Reprodução / TV INTERUma decisão do Governo Federal acendeu o sinal de alerta em grandes clubes brasileiros. Ao vetar determinados pontos da reforma tributária que beneficiariam tanto SAFs quanto clubes associativos, o governo acabou criando uma disparidade significativa na carga fiscal entre os dois modelos, válida a partir de 2027. A informação foi divulgada pelo colunista Rodrigo Mattos, do UOL.
A diferença é gritante: enquanto os clubes tradicionais terão alíquota de 15,6% - combinando 10,6% do novo tributo com 5% de INSS -, as SAFs pagarão apenas 6%. Na prática, a taxação dos clubes saltou mais de 10%, ao passo que as SAFs viram incremento de somente 1%.
Há uma brecha que permite aos clubes abaterem certas despesas do valor final a ser recolhido, potencialmente aliviando o impacto. O problema é que ainda não há definição sobre quais gastos poderão ser considerados nessa dedução.
A notícia caiu como uma bomba em instituições como Flamengo e Corinthians, justamente os que mais se mobilizaram no Congresso tentando reduzir a tributação. Do outro lado, as SAFs têm demonstrado força política, contando inclusive com o suporte de entidades como a LFU.
O Flamengo reagiu com irritação, argumentando que a medida ignora completamente o risco de criar um campeonato desequilibrado. Embora descarte aderir ao modelo de SAF, o Rubro-Negro admite que, se a norma for confirmada, precisará enxugar gastos em áreas que já operam no vermelho, como os esportes olímpicos - inclusive receitas vindas de leis de incentivo seriam atingidas pelo novo tributo.
No Corinthians, a inquietação também é evidente. A diretoria começou a analisar alternativas de estrutura administrativa para se preparar para o futuro, embora até agora tenha resistido firmemente à transformação em SAF. O Palmeiras optou por não se pronunciar.
Vale ressaltar que os vetos presidenciais ainda não são irreversíveis. O texto volta para apreciação do Congresso Nacional, que tem poder para derrubá-los. Outra possibilidade é a construção de um acordo específico voltado exclusivamente ao futebol.
Nessa linha, o jornal O Globo informou que Eduardo Bandeira de Mello, ex-mandatário do Flamengo e atual deputado, conversou com o presidente Lula sobre o tema. O encontro informal aconteceu na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro.
Bandeira de Mello está trabalhando nos bastidores do Congresso para modificar a legislação e reduzir os danos provocados pelo veto, que privilegiou as SAFs. Sua posição é clara: a tributação não pode ser utilizada como ferramenta para empurrar os clubes na direção do modelo empresarial.
Lula demonstrou abertura para buscar uma alternativa mais justa.
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