Reprodução / TV INTERUm relatório divulgado pelo Correio do Povo nesta semana escancarou o tamanho do problema financeiro do Inter: o clube fechou 2025 com uma dívida próxima de R$ 900 milhões, sendo R$ 226 milhões já vencidos. Outros R$ 300 milhões vencem neste ano, e mais R$ 285 milhões estão programados para 2027, segundo a consultoria Alvarez & Marsal, responsável pelo estudo.
O documento não deixa dúvidas quanto à gravidade do quadro: pelas contas apresentadas, o caixa do clube não daria conta de cobrir esses valores, o que faria a dívida disparar ainda mais por causa de juros e multas. É o próprio relatório quem resume o problema: "O caixa projetado para o período é insuficiente para pagar os vencimentos. Desta forma, incorrerá no aumento exponencial do passivo (dívida) por juros e multas." A mensagem da consultoria é clara: quanto mais o Inter demorar para agir, menores serão as saídas disponíveis.
Por isso, o relatório é enfático ao afirmar que a urgência independe de qual caminho o clube vá escolher para reorganizar as contas. O plano prevê que o Conselho Deliberativo receba o material completo ainda este mês, com as primeiras ações já saindo do papel em agosto — dado o tempo que normalmente demanda um processo de reestruturação dessa magnitude.
Três caminhos estão sobre a mesa: recuperação judicial, recuperação extrajudicial e o Regime Centralizado de Execuções.
Entre as opções, a recuperação judicial desponta como a mais robusta. Ela trava, por no mínimo 180 dias, qualquer ação ou execução movida contra o clube, impede que a dívida siga crescendo por juros e multas nesse período, e ainda viabiliza a entrada de capital novo. O lado negativo fica por conta do desgaste de imagem que a medida costuma provocar, além de dificultar o acesso a crédito enquanto durar. Sua principal vantagem, porém, está no alcance: praticamente toda obrigação do clube entraria na negociação — dívidas trabalhistas, bancárias, com fornecedores e com outros clubes.
Já a via extrajudicial seria concluída mais rapidamente, mas cobre bem menos terreno: fica de fora de contingências importantes, e as condições de renegociação tendem a ser piores, com descontos menores e prazos mais curtos do que os da recuperação judicial.
Por fim, o Regime Centralizado de Execuções seria o mais ágil dos três, mas traz riscos jurídicos relevantes. Pensado originalmente para SAFs, o mecanismo pode simplesmente não cobrir toda a dívida colorada — e ainda existe insegurança sobre se a Justiça validaria seu uso, já que o Inter continua funcionando como clube associativo, e não como sociedade anônima.
Apenas depois de resolver essa equação financeira é que a Alvarez & Marsal recomenda que o clube retome a conversa sobre se tornar uma SAF. Na visão da consultoria, essa mudança de modelo é assunto para depois — agora, o que importa é estancar o sangramento nas contas.
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