Texto por Colaborador: A. Rother 30/04/2026 - 18:07

O balanço financeiro do Internacional referente a 2025 gerou questionamentos internos após a divulgação do parecer do Conselho Fiscal aos conselheiros. Embora o clube tenha apresentado oficialmente um resultado positivo de R$ 8,9 milhões, a análise técnica do órgão indica que esse número não reflete uma melhora estrutural nas finanças — e que a realidade aponta para um déficit superior a R$ 100 milhões.

O documento, ao qual o Correio do Povo teve acesso, é direto: "Sob uma perspectiva técnica mais aprofundada, constata-se que tal resultado positivo não decorre de uma reestruturação sólida da operação principal, mas sim de fatores pontuais e não recorrentes, notadamente relacionados ao tratamento contábil adotado para a recompra de participação em direitos comerciais anteriormente alienados pelo Clube no exercício de 2023."

O ponto central da divergência é a forma como foi contabilizada a recompra dos direitos de televisão ligados à Futebol Forte União (FFU), realizada em fevereiro de 2025 por R$ 109 milhões. O Inter registrou o valor como ativo intangível, mas o Conselho Fiscal entende que o procedimento não refletiu adequadamente o impacto econômico da operação no resultado do exercício — o que configura, segundo o relatório, uma "assimetria de tratamento contábil".

O documento também relembra que, em 2023, quando o clube vendeu esses mesmos direitos, a operação foi registrada como receita de R$ 218 milhões, contribuindo para um superávit histórico de R$ 170,3 milhões naquele ano. Usar critérios distintos para operações equivalentes é justamente o que o Conselho Fiscal questiona.

De modo geral, o relatório recomendou a aprovação das contas com ressalvas, apontando três fatores principais: a contabilização da recompra da FFU, o elevado nível de endividamento e a falta de clareza na apresentação de informações no balanço e no relatório de gestão.

Apesar da dívida ajustada beirar R$ 1 bilhão, o Conselho afirma que "não há elementos que indiquem cenário de insolvência do clube". O valor de R$ 939 milhões não leva em conta rubricas que não representam dívida exigível com impacto direto no fluxo de caixa. Acrescidos desses valores, o passivo colorado se mantém em R$ 1,2 bilhão.

O órgão também sinalizou o atraso no envio das previsões financeiras, disponibilizadas em 15 de abril — quando o regimento interno exigia a apresentação até 28 de fevereiro.

A análise final do balanço será realizada pelo Conselho Deliberativo em reunião agendada para o dia 11 de maio.

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