Texto por Colaborador: A. Rother 15/07/2026 - 04:00

Sem conseguir avançar na negociação por José Contreras, goleiro venezuelano do Barcelona, do Equador, o Inter mudou de rota no mercado e foi buscar Matheus Cunha, que vinha atuando como reserva no Cruzeiro. O goleiro de 25 anos já tem autorização para viajar e é esperado em Porto Alegre para assinar contrato de empréstimo válido até meados de 2027.

A negociação, no entanto, recebeu críticas duras de nomes da imprensa que cobrem o Inter, e não apenas da torcida nas redes sociais. Jornalistas especializados no clube resgataram falhas recentes de Cunha em Belo Horizonte, onde ele não conseguiu aproveitar a lesão de Cássio para se firmar como titular e acabou perdendo espaço para o jovem Otávio.

O jornalista e torcedor colorado Luccas Collar foi um dos profissionais de imprensa que criticaram publicamente o negócio: "Se é pra buscar o Matheus Cunha, é melhor fechar as categorias de base do Inter e liberar todos os goleiros que estão treinando no profissional desde 2023: Esser, Kauan Jesus e Menke. Se o clube não consegue formar um goleiro do mesmo nível do Cunha, é dinheiro posto fora."

Também pela imprensa, o jornalistaAlexandre Ernstpublicou em seu perfil no X: "Empresário de Matheus Cunha é Fábio Baitler, que trouxe Hyoran e Natanael para o Beira-Rio. O que me disseram é que André Cury sugeriu o goleiro de 25 anos para a direção do Inter. Mais uma NABA que o cara desova no Beira-Rio. Cunha é o Q U A R T O goleiro do Cruzeiro…"

A crítica da imprensa se completa na coluna da jornalista Nani Chemello, representante do Inter em GZH, que fez duras ponderações sobre a contratação.

Em sua coluna, Chemello reconhece que o Inter vive um momento difícil no gol — critica a condição física de Rochet, que segundo ela "quase sempre" atua "com dor", e aponta que Anthoni teve boas atuações no passado, mas cometeu falhas graves na temporada seguinte, sem recuperar a confiança de antes. Diante desse cenário, ela diz apoiar a busca por um novo goleiro, mas ressalva que "tudo tem limite".

A jornalista é dura ao avaliar a passagem de Cunha por Flamengo e Cruzeiro, onde, segundo ela, o goleiro não aproveitou nenhuma das oportunidades que teve e chegou a se tornar alvo de brincadeiras dos próprios companheiros de elenco por falhas em gols considerados simples. Chemello afirma ainda ter assistido a uma compilação de todos os chutes a gol sofridos por Cunha em 2026 e conclui que nem Anthoni nem Rochet "tiveram desempenhos tão ruins" quanto o do reforço recém-contratado.

A coluna também menciona uma cirurgia no menisco realizada por Cunha no início do ano e relatos, obtidos pela jornalista junto a profissionais da área, sobre falta de cuidado do goleiro com a preparação física. Ao fim do texto, Chemello questiona se o jogador será capaz de suprir a ausência de Rochet nos períodos em que o uruguaio estiver com a seleção, e encerra a análise dizendo torcer para estar enganada, mas admitindo sentir "medo" em relação à contratação.

No Cruzeiro, Matheus Cunha havia sido contratado no início da temporada, ao mesmo tempo em que deixava o Flamengo, justamente para brigar por posição com Cássio. Ao longo do ano, no entanto, foi perdendo espaço, e a lesão do experiente companheiro não foi suficiente para mudar seu cenário: a comissão técnica optou por manter o jovem Otávio, formado nas categorias de base da Raposa, como titular.

Cunha mantém contrato com o Cruzeiro até o fim de 2028, mas soma apenas 12 partidas disputadas com a camisa celeste, com 13 gols sofridos no período. No amistoso contra o Grêmio, no último domingo (12), o goleiro sequer foi relacionado pelo técnico Artur Jorge.

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