcionar.
Por fim, acredito no Medina e espero que ele possa nos dar muitas alegrias, mas as coisas vão precisar ir tendo um mínimo de ajuste que se perceba, mas suas entrevistas tem sido boas e tem enxergado o que realmente acontece em campo, por outro lado, ele também precisará de peças para este elenco, tirando alguns que não rendem faz tempo".
Alan: "Como não podemos observar os treinos e entender exatamente os métodos de Alexander Medina, o que sobra para nós, espectadores, é o mero fluxo de informações durante os 90 minutos. Nesse caso, o rescaldo do time do Inter nestes 6 jogos é de apreensão e preocupação.
Mesmo de longe e dando os descontos pelo início de temporada, percebo um SCI ainda desbocado fisicamente, o que reflete tecnicamente em inúmeros momentos. No entanto, mesmo diante desta ressalva, o que mais me aflige é a confusão tática em todos os setores do time. Embora claramente se perceba a tentativa de implementação de boas ideias - como a linha alta, ambição de se jogar no campo adversário, laterais sempre atacando - a forma como isso se desenvolve é notadamente mal feita, dando indícios de que ou os jogadores não possuem nenhuma capacidade técnica e tática para exercer tais funções (o que como dito pelo meu companheiro acima, claramente tem ocorrido com Dourado e Moisés) ou o trabalho diário não está sendo transmitido de maneira eficiente: se não notamos saltos de qualidade ou avanços claros, em ideias ou concepções durante os jogos, não há como projetar qualquer situação futura promissora.
O SCI tem um elenco de nível bom para médio jogando de maneira primeiramente consistente defensivamente (destruir é sempre mais fácil do que construir, é o senso comum que equipes limitadas trabalham à seu favor) e em cima disso conseguiu ser competitivo nos últimos anos. Agora, a ideia é fazer o oposto (agredir sem a bola e jogar no campo adversário) o que expõe de maneira diferente o sistema defensivo e exige valências que o atual elenco do Internacional não tem ou dificilmente terá a médio prazo. Peças como David, Liziero, Gabriel, Wesley e nomes cogitados como Marrony (com exceção de Bustos) são reforços que não mudam em nenhum nível essas exigências técnicas. Ou seja, a direção quer jogar de uma forma X e tem trocado os nomes de vários jogadores, mas nenhum destas peças novas de fato oferecem o estilo almejado com primazia.
Isto quer dizer que o Inter está fadado ao fracasso? não exatamente. Apenas trata-se de uma impressão inicial das primeiras seis partidas.
Nestes poucos jogos me preocupa a enorma pobreza coletiva, que aumenta ainda mais a ineficiência individual. Como dito pelo Israel, uma equipe distante, desconecta, tem claras dificuldades nos dois extremos do campo. Ademais, as experiências com Liziero até aqui me desagradaram e muito - enquanto Johnny, em Caxias, ofereceu indícios de melhor consistência defensiva mesmo com Dourado muito mal e visivelmente sem confiança no seu lado - e Maurício poderia receber uma sequência de jogos devido à sua capacidade técnica e maior mobilidade, coisa rara em nosso elenco.
Por fim, se a equipe não começar a dar sinais de melhora coletiva - e estou falando aqui independente dos nomes ou peças - ou seja, defender com organização, ter ações em conjunto, me preocupa demais como entraremos no Campeonato Brasileiro em 2022, que promete ser bastante disputado. Por isso a comissão técnica precisa começar a trabalhar em pequenos encaixes: primeiro encontrar valências básicas, corringindo o sistema de defesa e assim por diante em intervalo de tempo curtos, diminuindo os testes por vezes extravagantes em etapas dos jogos."
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